Orelhas de abano em crianças: quando a cirurgia pode fazer diferença
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Orelhas de abano em crianças: quando a cirurgia pode fazer diferença

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As orelhas proeminentes — mais conhecidas como orelhas de abano — representam o procedimento de cirurgia plástica mais frequente na infância. Apesar de não afetarem a audição, podem impactar o convívio social e a autoestima.

Por que algumas crianças têm orelhas de abano?

Existem dois fatores anatômicos principais que influenciam esse formato:

1. Ausência ou apagamento da anti-hélice — a dobrinha natural na parte superior da orelha. Quando ela é pouco definida, a orelha fica mais reta e chamativa.

2. Hipertrofia da concha auricular — a parte funda da orelha pode ser maior e mais projetada, empurrando a orelha para frente. 

Essas características são congênitas, não resultam de posições ao dormir ou do uso de acessórios, e não representam doença.

Idade ideal para operar

A otoplastia é indicada, em geral, a partir dos 6 anos de idade, quando a orelha já atingiu 80 a 90% do tamanho final e a cartilagem ainda é mais maleável.

A cirurgia também pode ser realizada mais tarde, inclusive na adolescência ou vida adulta, mas quando indicada precocemente tende a ser mais tranquila e com menor impacto emocional. Além de menor risco de recidiva!

Sinais de que a criança pode estar incomodada

Nem sempre as crianças verbalizam diretamente. Os pais podem observar:

  • Evita prender o cabelo (no caso das meninas)

  • Prefere cabelos mais compridos para esconder

  • Pede para não tirar fotos

  • Sente vergonha em ambientes sociais

  • Sofre comentários na escola

  • Demonstra desejo de mudar o formato

Para muitas famílias, a decisão pela cirurgia começa a partir do incômodo da própria criança.

Como é feita a otoplastia?

A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar. Em crianças costuma ser feita sob anestesia geral, enquanto em adolescentes e adultos pode ser feita com anestesia local. A incisão fica atrás da orelha, os pontos internos remodelam a cartilagem e o resultado já é perceptível no primeiro curativo.

Não é uma cirurgia dolorosa, mas pode haver leve inchaço e desconforto inicialmente.

Recuperação e pós-operatório

O pós-operatório costuma ser tranquilo: pontos são retirados entre 10 a 15 dias, utiliza-se faixa protetora nos primeiros 30 dias e recomenda-se não deitar sobre a orelha nas primeiras 6 semanas.

A criança retorna às rotinas habituais após 3 ou 4 dias. Exercícios, esportes e brincadeiras de impacto devem aguardar um pouco mais, cerca de 4 a 8 semanas, dependendo da evolução de cada caso e o tipo de prática esportiva.

Impactos emocionais

Embora seja algo físico, o impacto costuma ser emocional. A cirurgia pode reduzir inseguranças, evitar bullying, melhorar o convívio social, favorecer a autoestima e permitir maior liberdade na escolha de penteados e estilos.

Segurança e local adequado

A otoplastia deve ser realizada por especialista em cirurgia plástica com experiência, em ambiente hospitalar e com equipe acostumada a cuidar de crianças. No Sabará Hospital Infantil, a cirurgia pode ser realizada com estrutura voltada especificamente para o público pediátrico, garantindo acolhimento e segurança.

 

Leia também: Child Life Specialist: como preparar uma criança que passará por uma cirurgia

Dra. Mônica Renesto Fontana do Amaral

Dra. Mônica Renesto Fontana do Amaral

Cirurgiã Plástica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro do corpo clínico do Sabará Hospital Infantil desde 2006. CRM-SP 109059 /RQE 30392

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