
Instituto Pensi lança relatório sobre práticas inovadoras de acolhimento e proteção de crianças e adolescentes no Brasil
76 —“Mapeando o Cuidado” reúne experiências de 14 organizações brasileiras e propõe caminhos para fortalecer políticas públicas de proteção integral à infância e adolescência
O Instituto Pensi, em parceria com a Associação Beneficente Santa Fé, acaba de lançar o relatório “Mapeando o cuidado: práticas inovadoras e complementares em acolhimento de crianças e adolescentes” - um estudo qualitativo que reúne análises, metodologias e recomendações estratégicas voltadas à proteção integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A publicação sistematiza experiências desenvolvidas por 14 organizações brasileiras que atuam em diferentes frentes da proteção infantojuvenil, como acolhimento institucional e familiar, prevenção da violência, fortalecimento familiar e comunitário, apoio ao pós-desacolhimento e proteção de meninas gestantes e mães em situação de vulnerabilidade.
Baseado na perspectiva da Ética do Cuidado, o relatório propõe uma reflexão sobre o cuidado como prática relacional, ética e transformadora. O acolhimento como medida protetiva ou resposta emergencial de caráter provisório, apesar de ser um momento de afastamento familiar, pode ressignificar trajetórias de vida, fortalecer vínculos, promover escuta qualificada e oferecer cuidado contínuo capazes de transformar histórias marcadas por violência, negligência e abandono.
O estudo, conduzido pelo Laboratório de Estratégia, Governança e Filantropia para Transições Sustentáveis, evidencia a gravidade da violência contra crianças e adolescentes no Brasil, especialmente da violência sexual, que ocorre majoritariamente dentro do ambiente familiar. A publicação destaca que meninas entre 10 e 14 anos estão entre as principais vítimas e chama atenção para a relação entre violência sexual, gravidez precoce e exclusão social.
O material também apresenta lacunas estruturais presentes no sistema de proteção brasileiro. Entre os principais achados estão a importância da escuta ativa de crianças e adolescentes, o fortalecimento de vínculos afetivos como ferramenta de proteção social, a continuidade do cuidado após o desligamento institucional e o investimento em suporte emocional e técnico às equipes que atuam diretamente no acolhimento.
“Mapeando o cuidado” busca fomentar a troca de experiências entre instituições, fortalecer redes de aprendizagem e incentivar a construção de políticas públicas mais integradas, humanizadas e efetivas na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Segundo o relatório, cuidar também é resistir. Em um cenário marcado por desigualdades e múltiplas formas de violência contra a infância, iniciativas baseadas em acolhimento com olhar individualizado, autonomia e corresponsabilidade tornam-se fundamentais para romper ciclos intergeracionais de vulnerabilidade.

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