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O TOC, a bagunça e a criatividade
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O TOC, a bagunça e a criatividade

O TOC, a bagunça e a criatividade

13/05/2011
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Ìóâè 43

Eu tenho mania de organização, confesso. Talvez tenha até TOC não diagnosticado, doutores, por favor, fiquem à vontade para opinar.
Adoro arrumar as gavetas, armários, documentos, pastas do computador, faço tudo feliz da vida e com bastante freqüência. (Quem estiver precisando de uma personal organizer, pode contar comigo, não cobro nada, não, é até programa pra mim!).

Imaginem, então, o que já era grave, ficou pior ainda depois do nascimento dos meus 3 anjinhos bagunceiros. É fato que criança faz muita bagunça, junta muita tralha e porcaria pela casa inteira e eu deixo. Não ligo pela bagunça, mas preciso arrumar tudo depois e tem que ser do meu jeito. Ninguém guarda e arruma como eu.

Sou a rainha e maior colecionadora daquelas maravilhosas caixas-organizadoras: tem a do Lego, dos cubos, dos brinquedos de madeira, dos acessórios das Polly´s, dos acessórios das Barbie´s, dos acessórios das bonecas, dos carrinhos, dos livros, dos fantoches, das panelinhas, enfim, tudo separado, classificado, categoriza

do e devidamente guardado.

Não, não é fácil. Sim, dá o maior trabalho. Ah, claro, também enlouqueço bastante. Só para vocês entenderem o tamanho do problema: adquiri uma hérnia de disco, que só foi curada um depois de um bom tempo com muita tarja preta, acupuntura e terapia.

E daí, como tudo na vida, a gente tem que tirar uma lição. A minha, no caso, foi entender que nenhuma criança funciona sob a lógica e a organização de um adulto, ainda mais um que sofre de TOC. Eu costumava oferecer os brinquedos separadamente: “agora vamos brincar com os cubos!”. Brinca, brinca, guarda tudo. “Agora vamos montar o Lego!”. Brinca, brinca, guarda tudo. E assim por diante, caixa por caixa, guarda uma por uma, a lombar vai sofrendo e adoecendo.

Já era relativamente tarde do ponto de vista da minha saúde física e mental, quando percebi que cubos e Legos devem ser misturados e é muito mais legal construir cidades e castelos com essas peças misturadas. Assim, como Barbie e Polly também podem brincar juntas, porque não? Qual o problema? Livro não é só para leitura, vira pista para os carrinhos, sabiam?

E então, gente, eu me libertei e permiti que a criatividade,a  imaginação e a fantasia dos meus filhos também se libertassem. A coluna agradece, as crianças se desenvolvem, dispensei o traja preta, a acupunturista e a minha terapeuta me vê com menos freqüência, juro! Resolvi contar isso, pois além de ser assunto de “utilidade pública materna” também presenciei uma cena linda dos meus filhos essa semana e fiz questão de fotografar para ilustrar esse post.

Eles juntaram as panelinhas e comidinhas, o Lego e um quebra-cabeças de encaixar as letrinhas nas respectivas figuras. Inventaram uma pescaria. Faziam as varas de pescar com o Lego, pescavam as peças do quebra-cabeças, que eram os peixes, daí cozinhavam os peixes e faziam o almoço.  Fiquei absolutamente admirada com a capacidade criativa deles! Tudo isso foi apenas observado por mim, não interferi e nem participei de nada. Fiquei quietinha, num canto, admirando, babando orgulhosa…

Experimentem a bagunça, vale a pena!

 

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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mensagem enviada

  • @vivianevivis disse:

    Adorei!
    Eu sempre deixei as crianças bagunçarem muito aqui, e depois eles ajudam a organizar. 🙂

  • Jackeline disse:

    Oieeeeeeeeeeee … olha eu sou super bagunceira…. minha mãe queria a morte comigo, pa eu sou daquelas que só se encontra no meio da bagunça, sei onde está tudo, se arruma eu me perco kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Mas olha… ainda assim a bagunça que o Davi faz me deixa nervosa, por isso estou admirada com a sua força de vontade e amor pelos pequenos, pra se libertar disso e deixa-los bagunçar e criar…

    bjussssssssssssssssssssssss

  • Flávia Rocha disse:

    Tenho Toc não diagnosticado tbm e sei bem o que é isso, ainda estou trilhando o caminho de saber lidar com isso sem prejudicar a todos em minha volta, chego lá!

  • Rita Romano disse:

    Oi Camila!

    Adorei o texto! Aqui em casa, faço a mesma coisa. Aprendi que, ao separar os brinquedos, a gente incute nos filhos noções matemáticas. Mas, a bagunça, muitas vezes, é necessária!

    Um beijo, Rita

  • Renata Senlle disse:

    Adorei! Bom saber que o TOC tem solução!
    Espero que eu consiga me desvencilhar dele quando o Bernardo crescer e começar a bagunçar!! 🙂
    bjk
    Rê Senlle

    PS: Os comentários estão ilegíveis em amarelo. Acho que tem que mudar de cor!

  • Sofia disse:

    Adorei o texto 🙂
    Eu também organizava tudo direitinho mas o Leo me ensinou, (sim os pequenos também nos ensinam não é verdade?!! ) que a bagunça faz mesmo parte de ser criança.

    🙂 bjo

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