COP 30 e a saúde das crianças
Comportamento

COP 30 e a saúde das crianças

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Impossível estar no Brasil e não pensar na COP 30 por esses dias. Vi e ouvi muitas coisas, mas muito pouco sobre as crianças e menos ainda sobre a saúde delas e as mudanças climáticas. Aqui vão algumas reflexões de organizações sociais que lidam com crianças e que estão em Belém discutindo e defendendo as crianças, como a Fundação José Luiz Setúbal, o Unicef, o Alana, entre outros.

Crianças e adolescentes são os mais impactados e afetados pelas mudanças climáticas, apesar de não contribuírem quase nada para a questão. Nós, como Fundação, estamos muito preocupados com isso, do ponto de vista de uma organização com a bandeira de cuidar, pensar e defender a saúde das crianças e adolescentes. Em todo o mundo, 1 bilhão de crianças estão expostas a algum tipo de risco ambiental, e 40 milhões de meninas e meninos brasileiros já tem mais de um risco climático ou ambiental, aponta o relatório do Unicef sobre os impactos da crise climática na garantia de direitos das futuras gerações.

Nisso as desigualdades brasileiras também se refletem, as crianças não são um grupo homogêneo. Existe o grupo como um todo, mas quando buscamos analisar os recortes mais afetados, vemos as questões étnicas e raciais, como crianças e adolescentes indígenas, quilombolas, afrodescendentes, e diferentes grupos em situação de pobreza multidimensional com algum tipo de privação, seja de água, saneamento, educação ou proteção social. Os mesmos de sempre.

No caso de eventos climáticos extremos, como o tornado do Paraná, as enchentes no Rio Grande do Sul ou a seca na Amazônia, crianças e adolescentes são os mais afetados. Ficam fora da escola e interrupções na formação escolar comprometem todo o futuro de uma pessoa. Infelizmente, se os pais morrem, são separados da família e ficam em uma situação muito vulnerável à exploração de diferentes tipos. Também tendem a ficar sem acesso a postos de saúde, o que os deixa mais suscetíveis a doenças. Essas questões podem ter impactos de longo prazo, não é só no presente. São interrupções grandes na vida de uma criança e com impactos traumáticos.

Isso alimenta um ciclo também vicioso de pobreza multidimensional, deixando sempre as mesmas crianças fora do jogo e das oportunidades de avançar como cidadãos produtivos e saudáveis na sociedade.

Repetindo o chamamento do Alana: Por que criança?

 

“Por que a floresta está cansada?

Por que o mar está bravo?

Por que o calor não para de aumentar?

Por que o ar está tão difícil de respirar?

As crianças perguntam “por quê?” o tempo todo. E, para essas perguntas, raramente encontramos respostas, mesmo sabendo que algo está errado. São as crianças que menos têm responsabilidade pela crise climática e, ainda assim, as que mais sofrem com ela.

Sem medo de questionar e de imaginar um mundo diferente, da curiosidade das crianças nascem líderes, ideias e possibilidades de mudança. Colaborativas por natureza, as crianças são parte da solução e têm direito de fazer parte das decisões.”

 

Esperamos que as autoridades e as pessoas que compareceram à COP 30, em Belém, tenham pensado nas crianças e nos jovens, afinal eles que viverão no planeta que deixaremos.

 

Fontes:

 

Saiba mais sobre esse assunto:

 

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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