Nova sazonalidade da bronquiolite: estudo do Pensi é destaque no Estadão
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Nova sazonalidade da bronquiolite: estudo do Pensi é destaque no Estadão

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A pesquisa do Pensi, conduzida no Sabará Hospital Infantil, mostra que, no período pós-pandemia, o vírus sincicial respiratório passou a ter também um pico na primavera

Intitulada “Clinical and epidemiological profile of infants with severe acute bronchiolitis before and after the COVID-19 pandemic”, o estudo revela que a bronquiolite mudou de calendário epidemiológico após a pandemia de covid-19.

Realizada em parceria com o Sabará Hospital Infantil e publicada no Jornal de Pediatria, a pesquisa foi tema de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Assinada pelo jornalista Gabriel Damasceno, a reportagem "Do outono à primavera: sazonalidade do vírus da bronquiolite mudou no pós-pandemia; por quê?” apresenta a publicação como um alerta para o sistema de saúde, que precisa estar preparado para o aumento de atendimentos fora da época habitual.

Foram analisados os prontuários de 2.363 crianças, de 1 a 24 meses, internadas por bronquiolite no Sabará Hospital Infantil em 2018, 2019, 2022 e 2023. Antes da pandemia, o pico do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em bebês menores de 2 anos, se concentrava no outono, do fim de março ao início de julho. No pós-pandemia, surgiu um segundo pico na primavera, entre outubro e novembro.

Para a Dra. Regina Grigolli Cesar, coordenadora médica da UTI do Sabará Hospital Infantil e uma das autoras do estudo, a nova sazonalidade torna o aumento das internações mais imprevisível e dificulta a organização prévia das unidades. Antes, nos meses de maior demanda, a UTI se preparava porque "abríamos mais leitos e aumentávamos o número de plantonistas", relata.

Sobre as causas, o nosso Diretor de Pesquisa em Ciências da Saúde e um dos autores do estudo, Dr. Gustavo Wandalsen, explica que a mudança reflete as medidas de contenção da covid-19. O isolamento social e o fechamento de creches interromperam a circulação habitual dos vírus e alteraram a exposição imunológica das crianças, o que gerou desequilíbrio na transmissão quando as atividades foram retomadas. Situações semelhantes foram observadas na Argentina, no Japão e no Canadá. A tendência é que o padrão volte ao pré-pandemia, mas as mudanças climáticas, com outros padrões de temperatura, chuva e umidade e a vacinação de gestantes podem influenciar a circulação do vírus.

O estudo também mostra que a proporção de bebês de até 6 meses internados passou de 51,7% (2018/2019) para 61,9% (2022/2023), e que a necessidade de UTI subiu de 43,4% para 60,6%. Segundo Wandalsen, isso não indica quadros mais graves: "A internação em UTI não ocorre necessariamente por conta da gravidade, mas pelo risco", explica. O tempo de internação permaneceu estável, e as complicações caíram de 39,6% para 31,8%, o que aponta para maior cautela nas condutas médicas, e não para maior gravidade clínica.

Entre os fatores associados à internação em UTI, o estudo identificou idade de até 6 meses (2,92 vezes mais chance), saturação de oxigênio igual ou inferior a 93% na admissão (2,48 vezes), infecção pelo VSR (2,18 vezes) e histórico relevante, como prematuridade, gemelaridade ou doença cardíaca (aumento de 30%).

Além disso, a reportagem também reforça a prevenção, como a vacina contra o VSR para gestantes, que protege o bebê nos primeiros meses de vida e é oferecida gratuitamente pelo SUS.

O estudo foi conduzido pelo nosso Departamento de Pesquisa em Ciências da Saúde, em parceria com o Sabará Hospital Infantil, além de contar com pesquisadores da Unifesp, da Fundação ProAR e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Comunicação PENSI

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