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A mamãe galinha e seus pintinhos.
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A mamãe galinha e seus pintinhos.

A mamãe galinha e seus pintinhos.

12/08/2011
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Ai de quem mexer com os meus pintinhos!” é uma frase já bem conhecida aqui em casa, tanto pela compreensão do seu significado, quanto pelo uso freqüente.  Visualizem a cena da mamãe galinha com os seus pintinhos debaixo das asas, protegidos de tudo e de todos, sempre quentinhos. Não é lindo? Sim, é. Mas só pode ser algo  “photoshopado” por aí.

Eu costumo dizer que sou essa mãe, mais até pela graça que a imagem desperta nos meus filhos, porém sei que eu não sou essa mãe, não. Sei mais do que isso: ela não existe, pois é impossível atingir essas metas com total perfeição.

Você se cuidou muito e bem durante toda a gravidez, fez um pré-natal nota 10, o bebê nasce e você equipa todos os cantos da casa com álcool gel, instala um piso de vinil branco no quarto do precioso bebê, que obriga todo mundo a tirar os sapatos sujos vindos da rua para que possam adentrar a redoma de cristal preparada ao longo de 9 meses do seu filho. E, um dia, ele fica doente. Cadê? Cadê esse vírus malditos que eu não vi? Essas bactérias que se apoderaram do meu filho, causando-lhe tamanho desconforto?

Ah, o enxoval é um assunto à parte… Tudo anti-alérgico, da maior maciez possível e da onde será que vêm essas brotoejas terríveis que tomaram conta do corpinho desse bebê?

Intolerância à lactose, alergia à peixe e também à fralda topdelinhamaiscaradomundo , como eu não vi nada disso? Como não previ essas chateações? Onde estava o meu instinto materno que não me avisou que isso aconteceria? Que não me permitiu sentir o “cheiro” de que algo estava errado e poderia causar “danos” ao meu filho querido e mais amado do mundo??

Isso é botar filho no mundo. A gente acha que tem o controle de tudo, mas as nossas asas nunca parecem ser grandes o suficiente. Pior, elas parecem diminuir conforme a passagem do tempo.

Quer perder o controle total? Matricule o seu filho na escola. Você prepara o lanche mais saudável, natural e orgânico do mundo e descobre que o seu filho está roubando o bolinho Ana Maria do amigo. Aquele temido, cheio de açúcar e gordura trans…

Daí, você pode até achar que é melhor deixar o filhote em casa com uma babá. E, um dia, encontra o seu filho cantando uma música meio gospel, meio evangélica enquanto brinca e descobre que a babá cantarola o mesmo repertório durante o trabalho. A babá mais bem recomendada, de confiança e experiente, que puxa o seu orçamento para baixo mensalmente…

Então, talvez pense que o melhor é largar tudo e ficar por conta do filho. Mais um dia e ele começa a cantar e dançar o “Rebolation”, da mesma maneira que “flagrou” a faxineira que vem só uma vez por semana cantando e limpando os vidros da sala.

Melhor mandar para escola? Sim, talvez. O “Rebolation” volta a te assombrar, porém a “culpa” agora é da amiguinha querida, cuja mãe acha a maior graça em ensinar a letra e a coreografia de rebolation?s e afins. Ou, tem que escutar do seu filho que os DVDs da Xuxa são su-per legais. Uma outra amiguinha querida levou o DVD na escola e todos assistiram, se divertiram e gostaram. Me diz: é justo? Justo com você que tenta controlar 24 horas por dia o conteúdo, o tipo de programa que o seu filho assiste na televisão e a qualidade das músicas que ele escuta? Justo com você que ouviu “Babies Go Bach” durante a gravidez toda, só investe na coleção “Villa Lobos para crianças” e tem arrepios na coluna diante de qualquer menção à “Galinha Pintadinha”? É justo? Hein?

Me digam, para onde correr? Cadê as tão desejadas asas da mamãe galinha???

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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