95º Diálogos de Bioética discutem os “erros” da medicina e os desafios éticos no atendimento pediátrico
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95º Diálogos de Bioética discutem os “erros” da medicina e os desafios éticos no atendimento pediátrico

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Especialistas abordam práticas inadequadas na assistência à criança e ao adolescente, os impactos da gestão por desempenho e a importância da comunicação humanizada no cuidado.

A 95ª edição dos Diálogos de Bioética do Instituto Pensi reuniu, no dia 29 de abril, especialistas da área de saúde infantojuvenil para refletir sobre os principais dilemas éticos no atendimento a crianças e adolescentes, com base no artigo “Pecados do atendimento pediátrico: maus-tratos e vícios médicos”. 

Conduzido pelo presidente do Departamento Científico de Bioética da Sociedade Brasileira de Pediatria, Clóvis Constantino e o presidente do Núcleo de Estudos de Bioética da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Mário Roberto Hirschheimer, o encontro destacou falhas na prática clínica que podem comprometer a qualidade do cuidado e gerar formas de violência institucional.

Os “erros” da prática médica

Inspirado no clássico conceito do médico britânico Richard Asher, o encontro se iniciou revisitando os principais “pecados” da medicina, como obscuridade no uso de expressões que dificultam a compreensão do paciente, crueldade na falta de clareza na comunicação, a ausência de empatia, a falta de cuidado pela hiperespecialização e o uso de intervenções desnecessárias. 

Também foram discutidos problemas contemporâneos, como a pressa nas consultas, a valorização excessiva de novas tecnologias e a falsa sensação de certeza diagnóstica. Esses fatores, quando combinados, contribuem para práticas pouco centradas no paciente e distantes da ética do cuidado.

Gestão por desempenho e distorções na assistência

Segundo os especialistas, a pressão por metas e eficiência pode reduzir o tempo de consulta, fragilizar o vínculo com a família e negligenciar a complexidade dos casos pediátricos. Como consequência, os impactos dos modelos de gestão baseados em produtividade, aumentam os riscos de diagnósticos imprecisos, medicalização excessiva e perda do papel educativo do pediatra, caracterizando situações de maus-tratos institucionais.

Impactos para profissionais e pacientes

Além dos prejuízos à assistência, o modelo atual também afeta os profissionais de saúde, favorecendo o burnout, conflitos éticos e a desumanização do trabalho médico. O pediatra passa a atuar sob tensão entre suas convicções de cuidado e as exigências institucionais de produtividade, o que pode comprometer decisões clínicas e relações terapêuticas.

Comunicação e letramento em saúde como pilares do cuidado

A apresentação destacou a comunicação como elemento central para a segurança do paciente. A capacidade de compreender e aplicar informações médicas, entre o profissional de saúde e o paciente, foi apontada como ferramenta essencial para melhorar a adesão ao tratamento e redução de danos. Nesse contexto, cabe ao profissional adaptar a linguagem, garantir o entendimento do paciente e promover um ambiente acolhedor, especialmente diante de famílias fragilizadas.

Ética, empatia e integração do cuidado

Diante disso, prevenir práticas abusivas no atendimento pediátrico passa, necessariamente, por fortalecer a bioética, valorizar a comunicação e resgatar o caráter humanista da medicina.

Ao final, o encontro reforçou que a ética na prática pediátrica exige sempre ir além da mera competência técnica: requer tempo, escuta ativa, clareza na comunicação e sensibilidade diante das necessidades da criança ou do adolescente e de sua família. 

O desafio contemporâneo é integrar ciência, gestão e humanização em uma abordagem única, orientada pela dignidade e pelo melhor interesse do paciente.

Comunicação PENSI

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