PESQUISAR

Sobre o Centro de Pesquisa
Sobre o Centro de Pesquisa
Residência Médica
Residência Médica
Das alegrias e dificuldades
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp
Das alegrias e dificuldades

Das alegrias e dificuldades

09/09/2011
  424   
  0
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp


Quando nasce um filho ou o segundo e terceiro, como foi o meu caso, o tal do clichê  “das alegrias e dificuldades sem fim” não se esgota jamais. E é sério, tenho saudades sim, de muitas coisas. Mas eu estava justamente relembrando o momento do nascimento do Joaquim e do Pedro e o que eu enfrentei com a Manuzinha, às vezes nem sei como chegamos até aqui, “dificuldades sem fim”…

Ouvi de uma amiga da minha prima, que já tinha dois filhos a seguinte frase: “a sua vida muda realmente com a chegada do segundo filho!”. Verdade verdadeira, acreditem em mim, mães de filhos únicos. Cuidar de um é quase como brincar de casinha, eu juro!

Mas, como eu estava falando, nunca vou me esquecer da carinha da Manu quando ela entrou na maternidade pela primeira vez para conhecer os irmãos, lançou a mim e ao Papai o seu olhar tão conhecido e característico de braveza pura, flagrou-nos cada um com um dos meninos no colo e parece que não gostou do que viu.

Ela estava numa fase de computador, vivia querendo mexer no nosso e em todos que visse, então compramos um laptop cor de rosa para ela “ganhar” dos irmãozinhos recém-nascidos. Laptop cor de rosa no colo, momento devidamente registrado, mas aquele nunca se tornou o seu brinquedo preferido, nunquinha. E, a partir daí, as tais das chupetas, que eram só usadas durante a noite, tornaram-se os acessórios mais importantes e utilizados por ela o dia inteiro. (Ouvi alguém falar “Freud explica”?).

Agora quem explica é a própria Mamãe, que viu, ou melhor, ouviu falar que a Manu aprendeu a andar na manhã em que os meninos nasceram. Chegou para visitá-los na maternidade andando de vestidinho, toda lindinha, com uma expressão que me dizia que era melhor começar a andar já, senão ela ia ficar pra trás. Dó, dó, muita dó!

Chegamos em casa da maternidade, o coração quase voando pela boca de tanto nervoso do “e agora? Como faço com três???”, mas fui lá dar uma espiadinha na Manu, que estava dormindo e olhei a minha filha dormindo com o bumbum pra cima no bercinho, ela parecia enorme, um bebezão, uma menina, a minha mocinha, que não era mais filha única, era a irmã mais velha de dois bebezinhos gêmeos. Que responsabilidade!

E, pela primeira de muitas vezes, ela me mostrou que não é tão mocinha assim, e que a responsabilidade é minha e do Pai dela: “resolveu” ter febre na primeira noite dos meninos em casa. Eu me lembro do meu sogro ligar na manhã seguinte e perguntar como tinha sido a noite. Com um nó na garganta e uma sensação de desespero, contei que as crianças estavam acabando comigo, eles acordaram a 1 da manhã, às 3, às 5 e às 7. Ah! E a Manu teve febre….

Até hoje penso nessa questão de ser mocinha, de ter autonomia e independência. Sou super a favor de incentivar e estimular todos esses aspectos para as crianças, considerando a idade deles, obviamente. Mas a gente tem que tomar cuidado, prestar atenção no quanto eles “agüentam” e conseguem realizar. Tenho certeza que essa febrinha foi um sinal disso e que eu recebo “sinais” semelhantes quase que diariamente.

Quando a gente fala que acriança “regrediu” na ocasião do nascimento de um irmão ou irmã, penso que a regressão é um comportamento decorrente da mudança de posição de filha/filho único, para ser o mais velho. Você acha que é fácil?

A chegada de um filho exige que uma mãe e um pai também devem nascer, sobrevivência pura. Mas a gente sabe disso, a gente gera um bebezinho por nove meses, o pai sente o bebê chutar na barriga, “atura” a grávida, ou seja, a gente se prepara para isso. Claro que nunca estamos preparados, ninguém sabe como é até receber aquele pacotinho do obstetra e levá-lo para casa, mas a gente sabe, de uma forma ou de outra, sabe. Só não conhece ainda a caixinha de surpresa que o pacotinho também é…

E o tal do filho único? Que da noite para o dia vira irmão mais velho? A tarefa dele é quase tema do “Missão Impossível”. Mudar de papéis e ter de assumi-los é das coisas mais recorrentes na vida, mas toda mudança requer adaptação e “balança as estruturas”. Eu tenho isso como um mantra, para todas as vezes em que a Manu me pediu a chupeta ou imitou o jeitinho de bebê que os irmãos falam para pedir alguma coisa…

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

deixe uma mensagem O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

mensagem enviada

  • Silvia M. Janeiro D'Auria disse:

    Nossa…até me emocionei…sou mãe de três filhos…8,4 e 1…me identifiquei!
    Ontem mesmo estive no Pronto Socorro com a minha menor, minha “mocinha”…qta preocupação…e a recompensa vem no sorriso deles, no olhar, no abraço, no quero minha mãe!!! É tudo de bom!!!

posts relacionados

INICIATIVAS DA FUNDAÇÃO JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL
Sabará Hospital Infantil
Pensi Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil
Autismo e Realidade