
Um olhar dos anos - o desafio de manter a vida saudável de forma natural
71 —O desafio de manter o peso e uma vida saudável na fase adulta é um dos grandes dilemas da nossa era. Entre amigos, especialmente os de 50 a 70 anos, é comum encontrar quem esteja acima do peso, muitas vezes recorrendo a medicamentos como os inibidores do GLP-1 para ajudar na perda de peso. Essa busca por soluções é reflexo da rotina moderna, cheia de encontros sociais, comida boa, bebidas, pouco tempo para exercícios e o conforto que a tecnologia oferece. O resultado é aquela barriga teimosa que acaba se tornando companheira na trajetória da vida.
O problema, porém, não é só dos adultos. Ele começa bem antes, lá na infância e, principalmente, na transição para a adolescência. Crianças movimentam-se naturalmente, mas conforme crescem, o movimento vai dando espaço às telas, aos estudos e ao ritmo acelerado da vida. Na adolescência, as mudanças no corpo vêm acompanhadas de inseguranças, pressões sociais e da tendência de criar hábitos que vão além do prato: como se vê no espelho, como se relaciona com os amigos e como encara o próprio corpo.
Os jovens enfrentam tentações diárias: fast food, refrigerantes, festas, tempo excessivo nas redes sociais. Se não houver um olhar atento, esses hábitos logo se consolidam, dificultando escolhas saudáveis mais tarde. E assim, o ciclo se repete: adultos que tiveram pouca formação para hábitos equilibrados acabam achando difícil mudar na maturidade, e muitas vezes acabam parando nos remédios ou nas tentações de soluções fáceis.
A família tem um papel fundamental nessa história. É nesse espaço que as escolhas cotidianas ganham força, tornando o saudável mais simples do que parece. Preparar refeições juntos, experimentar novos alimentos, incentivar caminhadas, esportes ou brincadeiras ao ar livre são estratégias que funcionam. Limitar o tempo de telas, criar rituais gostosos em família, conversar sobre emoções, incentivar a autoconfiança e mostrar que ninguém precisa ser perfeito — apenas fazer o possível para cuidar de si — são atitudes que criam uma base para que os filhos levem esses hábitos também para fora de casa.
No fim das contas, viver bem é encontrar equilíbrio. Permitir certos excessos de vez em quando, valorizar pratos saborosos e simples e lembrar que a saúde é para ser construída ao longo da vida, não apenas buscada como solução imediata. O mundo está mudando; estamos todos tentando acompanhar. O mais importante é entender que, com pequenas atitudes e escolhas conscientes, dá para fugir do ciclo e criar caminhos mais leves e saudáveis para todas as gerações.
1. Faça das refeições um momento em família
• Cozinhem juntos, conversem sobre os ingredientes e experimentem novas receitas sem pressão.
• Inclua variedade e aposte em alimentos frescos e simples, valorizando o sabor do que é natural.
2. Movimente-se de forma divertida
• Prefira caminhadas, passeios de bicicleta ou esportes em grupo, evitando a ideia de exercício como castigo.
• Transforme a atividade física em lazer: jogos de salão, dança em casa, brincadeiras ao ar livre.
3. Equilibre o tempo de telas
• Estabeleça limites para o uso de celulares, TVs e computadores.
• Crie espaços para hobbies offline, como leitura, música, arte e jardinagem.
4. Dê o exemplo sem cobrar perfeição
• Compartilhe suas tentativas de escolhas saudáveis, fale sobre as dificuldades e celebre pequenas conquistas.
• Mostre que errar faz parte do processo e que o importante é manter a intenção de cuidar de si.
5. Crie rituais saudáveis no dia a dia
• Horários regulares para refeições e para o sono ajudam a organizar o metabolismo.
• Programe lanches em família, noites temáticas de culinária ou simples piqueniques no parque.
6. Converse sobre emoções e imagem corporal
• Ajude as crianças e adolescentes a enxergar o corpo de forma positiva, valorizando a saúde e o bem-estar acima da estética.
• Fale sobre a pressão social de forma aberta e demonstre apoio nas inseguranças.
7. Permita exageros de vez em quando, mas com consciência
• Mostre que comer um doce ou sair da rotina, ocasionalmente, faz parte da vida equilibrada.
• Explique que o equilíbrio é a chave e que escolhas saudáveis podem ser prazerosas.
8. Aposte no incentivo, não na cobrança
• Reforce cada pequena tentativa de mudança sem críticas ou comparações.
• Valorize o esforço acima do resultado, promovendo a autoconfiança e a alegria ao cuidar de si.
Com essas recomendações, fica mais fácil transformar o cuidado com o corpo e a mente em uma rotina leve, prazerosa e possível para toda a família, ajudando a quebrar o ciclo de maus hábitos e apostando na saúde para o presente e o futuro.
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Dr. Mauro Fisberg
Pediatra e Nutrólogo (CRM 28119 RQE 3935 E 37146). Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto PENSI. Professor Associado Doutor - Aposentado Sênior do Setor de Medicina do Adolescente - Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Membro do Corpo de Orientadores Pós-Graduação em Pediatria e Ciências Aplicadas a Pediatria (Unifesp).