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Vida de mãe: sono ou culpa?
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Vida de mãe: sono ou culpa?

Vida de mãe: sono ou culpa?

22/06/2012
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“Deveria ter feito mais e não fiz”, talvez seja o principal sentimento das mamães que têm mais de um filho para cuidar

Interessante pensar nessa mudança de “vida de não-mãe” para a “vida de mãe”. Nesse mês de junho, completo 5 anos de maternidade extrauterina. São 5 anos sentindo sono. E culpa também.

Não sei se sono e culpa são itens obrigatórios na mala de maternidade, mas no meu caso, são sim. Claro que há fases, assim como as manhas, birras, dificuldades para comer, para dormir e etc, mas entra fase e sai fase, o sono e a culpa sempre permanecem, não passam nunca. Às vezes estão mais intensos, outras, mais leves, mas nunca saem de cena.

Antes da maternidade, eu via as mulheres mães cansadas, com sono, olheiras e culpadas, e achava que aquilo era um verdadeiro martírio, que elas “forçavam” aquela cena toda, porque para ser mãe, a gente mais ou menos sabe, tem que sofrer! Tem que ter muito trabalho, pouco tempo para si, para o marido e, claro, reclamar disso tudo.

Hoje, entre um bocejo e outro, vejo que não é nada disso. Eu sinto sono e culpa sim, ué! E daí? Não sei se essas duas coisas são itens obrigatórios, mas fazem parte da vida de mãe. Para algumas, mais. Para outras, menos. Em alguns momentos, com muita força. Em outros, levemente presentes.

Eu sinto culpa por sentar e montar um quebra-cabeça com a minha filha, enquanto os meus filhos estão brincando de massinha sozinhos. Mas não sinto culpa por deixá-los com as avós e ir viajar com o meu marido. Eu sinto culpa quando escolho um dos meus filhos para ser o meu “ajudante” na hora de preparar as lancheiras para mais um dia de escola. Mas não sinto culpa alguma por deixá-los com a babá e ir jantar com as minhas amigas. Eu sinto culpa por dar mais atenção e cuidados a um filho doentinho e deixar os outros “se virarem” um pouco sozinhos. Mas não identifico nenhum pingo de culpa quando tiro uma tarde só para mim enquanto eles estão na escola.

Então, percebo que a minha culpa refere-se a esse fenômeno das mães de mais de um filho que é precisar se dividir e se multiplicar o tempo todo para dar conta das demandas exigidas de três filhos. Não sei a impressão de vocês, mas me parece uma culpa um tanto específica. Não é o caso de equilibrar pratos para dar conta de casa, filhos e marido, são simplesmente os filhos, que demandam e pedem de modo diferente e exigente.

As brincadeiras (para o meu desespero, confesso), na maioria das vezes, não são apenas de “menina” e de “menino”, é mais do que isso: elas acontecem em quartos diferentes e eu sou participante obrigatório em ambos. E daí? Me divido ao meio? Providencio um clone? Ou abuso da minha capacidade de negociar e argumentar?

Acho que a vida de mãe tem uma ampla nuance de cores e vocês podem achar que eu apresentei aqui as cores mais sombrias, mas, por favor, não vejam assim, não é isso! Se existe um lado muito cor-de-rosa, ou qualquer cor que nos surpreenda e nos leve a emitir um “uau!” é o das pequenas situações do dia a dia, especialmente das não desejadas ou programadas.

Olha só que injustiça: fiquei doente! A gente sabe que mãe não deveria ficar doente, que as vacinas mais potentes contra todas as doenças do mundo deveriam fazer parte da mala que a própria mãe leva para a maternidade. Mas, não. Então, tava lá, um caco, que se arrastava, dor de garganta, de cabeça, no corpo, os olhos que mal conseguiam ficar abertos. Manuela, Joaquim e Pedro me olharam com pena, trouxeram a malinha de médico de brinquedo, cuidaram um pouquinho de mim, quiseram experimentar o meu chazinho com mel e limão e entenderam tudinho. Brincaram lindamente a manhã inteira no quarto, sem brigas, gritos ou disputas por brinquedos, tudo fluiu muito bem. Obrigada, meus filhos. Eles apresentaram uma maturidade, respeito e solidariedade comigo que eu nunca havia presenciado. Fui às lágrimas de orgulho e emoção.

São essas as coisas que só uma vida de mãe nos proporciona. E, é claro, ficar meio moribunda uma manhã inteira diante da TV, sem forças para levantar, pegar o controle remoto e mudar de canal. As crianças no quarto e eu assisti toda a programação da manhã da Discovery Kids.

Ah, e o sono? Nenhuma especificidade ou explicação para isso. Eu sinto muito sono e ponto final.

Originalmente postado em: Mãe da Cabeça aos Pés

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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mensagem enviada

  • simone margenet cunha disse:

    gostei!!! é bem por aí mesmo,sou mãe de 2 crianças, julia e miguel (8 e 5 anos) e passo muito por isso…..

  • SOLANGE XAVIER disse:

    HA 11 ANOS ATRAS, ACHEI QUE 3 FILHOS ERA O IDEAL FIZ LAQUEADURA.QUAL NÃO FOI MINHA SURPRESA ESTOU EU AQUI COM UMA BEBEZINHA DE 1 ANO E 1 MES, SEGUNDO OS MÉDICOS, AS TROMPAS SE RECONSTITUIRAM, MAS EU ACREDITO Q É UM PRESENTE DE DEUS. E EU COM 42 ANOS, 04 FILHOS, UM MARIDO QUE EM CASA NÃO PARTICIA EM ABSOLUTAMENTE NADA, SEMPRE FOI ASSIM, NEM COM RELAÇÃO A CASA, NEM COM RELAÇÃO AO ESTUDO DAS CRIANÇAS, REUNIÕES, NADA. TRABALHO COM MEU MARIDO, DAS 8 AS 19 HS E A NOITE, TEMOS DEVERES A FAZER, CASA PRA AJEITAR, COMIDA A FAZER, TENTO ME DESDOBRAR, MAS SINT CULPA SIM, SEI QUE FICO DEVENDO ATENÇÃO A ALGUM, OU ALGUNS EM ALGUM MOMENTO, ESSES DIAS MINHA FILHA RECLAMOU, MÃE VC NÃO DIZ MAIS Q ME AMA!!!!!!!!!!!!EU OS AMO DEMAIS, MAS ACHO Q FALTA TEMPO PARA AS PALAVRAS, E AS VEZES ATÉ MESMO ME ESQUEÇO Q SOU MULHER. NÃO TENHO EMPREGADA MAS CONTO COM A AJUDA DAS CRIANÇAS. ELES SÃO DEMAIS. PEÇO DESCULPAS PELAS FALTAS, E PELO MEU STRESS AS VEZES.BJ

    • Equipe Sabará disse:

      Parabéns Solange, mas a vida é realmente dura com 4 filhos, mas logo eles crescem e serão motivos de muitas alegrias, embora as preocupações não melhoram nunca.

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