A importância do Ômega-3 DHA no desenvolvimento da criança - Quais são as novas recomendações?
Nutrição

A importância do Ômega-3 DHA no desenvolvimento da criança - Quais são as novas recomendações?

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O DHA (ácido docosahexaenoico) é um dos ômegas 3 amplamente estudados, devido a sua importância no desenvolvimento neurológico e visual (retina) e, atualmente, cada vez mais relacionado também à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, por atuar como um antioxidante (ação anti-inflamatória). Sabe-se que 15% do cérebro do bebê é composto de DHA e que, até os 3 anos de idade, ocorre a formação de quase 70% do cérebro da criança. A ingestão desse ômega-3 é fundamental em todas as fases da vida, mas considerando todas as informações acima, sua maior atenção se dá em fases precoces: gestação, lactância (fase que compreende os 2 primeiros anos de vida) e infância (dos 2 aos 6 anos). O DHA é conhecido por ser um ácido graxo semi essencial, não é produzido pelo organismo em quantidade suficiente, portanto, precisa ser adquirido através da alimentação para que atinja a sua necessidade completa. Mas quais são os alimentos fontes de DHA? As principais fontes de DHA são os peixes de águas frias e marinhas, como atum, sardinha, salmão e arenque, além das algas marinhas e linhaça. Recomenda-se o consumo de três porções (de aproximadamente 65 a 80 gramas cada) por semana para que se obtenha uma quantidade boa de ômega-3. Durante a gestação, a mãe passa DHA - assim como todos os demais nutrientes - para o bebê. Depois, o bebê (até 6 meses) irá adquiri-lo por meio do aleitamento materno exclusivo ou da ingestão de fórmula infantil adequada para a idade. A partir da introdução alimentar, é recomendado que o bebê tenha a oferta de alimentos fontes (peixes de águas frias e marinhas), de duas a três vezes na semana, e que se mantenha em aleitamento materno e/ou, quando necessário, receba a fórmula infantil adequada para a idade, contendo o ômega-3. Pensando em toda sua importância no desenvolvimento da criança, em setembro de 2022 a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) atualizou seu consenso de recomendação de DHA durante a gravidez, lactação e infância. De forma resumida, o consenso traz as seguintes informações e recomendações:
  • A oferta de DHA para o bebê durante a gestação é dependente da ingestão de ômega-3 pela gestante por via alimentar e suplementar (realizada pelo médico ou nutricionista);
  • Para a mãe que amamenta, a concentração de DHA no leite materno é dependente do consumo de alimentos fontes e da suplementação materna;
  • A recomendação de DHA durante a gestação e lactação é de 200mg e pode ser realizada como suplementação a ser prescrita pelo médico ou pelo nutricionista;
  • Para bebês e crianças de mães que não ingerem quantidade suficiente de DHA, ou bebês que não tenham acesso ou não ingerem quantidade adequada de fórmula infantil com DHA, a recomendação é de:

Para bebês de 6-24 meses 10-12mg/kg/dia.

Para crianças de 2 a 4 anos: 100-150mg/dia.

Para crianças de 4 a 6 anos: 150-200mg/dia.

Vale considerar que é essencial a avaliação médica e nutricional para uma prescrição individualizada. Consulte seu nutricionista. Leia também:  
Atualizado em 9 de abril de 2025
Raquel Ricci

Raquel Ricci

Nutricionista e pesquisadora do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto PENSI. Possui especialização em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal de São Paulo e formação em Pesquisa Clínica (Invitare).

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