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Armazenar o sangue do cordão umbilical: quando e por quê?

Armazenar o sangue do cordão umbilical: quando e por quê?

Armazenar o sangue do cordão umbilical: quando e por quê?

Em 1980, foi realizado o primeiro transplante com o uso das células obtidas do sangue de cordão umbilical e comprovou-se que ele é capaz de regenerar a produção sanguínea e, consequentemente, pode ser usado como fonte alternativa de células para o transplante de medula óssea.

Nesta época, as células de cordão umbilical começaram a ser armazenadas em uma série de bancos privados. O sangue dele era visto como um forte candidato para o uso na medicina regenerativa. Acreditava-se que vários tecidos viriam a ser regenerados com o uso do cordão umbilical.

Hoje, sabemos que apenas uma a cada 20.000 amostras de sangue de cordão armazenadas é utilizada e que ainda não existem evidências científicas de que haverá alguma utilidade para este material, além do uso para o transplante de medula.

A criança que apresentar leucemia na infância ou doenças genéticas e precisar do transplante, não usará o próprio cordão, pois a doença também estará presente no sangue deste.

Os pais que congelam o cordão em bancos privados são induzidos a acreditar que, com o armazenamento, será possível salvar a vida dos filhos no futuro. A questão é colocada no momento em que os pais estão muito vulneráveis e a eles falta a informação completa. Por isso, pagam um preço alto. Armazenar e manter o sangue de cordão custa de R$ 2.000,00 a R$ 7.000,00 e a manutenção anual custa cerca de R$ 500,00.

Hoje, vários países da Europa se posicionam proibindo os bancos privados ou coibindo as atividades deles por entenderem que o interesse comercial é mais importante ao científico nesta questão. No Brasil, não há ainda uma regulamentação específica.

É importante deixar claro que há indicação de congelar o sangue de cordão de bebês nascidos em famílias em que já existe alguém com câncer ou doenças genéticas, uma pessoa que possa precisar de transplante. Os familiares de primeiro grau podem ajudar no tratamento doando o sangue do cordão para os parentes em tratamento de leucemia, linfoma, talassêmicos ou portadores de anemia falciforme e outras doenças genéticas. Nestes casos especiais, há uma chance maior do sangue de cordão ser útil e os pais devem procurar orientação médica para verificar se é indicado ou não preservar o material para uma doação direcionada.

Não existem evidências científicas que indiquem a necessidade de congelar o cordão em outras situações.

O congelamento do sangue de cordão em bancos públicos é feito com outro enfoque, pois a ideia é ajudar a quem precisa.

 Neste caso:

Leia também: O uso de bancos públicos de cordão

Por: Dra. Carmen Vergueiro, Fundadora da Associação da Medula Óssea – AMEO.

Atualizado em 15 de maio de 2024

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