
Instituto Pensi lança relatório sobre perspectivas contemporâneas nos estudos sobre agrotóxicos
8 —Neste mês, o Instituto Pensi lançou o relatório “Perspectivas contemporâneas nos estudos sobre agrotóxicos”, de autoria do pesquisador Fábio Zuker, com apoio do Instituto Ibirapitanga. O estudo analisa como as ciências sociais vêm enfrentando os desafios de pesquisar os impactos dos agrotóxicos sobre a saúde humana, o meio ambiente e os territórios, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e fragilidades regulatórias.
Partindo da constatação de que os danos causados por agrotóxicos são, muitas vezes, difusos, cumulativos e difíceis de comprovar por métodos científicos tradicionais, o relatório propõe uma abordagem analítica inovadora. Essa abordagem articula contribuições das ciências sociais com campos como a epidemiologia, a toxicologia e as ciências da saúde, com o objetivo de ampliar as formas de tornar esses danos visíveis, reconhecíveis e politicamente acionáveis.
Incerteza, violência lenta e colonialismo químico
Na primeira parte do relatório, o autor examina os principais obstáculos que dificultam o reconhecimento dos efeitos dos agrotóxicos. Entre eles estão o problema da causalidade, que diz respeito à dificuldade de estabelecer nexos diretos entre exposição e adoecimento; a noção de violência lenta, que descreve danos que se acumulam ao longo do tempo; e o conceito de incerteza tóxica, que ajuda a compreender como a dúvida e o não saber são socialmente produzidos em contextos de contaminação ambiental.
O estudo também destaca a dimensão política e desigual da toxicidade, discutindo o que pesquisadores têm chamado de ‘colonialismo químico’. Esse conceito se refere à exportação de riscos e substâncias proibidas em países do Norte Global para territórios do Sul, onde populações indígenas, camponesas e periféricas são desproporcionalmente afetadas.
Caminhos para o enfrentamento e para políticas públicas
Na segunda parte, o relatório se volta para o enfrentamento do problema. O autor apresenta contribuições das ciências sociais para a formulação de novas práticas regulatórias e políticas públicas, defendendo a adoção de um paradigma baseado na precaução e na consideração das condições reais de uso dos agrotóxicos.
Entre os temas abordados estão a necessidade de rever o modelo regulatório centrado na ideia de risco aceitável, a urgência de discutir a pulverização aérea de agrotóxicos e a importância de integrar os saberes e experiências das comunidades diretamente afetadas nos processos de produção de conhecimento e tomada de decisão.
Pesquisa, debate público e compromisso institucional
Ao reunir referências internacionais e experiências brasileiras, o relatório busca fomentar o debate público, subsidiar pesquisadores, gestores e organizações da sociedade civil e contribuir para a construção de políticas mais justas e eficazes no enfrentamento dos impactos dos agrotóxicos.
“Perspectivas contemporâneas nos estudos sobre agrotóxicos” é uma produção do Laboratório de Antropologia da Saúde e Engajamento Comunitário do Departamento de Pesquisa em Ciências Sociais e Filantropia. Para 2026, o Lab - liderado pela pesquisadora Ana Elisa de Figueiredo Bersani - já prepara outros estudos nessa temática, com enfoque em saúde infantil.
O relatório completo está disponível para download AQUI!
