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Os brinquedos e a agressividade (natural) infantil
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Os brinquedos e a agressividade (natural) infantil

Os brinquedos e a agressividade (natural) infantil

26/08/2011
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fonte: Jan Vonholleben

Os meus filhos andaram encantados com o filme “As Crônicas de Nárnia” e viviam “encenando” o filme por aqui. Basicamente, subiam nuns cavalinhos de pau, pegavam uma vassoura e um rodo de brinquedo da Manu, saiam correndo e gritando “por Nárnia! E por Aslan!”.

O meu sogro presenciou uma dessas cenas e resolveu comprar uma espada de brinquedo para o Joaquim e o Pedro. Rodou, rodou e rodou, demorou, mas finalmente encontrou uma espada de espuma que eles amaram, não largam de jeito nenhum e brincam muito.Daí, que surgiu a discussão: porque essa dificuldade em comprar uma espada de brinquedo? E arminhas? Revólveres? Podem notar, não tem muito por aí não.

E eu, como sempre bem chata e implicante, ponho a culpa no politicamente correto.

Uma criança brincar com uma espada ou uma arminha de brinquedo faz dela um bandido? Um delinquente em potencial? Desperta a agressividade?

O meu ponto e crítica é sobre essa tendência em geral de reprimir de toda e qualquer forma as agressividades infantis. Mas a agressividade faz parte do ser humano, desde criança, independente de espada, arma ou faca.

O bebê já expressa a agressividade através das famosas mordidas e aposto que faz isso muito antes de saber o que é uma arminha de plástico ou de brincar com uma espada. E em todas as fases da vida, haverá e deve haver expressão da agressividade, porque isso é natural e humano. O que não é natural são os excessos. Obviamente, nem preciso dar exemplos, pois vemos esse tipo de notícia diariamente.

Não me lembro de ter brincado com arminhas, espadas e afins, os meus brinquedos eram praticamente femininos (outra questão do politicamente correto!), mas xingo e buzino no trânsito e, às vezes, não dou passagem para alguém de propósito.

Isso é (até) esperado diante de uma situação de raiva, mas tem medida e cabimento. Buzinar e xingar numa situação de stress é diferente de jogar uma criança numa lata de lixo ou de matar pai e mãe. Isso é agressividade em excesso, é doença, coisa que não é combatida pela ausência de determinados brinquedos nas lojas.

É tão natural, que se não existe espada, uma criança bem mais inteligente e fantasiosa do que um fabricante de brinquedos transforma uma vassoura no seu “objeto de desejo”. Portanto, reprimir não é o segredo para combater a agressividade, principalmente, quando se trata de natureza humana. Pois, tudo o que é reprimido acaba “saindo” por algum outro lugar, entendem?

Contra os exageros, excessos e doenças, daí sim precisamos de ações mais específicas. Mas qual é o problema de uma criança querer brincar de caubói? Ou de super-heróis equipados com os mais variados tipo de armas? E quando eles pegam vários carrinhos, batem um no outro, imitando trombadas e acidentes entre eles?? Liberar a agressividade em carrinhos, pode, mas com espada, não?

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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