Dor de garganta na infância: quando se preocupar?
Blog Saúde Infantil

Dor de garganta na infância: quando se preocupar?

0

A dor de garganta pode ser causada por vírus ou bactérias, com sintomas e tratamentos diferentes para cada caso

 

"Dor de garganta" - sintoma comum das amigdalites - é uma queixa frequente nos consultórios e pronto atendimentos pediátricos. Está comumente acompanhada de um resfriado ou gripe.

Uma dúvida comum dos pais é sobre a necessidade de antibiótico e, na maioria das vezes, a resposta é: não! Entender os principais motivos ajuda a evitar seu uso desnecessário e possíveis malefícios à saúde da criança.

 

Quais as causas mais comuns da dor de garganta?

Os vírus são responsáveis pela maioria das amigdalites na infância, correspondendo a cerca de 70% a 95% dos casos. Dentre eles, temos o rinovírus, adenovírus, influenza, parainfluenza, vírus sincicial respiratório e coronavírus.

Em crianças maiores e adolescentes, o Epstein-Barr vírus, causador da mononucleose infecciosa, precisa ser lembrado e se manifesta com febre, amigdalite muitas vezes com secreção purulenta, aumento dos gânglios do pescoço, dentre outros.

Em menor proporção, a amigdalite é causada por bactéria, em especial o Streptococcus pyogenes, responsável por aproximadamente 15% a 30% dos casos entre 5 e 15 anos de idade. Em menores de 3 anos de idade, essa bactéria é incomum.

Assim, a idade da criança é uma pista importante, já que lactentes têm probabilidade muito maior de ter uma infecção viral.

 

Sinais e sintomas que sugerem infecção viral

A amigdalite viral é comumente acompanhada de resfriado ou gripe e pode estar associada a:

  • Coriza;

  • Tosse;

  • Espirros;

  • Rouquidão;

  • Conjuntivite;

  • Diarreia;

  • Aftas ou vesículas na boca.

O quadro é autolimitado, ou seja, melhora progressivamente em alguns dias sem medicações específicas.

 

Sinais e sintomas que sugerem infecção bacteriana

  • Febre alta e persistente de início súbito;

  • Dor de garganta intensa com dificuldade para engolir e recusa da alimentação;

  • Náuseas e vômitos;

  • Ausência de tosse, espirros e coriza;

Mesmo assim, essas manifestações podem estar presentes na mononucleose, por exemplo, e não é possível ter certeza apenas pelo exame físico. Em casos com alta suspeita, ela deve ser confirmada com teste diagnóstico.

 

Como confirmar se a amigdalite é viral ou bacteriana?

Além da avaliação clínica realizada pelo pediatra, um método bastante utilizado é o teste rápido para estreptococo, feito com um swab na garganta. Ele fornece resultado rápido e possui alta especificidade, ou seja, sendo positivo, a chance de realmente ser infecção estreptocócica é alta.

Quando o teste rápido é negativo em crianças maiores, com grande suspeita de causa bacteriana, é recomendada a cultura de orofaringe para confirmação.

Já para crianças com sinais claros de resfriado, como tosse e coriza, e para menores de 3 anos, não há indicação para teste diagnóstico pela provável causa viral.

 

Quando tratar com antibiótico?

O tratamento das amigdalites virais é para alívio dos sintomas, com uso de analgésicos e antitérmicos recomendados pelo pediatra, além de atenção para a hidratação.

Antibióticos não ajudam nem tratam infecções virais, podendo causar efeitos indesejáveis, além de contribuir para selecionar bactérias resistentes.

Na detecção da bactéria streptococcus, é indicado o uso do antibiótico, que contribui para reduzir a duração dos sintomas, diminuir a transmissão para outras pessoas e prevenir complicações como febre reumática.

 

Alguns sinais de alerta para os pais

As seguintes manifestações podem exigir avaliação precoce por sinalizar alguma complicação ou mesmo outras doenças:

  • Dificuldade para respirar;

  • Incapacidade de engolir saliva;

  • Rigidez no pescoço;

  • Desidratação;

  • Sonolência excessiva ou piora importante do estado geral.

 

Independente da causa, a avaliação e o seguimento pediátrico são importantes para promover o melhor tratamento e evitar intervenções desnecessárias.

Dra. Michelli Rodrigues

Dra. Michelli Rodrigues

Pediatra e Infectologista Pediátrica, com mestrado pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira/ Fiocruz. É médica assistente do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto PENSI. Sem conflitos de interesse.

#dor de garganta #amigdalite #bactéria #antibioticos #saúde da criança