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Não planejar uma família é a melhor opção!
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Não planejar uma família é a melhor opção!

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16/12/2011
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Os pais devem dosar o amor e a atenção que dão aos filhos para que eles cresçam menos ciumentos e saibam respeitar e aceitar uns aos outros

O meu marido e eu fizemos um único plano: ter filhos. Assim, no plural. Nunca quisemos pensar em quando, a diferença de idade entre um e outro, o quanto aproveitaríamos da vida e do casamento antes das crianças, nada disso. A ideia era ter bebês rápido e cedo, para que pudéssemos curti-los e aproveitá-los o quanto antes e com todo o pique e a energia que uma criança exige.

Manuela nasceu exatamente no dia em que completamos 1 ano de casados, dá para ter uma ideia da rapidez com que eu engravidei… simplesmente, deixamos acontecer e ela veio assim, de uma surpresa boa, meio que esperada, afinal, se quiséssemos, saberíamos como evitar filhos.

Manuela foi a primeira filha e primeira neta das nossas famílias. Muito paparicos e mimos, um enxoval de princesa, mas não reinou absoluta por muito tempo.

Novamente, deixamos as coisas acontecerem naturalmente, já pensando no segundinho.

Outra surpresa boa. Ou melhor, surpresas boas, teríamos o segundinho e o terceirinho, já que o primeiro ultrassom revelou uma gestação gemelar. Essas surpresinhas vieram acompanhadas de um sustão e muito medo! Além da preocupação pelos riscos da gestação de gêmeos, também pensávamos em como seria criar e educar mais 2 filhos de uma só vez, já acompanhados da pequena Manu, com apenas 6 meses.

Joaquim e Pedro nasceram fortes, lindos e saudáveis, após 37 semanas e meia na minha barriga. Manu tinha 1 ano e 2 meses. Aprendeu a andar no dia do nascimento dos irmãos. Teve febre no dia em que cheguei com eles da maternidade. Freud explica, certamente. E vocês podem ter uma vaga ideia da trabalheira que foi.

Organizar a rotina de dois recém-nascidos e de um bebê que começava a caminhar não foi nada fácil, sugou todas as nossas energias! Mas, às vezes, eu sentia que o trabalho “braçal” exigido era bem mais fácil do que lidar com os ataques de ciúmes da primogênita. Esses sim reinaram absoluto aqui em casa!

Procurei manter a rotina e os cuidados com a Manu da forma que eram e tentava fazê-la participar dos momentos de amamentação e banho dos meninos, por exemplo. Aqui, o fato de ganhar dois irmãos se mostrava concreto para ela, já que durante a gravidez não parecia compreender todo esse “fenômeno” e também não apresentou mudanças de comportamento, enquanto eu estava grávida.

Por mais que tentássemos, muitas vezes ela se mostrava brava diante de tanta atenção que os meninos exigiam de nós, tentou agredi-los algumas vezes e não me deixava entrar no quarto deles, ficava me puxando pelas pernas gritando “nããããõooo!”. Tadinha, né?

As avós foram nota mil conosco e com ela, permitindo que a baixinha reinasse absoluta em passeios e atividades durante os finais de semana, especialmente nas folgas da babá.

Também me preocupei em passar momentos só com ela. Conseguia algumas brechas na rotina e nos horário dos meninos e passeava sozinha com a Manu, fizemos isso diversas vezes e foi muito bom! Ela aproveitava bastante e se mostrava super feliz.

Manuela entrou na escola com 1 ano e 8 meses, os irmãos tinham 6 meses e considero esse fato como algo muito positivo para a sua individualidade. Ela tinha agora algo que era só seu, a escola, os amigos,a professora, a mochila, a lancheira. Tudo isso foi vivido de maneira muito tranquila, adaptação fácil e gostosa, sem problema algum.

E, com o tempo, ela foi enxergando “graça” nos irmãos. Eles passaram da fase de só dormir, comer e chorar e começaram a distribuir sorrisinhos para a irmã. Ela amou e passou a interagir cada vez mais com os meninos. Até ensaiava alguns cuidados básicos observados por meio das ações dos adultos, dar chupeta, mamadeira, limpar a boquinha.

É muito legal observar diariamente a construção da relação entre irmãos. Não acho que seja algo simplesmente “natural”, mas que requer muita dedicação, incentivo, estímulo e, acima de tudo, amor.

Atualmente, Manuela com 4 anos e meio, Joaquim e Pedro com 3, brincam juntos que é lindo e emocionante de ver! Dá uma sensação de missão cumprida. Obviamente, brigam, disputam brinquedos, atenção e se provocam, mas ter irmão é viver isso mesmo, o que é bom e traz resultados positivos para o resto da vida.

Nunca deixei de incentivar a individualidade dos meus filhos, especialmente por ter tido gêmeos univitelinos (idênticos). Então, procuro passar algum tempo sozinha com cada um deles, fazendo o que eles mais gostam. O resultado é notável.

Observo muitas famílias que optaram por ter um único filho ou que ainda estão pensando se vão partir para o segundinho e o meu conselho é de que sim, sigam em frente.

As famílias que optam por mais de um filho criam e educam crianças mais independentes, que se desenvolvem e aprendem tudo mais cedo, pelo estímulo do próprio irmão mais velho. Às vezes, o filho único não “enfrenta” o mundo como deveria, fica muito protegido e “isolado” com os pais, o que pode trazer algumas dificuldades de relacionamentos sociais, noções de regras e de como se defender por aí…

O trabalho é dobrado, no meu caso, triplicado, mas me sinto recompensada a cada dia. Uma semana, fiquei com os olhos cheios de lágrimas ao ver o meu filho Pedro falando para o pai de manhã cedo: “não vai trabalhar, Papai…”. No mesmo instante, a Manu foi até ele, deu um abraço, procurando consolá-lo: “o Papai precisa trabalhar, Pedrinho, para ganhar dinheiro e a gente poder ir passear no fim de semana!”.

Dá para entender o que é missão cumprida, então?

Originalmente postado em: http://bit.ly/udNJOY

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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  • Juliana disse:

    Acho legal quem opta por ter mais de 1 filho mas acho que cada casal deve decidir o que é melhor para eles e o quanto uma família maior implica em vários fatores não só em termos financeiros mas de qualidade de vida para ambos os dois. Tenho uma filha e ela se relaciona super bem com os amiguinhos que sempre vem aqui em casa, tem uma babá (só para ela) que brinca e cuida só dela…e mesmo assim sempre ensino ela dividir o que tem com outras crianças (todo ano levamos os brinquedos que ela não quer mais) para um abrigo de crianças (pois adoro voluntariado e tento passar estes valores para ela) enfim, vamos acabar com o estigma de que filho único é ciumento, não sabe dividir e etc…Filho único é um privilegiado, isso sim é verdade!

  • Juliana disse:

    Penso nisso todos os dias!
    Tenho um filho de 1 ano e 7 meses, quero muito ter outro, mas fico com medo de não dar conta!
    Adorei o texto!

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