Bicicletas elétricas (e-bikes) são seguras para crianças?
Blog Saúde Infantil

Bicicletas elétricas (e-bikes) são seguras para crianças?

1

Entenda quais são as diferenças entre as bicicletas elétricas e tradicionais, a partir de que idade as crianças podem começar a andar e quais são as recomendações de segurança

 

Bons tempos aqueles em que a “molecada” da vizinhança pegava suas bicicletas e saía pelas ruas ainda vazias de São Paulo da minha infância. Eram bicicletas sem marchas, sem grandes apetrechos, talvez uma buzina ou uma luz que era acionada por um dínamo que carregava no próprio pneu. Ou ainda uma carta presa num dos aros com pregador de madeira para fazer barulho. Era pura diversão!

Andar de bicicleta pode ser uma ótima maneira para crianças e adolescentes se manterem ativos. Com a crescente popularidade das bicicletas elétricas (e-bikes), mais crianças as utilizam nas ruas, ciclovias e calçadas. Infelizmente, também estamos observando um aumento nos acidentes relacionados a e-bikes entre crianças e adolescentes.

De fato, os acidentes com bicicletas elétricas se tornaram a principal causa de lesões em crianças em idade escolar atendidas nos prontos-socorros americanos. Não vi estatística no Brasil, nem mesmo no Sabará Hospital Infantil. Algumas dessas lesões são graves e semelhantes às observadas em acidentes de motocicleta, incluindo traumatismo cranioencefálico, lesões faciais, fraturas e lesões internas no tórax ou abdômen.

Como as bicicletas elétricas são mais rápidas, pesadas e potentes do que as tradicionais, crianças e adolescentes precisam de habilidades adicionais, maturidade e treinamento de segurança antes de pilotar.

Se você está pensando em comprar uma bicicleta elétrica para seu filho, é importante entender os riscos, as recomendações de idade, os recursos de segurança e os requisitos de treinamento que podem ajudar a prevenir lesões graves. 

 

Tipos de bicicletas elétricas

As bicicletas elétricas parecem bicicletas comuns, mas possuem um motor elétrico e uma bateria recarregável que as impulsionam. 

Em alguns países, como nos Estados Unidos, elas podem ser agrupadas em três classes:

Classe 1: o motor da bicicleta só funciona quando o ciclista está pedalando e pode atingir velocidades de até 32 km/h.

Classe 2: inclui um acelerador que permite ao ciclista usar o motor da bicicleta sem pedalar ou pedalando. Pode atingir velocidades de até 32 km/h.

Classe 3: pode ou não ter acelerador, mas consegue atingir velocidades máximas de 45 km/h ou mais.

Porém, no Brasil, há definições para diferenciar a bicicleta elétrica do ciclomotor, segundo a Resolução 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em julho de 2023.

Aqui, a bicicleta elétrica é definida como um veículo cuja potência máxima deve ser de 1000 W e a velocidade não pode ultrapassar 32 km/h para circulação convencional e 42 km/h se for utilizada para uma prática esportiva – e não pode ter acelerador.

Já os ciclomotores são definidos pelo Contran como as cinquentinhas e os scooters: devem ter potência máxima de 4kW ou 50 cm³ em caso de motor a combustão e não podem passar de 50 km/h de velocidade máxima.  Além disso, há uma mudança significativa: ao contrário da e-bike, para pilotar um ciclomotor tem que ter habilitação. Nesse caso, é exigida a CNH A.

 

Segurança e idade mínima

Nem toda criança que sabe andar de bicicleta está pronta para andar de bicicleta elétrica. Se você está pensando em comprar uma para seu filho, saiba que elas funcionam e são dirigidas de maneira diferente das bicicletas comuns.

Assim como as crianças aprendem a atravessar a rua e a andar de bicicleta comum com segurança, elas também precisarão de treinamento e instruções especiais antes de andar na elétrica. Segundo relatório da Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos EUA, intitulado "Mortes, Lesões e Padrões de Riscos Relacionados a Produtos de Micromobilidade", as bicicletas elétricas foram responsáveis ​​por cerca de 155 mil atendimentos em departamentos de emergência e 300 mortes entre 2017 e 2024. Acidentes com veículos motorizados e perda de controle foram os principais riscos associados às fatalidades envolvendo bicicletas elétricas.

Esta mesma comissão recomenda que crianças de 9 a 12 anos não utilizem nenhum produto que atinja velocidade superior a 16 km/h. Isso significa que bicicletas elétricas não são recomendadas para menores de 12 anos. Se seu filho tem entre 12 e 15 anos e você considera que ele está pronto, escolha apenas uma bicicleta de Classe 1. 

No Brasil, para as e-bikes puras (com pedal assistido, sem acelerador e até 32 km/h), as regras nacionais de trânsito não estipulam uma idade mínima para seu uso. 

 

Equipamentos necessários

Apesar de não precisar de licenciamento ou habilitação, a bicicleta elétrica deve ter alguns equipamentos obrigatórios. É preciso ter campainha (buzina), retrovisor do lado esquerdo, indicador e o dispositivo limitador eletrônico de velocidade (que pode ser substituído por um aplicativo de smartphone), sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e dos pedais. Além disso, é obrigatório que os pneus estejam em condições mínimas de segurança.

Use um capacete de bicicleta que se ajuste corretamente e seja aprovado pelo Inmetro. Lembre-se de que, se seu filho andar de bicicleta elétrica, deverá usar um capacete de alta qualidade, feito para velocidades maiores do que um capacete de bicicleta comum. E lembre-se: sem capacete, sem passeio!

Todos os ciclistas, de todas as idades, com bicicletas elétricas ou não, devem seguir as regras básicas de trânsito:

  • Pedale à direita, no mesmo sentido do trânsito, utilizando as ciclovias quando disponíveis.
  • Pare e olhe para os dois lados antes de entrar na rua.
  • Pare em todos os cruzamentos, sejam eles sinalizados ou não.
  • Respeite os semáforos e as placas de pare.
  • Preste atenção ao seu entorno. Não fale ao celular, não envie mensagens de texto nem use fones de ouvido enquanto estiver pilotando.

 

Fontes:

Conselho de Lesões, Violência e Prevenção de Envenenamento da Academia Americana de Pediatria (Copyright © 2026)

Bicicleta elétrica: o que diz a lei sobre onde pode circular e quais são as regras

 

Saiba mais:

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

#bicicleta #bicicletas #capacete #segurança #acidente