Coqueluche: como reconhecer a doença?
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Coqueluche: como reconhecer a doença?

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A coqueluche — também chamada de tosse comprida — é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis.

Recentemente, o Brasil ultrapassou 2 mil casos confirmados em 2025, o que acende um alerta para pais e profissionais de saúde devido à sua gravidade, especialmente em crianças pequenas.

 

O que é a coqueluche?

A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, transmitida principalmente por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar. Após entrar no organismo, a bactéria se fixa nas vias respiratórias e libera toxinas que provocam inflamação intensa e crises de tosse persistente.

 

Quais são os sintomas da coqueluche?

A doença costuma evoluir em fases, o que pode dificultar o diagnóstico no início:

Fase inicial (semelhante a um resfriado)

  • Coriza
  • Espirros
  • Febre baixa ou ausente
  • Tosse leve e seca

Nessa fase, a coqueluche é muito contagiosa, mas ainda pouco reconhecida.

 

Fase da tosse intensa

Após cerca de 1 a 2 semanas, surgem os sintomas mais característicos:

  • Crises de tosse repetidas e intensas
  • Tosse que pode terminar em vômitos
  • Som agudo ao inspirar após a tosse (o “guincho”)
  • Cansaço extremo após as crises
  • Em bebês pequenos: pausas respiratórias (apneia), cianose (lábios arroxeados) e dificuldade para mamar

Em bebês menores de 6 meses, a tosse pode nem ser tão evidente — muitas vezes o primeiro sinal é a parada respiratória.

 

Por que a coqueluche é mais perigosa em bebês?

Bebês, especialmente os menores de 1 ano, têm maior risco de:

  • Pneumonia
  • Convulsões
  • Internação em UTI
  • Óbito

Estudos mostram que a maioria das formas graves e das mortes ocorrem nessa faixa etária, principalmente em crianças com vacinação incompleta.

 

Adolescentes e adultos também podem ter coqueluche?

Sim. A imunidade da vacina diminui com o tempo, o que explica o aumento de casos em adolescentes e adultos nos últimos anos. Nesses grupos, a doença pode se manifestar apenas como:

  • Tosse seca prolongada (mais de 2 semanas)
  • Tosse noturna persistente
  • Pouca ou nenhuma febre

Mesmo com sintomas leves, adultos podem transmitir a bactéria para bebês, tornando-se uma fonte silenciosa de infecção dentro de casa.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado em:

  • Avaliação clínica da tosse característica
  • Histórico de contato com casos suspeitos
  • Exames laboratoriais, principalmente PCR para Bordetella pertussis

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de reduzir a transmissão e as complicações.

 

Como é o tratamento?

O tratamento da coqueluche é feito com antibióticos específicos, que:

  • Reduzem a transmissão da bactéria
  • São mais eficazes quando iniciados precocemente

Em bebês pequenos ou casos graves, pode ser necessária internação para suporte respiratório e hidratação.

Mesmo com tratamento, a tosse pode durar semanas, pois o dano nas vias respiratórias leva tempo para cicatrizar.

 

A vacinação é a principal forma de prevenção

A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. No Brasil, a proteção ocorre por meio de:

  • Vacina pentavalente (aos 2, 4 e 6 meses)
  • Reforços na infância
  • Vacina dTpa na gestação, fundamental para proteger o bebê nos primeiros meses de vida
  • Reforços em adolescentes e adultos, especialmente quem convive com bebês

Apesar disso, a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal, o que contribui para o ressurgimento da doença.

 

Quando procurar atendimento médico imediatamente?

Procure assistência médica urgente se a criança apresentar:

  • Crises de tosse intensa ou frequente
  • Tosse com vômitos
  • Pausas respiratórias
  • Dificuldade para respirar ou mamar
  • Lábios arroxeados
  • Sonolência excessiva ou prostração

 

A coqueluche não é uma doença do passado. O aumento recente de casos no Brasil reforça a importância de:

  • Manter a vacinação em dia
  • Reconhecer sinais de alerta
  • Buscar atendimento precoce

Proteger as crianças começa com informação e prevenção.

 

Leia também:

 

Fontes:

1. Estadão. Coqueluche: Brasil passa de 2 mil casos em meio a alerta nas Américas; entenda

2. Sansone NMS, Boschiero MN, Marson FAL. The 2024 resurgence of Bordetella pertussis in Brazil and a decade-long epidemiological overview. Front Public Health. 2025;13:1549735.

3. Guimarães LM, Carneiro EL, Carvalho-Costa FA. Increasing incidence of pertussis in Brazil: a retrospective study using surveillance data. BMC Infect Dis. 2015;15:442. Published 2015 Oct 23. doi:10.1186/s12879-015-1222-3

Dra. Fabiana Nunes

Dra. Fabiana Nunes

Dra. Fabiana A. Nunes Oliveira - (CRM 172.173) Médica, Alergista e Imunologista. Mestre em Ciências pela UNIFESP. Membro do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Pesquisadora do Instituto PENSI.

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