Medicamentos na escola: o que fazer quando seu filho precisa tomar?
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Medicamentos na escola: o que fazer quando seu filho precisa tomar?

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Às vezes, a criança precisa tomar medicamentos na escola, o que exige uma coordenação com a equipe para armazenamento e administração da dose certa

 

Quando eu era pediatra em atividade no consultório, muitas vezes prescrevi medicamentos para crianças que continuavam indo para a escola ou creche - e não foram poucas vezes que entrei em contato com as escolas e com as pessoas responsáveis pela saúde escolar para dar orientações. Outro dia me deparei com um artigo interessante sobre esse assunto e resolvi escrever sobre isso para o Blog.

Estima-se que entre 25% a 40% das crianças nos EUA tomam medicamentos para tratar diferentes problemas de saúde. Nunca vi esse tipo de estatística no Brasil. Isso inclui milhões de crianças que vivem com asma, diabetes, epilepsia, TDAH e outras condições crônicas. Outros milhões podem usar medicamentos com ou sem receita por alguns dias ou semanas para controlar alergias sazonais, dores ocasionais ou um resfriado ou infecção comum.

Quando o plano de tratamento de uma criança exige que ela tome medicamentos na escola, isso significa uma coordenação cuidadosa entre o médico da criança e a equipe de saúde escolar responsável pelo armazenamento e administração dos remédios. 

Como as crianças passam muito tempo na escola, garantir que elas recebam os medicamentos necessários para se sentirem alertas, equilibradas e saudáveis ​​faz parte do sucesso acadêmico. Seguir o regime medicamentoso correto reduz a chance de faltas por doença que atrapalham o aprendizado. Também capacita as crianças a se sentirem melhor na escola e em casa, ajudando-as a se manterem organizadas, ouvirem atentamente, se relacionarem bem com os colegas e cumprirem as tarefas da sala de aula e dos deveres de casa.

Pais e familiares desempenham um papel fundamental no compartilhamento de informações médicas essenciais com a escola de seus filhos e na entrega de suprimentos, devidamente etiquetados, à equipe responsável pela administração. As escolas deveriam disponibilizar funcionários treinados que armazenam medicamentos, administram doses e monitoram as crianças quanto a reações adversas ou quaisquer outras preocupações. Infelizmente, essa não é uma realidade comum no nosso país.

 

Cada etapa do processo deve ser coordenada para garantir que:

  1. As crianças recebam a dose correta de medicamentos na hora certa.
  2. As instruções dos médicos prescritores sejam seguidas cuidadosamente pela equipe da escola.
  3. Pais e responsáveis ​​sejam mantidos informados sobre quaisquer problemas e tenham a liberdade de entrar em contato com a equipe da escola sempre que surgirem dúvidas ou preocupações.
  4. Segurança e tratamento justo funcionem para todos os alunos que tomam medicamentos na escola

 

Ter procedimentos claros e detalhados para a administração de medicamentos na escola protege as crianças de erros que podem afetar sua saúde. Queremos evitar que as crianças percam uma dose, recebam medicamento em excesso ou tomem acidentalmente remédios que seriam destinados a outro aluno. Com uma grande parcela de alunos tomando medicamentos com e sem receita todos os dias, medidas que garantam segurança e consistência são cruciais.

Em muitas escolas, as equipes de saúde são lideradas por enfermeiros que devem ter ampla formação e conhecimento sobre medicamentos, incluindo riscos e efeitos colaterais. Os enfermeiros escolares costumam atuar como os principais coordenadores entre os médicos prescritores da casa, da escola e da comunidade. Nem todas as escolas têm um enfermeiro em tempo integral. 

Mantenha os remédios em suas embalagens originais. Nunca envie medicamentos para a escola em envelopes, papel-alumínio, sacos plásticos ou frascos sem rótulo. Os rótulos devem conter:

  • O nome do medicamento
  • Etiqueta com o nome da criança
  • Dosagem a ser tomada
  • Hora em que deve ser tomado
  • Via de administração: via oral, inalador, injeção etc.
  • Nome do prescritor
  • Data da prescrição
  • Data de validade do medicamento
  • Quando a receita foi solicitada

Lembre-se de que a equipe de saúde escolar geralmente não está autorizada a decidir quando um medicamento "conforme necessário" deve ser administrado. Os prescritores devem esclarecer, por exemplo, "a cada 4 horas, conforme necessário para dor ".

À medida que as crianças crescem e amadurecem, elas naturalmente assumem mais responsabilidade por sua própria saúde. Isso pode significar que pré-adolescentes e adolescentes comecem a administrar seus próprios medicamentos na escola. Algumas crianças, como aquelas com necessidades especiais de saúde, podem não assumir essas responsabilidades. 

E quanto à maconha medicinal na escola?

A ANVISA aprovou alguns medicamentos à base de cannabis para crianças com condições que limitam a vida ou são gravemente debilitantes. Algumas crianças tomam medicamentos derivados da cannabis para prevenir convulsões, por exemplo. Medicamentos como canabidiol podem fazer parte do protocolo de medicação escolar da criança. A administração escolar de outras formas de cannabis — como para dor ou ansiedade — deve estar em conformidade com as leis e as políticas estabelecidas. Pais e médicos prescritores podem consultar a equipe de saúde escolar para saber se uma substância específica à base de cannabis pode ser administrada na escola.

No Brasil, o canabidiol (CBD) é regulamentado para uso medicinal e pode ser utilizado em diversas condições, com prescrição médica e, em alguns casos, com autorização da Anvisa. A substância foi retirada da lista de ingredientes proibidos em 2015, sendo reclassificada como medicamento.

Pediatras e médicos de família têm um importante papel a desempenhar para ajudar todas as crianças a prosperarem em ambientes escolares, incluindo aquelas que precisam tomar medicamentos na escola.

Sempre que você se sentir preocupado com medicamentos e seu filho, entre em contato com o pediatra. Ele estará ao seu lado em cada etapa do processo.

 

Fontes:

  1. Conselho de Saúde Escolar da AAP (Copyright © 2024)
  2. CFM atualiza Resolução sobre prescrição do canabidiol
  3. Canabidiol é Liberado no Brasil?

 

Saiba mais:

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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