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Gravidez: a versão infantil
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Gravidez: a versão infantil

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10/02/2012
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As crianças têm o tempo delas para entender o que é e quanto tempo demora uma gestação

Desde que eu tive três filhos em apenas 14 meses, as piadinhas para a nossa família de coelhos rolam soltas. Ok, tô para achar alguém que consiga bater o nosso recorde e, por isso mesmo, falamos que fertilidade é o nosso sobrenome, brinco que não posso nem passar debaixo de um varal de cuecas, pois posso engravidar e etc, etc, etc.

Mas, é verdade: a gente exala fertilidade! Mais as crianças do que nós, os pais. Juntou um pai fértil e uma mãe fértil, então quando os meus filhos espirram, eles só podem liberar “vírus de fertilidade”, por que não? TODAS as professoras dos meus três filhos engravidaram. JU-RO. Faltam as professoras deste ano, mas o ano letivo acabou de começar, então ainda não deu tempo, mas até o final dos doze meses, eu volto para contar.

Ano passado, eu fiz até uma piadinha com uma funcionária da escola, dizendo para ela prestar atenção que a próxima professora a engravidar seria a dos meninos. Pouco tempo depois, soube que ela estava grávida. Além de exalar fertilidade, sou meio bruxa, o maridinho pode confirmar.

Mas eu resolvi fazer essa introdução básica para contar que a Manu curtiu muito a gravidez de todas as professoras. Ela chegava me contando as novidades, pois as educadoras deixavam os alunos participarem das “gravidezes”. Os alunos faziam perguntas, esclareciam suas dúvidas e matavam toda a curiosidade. Fundamental, não é mesmo? Daí, elas saiam de licença, mas depois mandavam fotos dos bebês recém-nascidos e minha filha curtia muito.

A primeira professora da vida do Joaquim e do Pedro também engravidou, obviamente. E deixou que os alunos “participassem” da gravidez dela. Viram a barriga crescer e ficar grandona, souberam da escolha do nome, também falei muito no assunto, expliquei que a professora iria embora para o bebê nascer e cuidar dele, mas… nada! Zero interesse. Motivação em baixa pelo assunto “professora grávida”.

Ok, a professora foi embora, o assunto meio que acabou, educadora nova e já querida, até que outro dia eles encontraram uma boneca da Manu, daquela russa que tem uma menor dentro da outra (o nome é “BABUSHKA”) e começaram a brincar.

Fiquei só olhando e percebi que eles abriam a boneca maior, tiravam uma pequena de dentro e diziam:

– Olha! O bebê da Carol nasceu! Nasceu a Juliana!

E, a partir daí, todas as bonecas da Manu passaram a se chamar Juliana, o nome escolhido pela professora Carol querida.

E eu achei lindo, babei horrores, mas tenho tido uma tendência a teorizar.

Só consigo pensar que a gravidez tem um tempo diferente para as crianças. A ficha não “cai” em 9 meses. Pra gente mesmo, ela obrigatoriamente tem que cair ao longo desse período, e muitas vezes, nem quando o bebê nasce e chora o dia inteiro faz com que a mãe entenda o que aconteceu.

Então me lembro que o tempo é sim relativo, o dos adultos e das crianças. Ele requer elaboração da simbologia que cada evento exige, o trabalho das expectativas e frustrações relacionadas ao assunto. Tudo isso merece o maior respeito e paciência do mundo. Não dá para a gente achar que um filho mais velho vai curtir a notícia da nossa gravidez assim que for recebida. Não dá para exigir que o mais velho ame o mais novo incondicionalmente no momento do nascimento.

Requer tempo, paciência, respeito e fantasia. Se nem a gente sabe direito o que esperar do nascimento de um filho, imaginem o que uma criancinha pode imaginar e fantasia com a chegada de um irmão?

Respirar, contar até 10… mil e ajudar que eles elaborem toda essa enxurrada de novidades. No tempo deles, ok?

(Os nomes da professora e do bebê foram alterados por motivos óbvios.)


Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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