
Coqueluche: como reconhecer a doença?
24 —A coqueluche — também chamada de tosse comprida — é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis.
Recentemente, o Brasil ultrapassou 2 mil casos confirmados em 2025, o que acende um alerta para pais e profissionais de saúde devido à sua gravidade, especialmente em crianças pequenas.
O que é a coqueluche?
A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, transmitida principalmente por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar. Após entrar no organismo, a bactéria se fixa nas vias respiratórias e libera toxinas que provocam inflamação intensa e crises de tosse persistente.
Quais são os sintomas da coqueluche?
A doença costuma evoluir em fases, o que pode dificultar o diagnóstico no início:
Fase inicial (semelhante a um resfriado)
- Coriza
- Espirros
- Febre baixa ou ausente
- Tosse leve e seca
Nessa fase, a coqueluche é muito contagiosa, mas ainda pouco reconhecida.
Fase da tosse intensa
Após cerca de 1 a 2 semanas, surgem os sintomas mais característicos:
- Crises de tosse repetidas e intensas
- Tosse que pode terminar em vômitos
- Som agudo ao inspirar após a tosse (o “guincho”)
- Cansaço extremo após as crises
- Em bebês pequenos: pausas respiratórias (apneia), cianose (lábios arroxeados) e dificuldade para mamar
Em bebês menores de 6 meses, a tosse pode nem ser tão evidente — muitas vezes o primeiro sinal é a parada respiratória.
Por que a coqueluche é mais perigosa em bebês?
Bebês, especialmente os menores de 1 ano, têm maior risco de:
- Pneumonia
- Convulsões
- Internação em UTI
- Óbito
Estudos mostram que a maioria das formas graves e das mortes ocorrem nessa faixa etária, principalmente em crianças com vacinação incompleta.
Adolescentes e adultos também podem ter coqueluche?
Sim. A imunidade da vacina diminui com o tempo, o que explica o aumento de casos em adolescentes e adultos nos últimos anos. Nesses grupos, a doença pode se manifestar apenas como:
- Tosse seca prolongada (mais de 2 semanas)
- Tosse noturna persistente
- Pouca ou nenhuma febre
Mesmo com sintomas leves, adultos podem transmitir a bactéria para bebês, tornando-se uma fonte silenciosa de infecção dentro de casa.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é baseado em:
- Avaliação clínica da tosse característica
- Histórico de contato com casos suspeitos
- Exames laboratoriais, principalmente PCR para Bordetella pertussis
Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de reduzir a transmissão e as complicações.
Como é o tratamento?
O tratamento da coqueluche é feito com antibióticos específicos, que:
- Reduzem a transmissão da bactéria
- São mais eficazes quando iniciados precocemente
Em bebês pequenos ou casos graves, pode ser necessária internação para suporte respiratório e hidratação.
Mesmo com tratamento, a tosse pode durar semanas, pois o dano nas vias respiratórias leva tempo para cicatrizar.
A vacinação é a principal forma de prevenção
A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. No Brasil, a proteção ocorre por meio de:
- Vacina pentavalente (aos 2, 4 e 6 meses)
- Reforços na infância
- Vacina dTpa na gestação, fundamental para proteger o bebê nos primeiros meses de vida
- Reforços em adolescentes e adultos, especialmente quem convive com bebês
Apesar disso, a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal, o que contribui para o ressurgimento da doença.
Quando procurar atendimento médico imediatamente?
Procure assistência médica urgente se a criança apresentar:
- Crises de tosse intensa ou frequente
- Tosse com vômitos
- Pausas respiratórias
- Dificuldade para respirar ou mamar
- Lábios arroxeados
- Sonolência excessiva ou prostração
A coqueluche não é uma doença do passado. O aumento recente de casos no Brasil reforça a importância de:
- Manter a vacinação em dia
- Reconhecer sinais de alerta
- Buscar atendimento precoce
Proteger as crianças começa com informação e prevenção.
Leia também:
- Coqueluche: proteja seus filhos com a vacinação
- A vacinação contra gripe e coqueluche durante a gravidez
- A vacinação materna é altamente eficaz na proteção de bebês contra coqueluche
Fontes:
1. Estadão. Coqueluche: Brasil passa de 2 mil casos em meio a alerta nas Américas; entenda

Dra. Fabiana Nunes
Dra. Fabiana A. Nunes Oliveira - (CRM 172.173) Médica, Alergista e Imunologista. Mestre em Ciências pela UNIFESP. Membro do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Pesquisadora do Instituto PENSI.