
Desenvolvimento motor na infância
51 —Como já falei anteriormente, o desenvolvimento infantil, sobretudo nos primeiros 1.000 dias ou nos primeiros 3 anos, é fundamental para a vida da pessoa. Atrasos motores são comuns em crianças, mas o reconhecimento precoce pode otimizar os resultados.
No relatório clínico chamado "Atrasos motores: identificação precoce e avaliação", publicado na edição impressa de junho 2013 da revista Pediatrics, os pediatras são incentivados a avaliar crianças com suspeita de atraso motor durante as projeções de desenvolvimento recomendadas, que ocorrem aos 9, 18 e 30 meses.
Durante a triagem, deve ser observada uma variedade de habilidades motoras, incluindo as etapas importantes no crescimento infantil como rolar, engatinhar, andar e subir escadas, bem como as habilidades motoras finas como agarrar objetos, colocar blocos em uma xícara, rabiscar ou criar um desenho de boneco.
Pais e pediatras devem estar envolvidos se a criança apresentar alguma inclinação a ter problemas de desenvolvimento e é importante para os profissionais da área de saúde infantil abordarem com cuidado quaisquer preocupações com a família do pequeno. As crianças diagnosticadas com transtorno do desenvolvimento devem ser encaminhadas para a intervenção precoce ou receber recursos especiais de educação. O relatório clínico inclui um algoritmo para triagem e diagnóstico de doenças motoras.
No Brasil, infelizmente, os pediatras (que já são poucos) não podem realizar esses testes ou essas orientações, pois a puericultura não é mais um hábito. Boa parte das pessoas não possui um pediatra de referência que possa orientá-las e é importante observar a evolução das crianças nos primeiros anos. E por que não dizer até os 18 anos?
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Fonte: Motor Delays: Early Identification and Evaluation
Atualizado em 8 de maio de 2024
Dr. José Luiz Setúbal
(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.