Endometriose na adolescência: também pode ocorrer
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Endometriose na adolescência: também pode ocorrer

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A endometriose é uma condição que geralmente não relacionamos com crianças, mas na verdade ela pode aparecer na adolescência e passar despercebida, pois muitos médicos não vão pensar nesse diagnóstico. As meninas costumam consultar cinco ou mais médicos antes do diagnóstico, com um atraso médio de 4 a 10 anos, com afastamento da escola, do trabalho e, muitas vezes, acarretando problemas familiares.

A endometriose pode afetar meninas na adolescência, com sintomas que podem incluir cólicas menstruais intensas, dor pélvica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias. É importante estar atento a esses sinais e buscar avaliação médica para um diagnóstico e tratamento adequados.

A endometriose pode ter um componente genético, o que significa que há uma predisposição hereditária para a doença. Mulheres com histórico familiar de endometriose, especialmente parentes de primeiro grau como mães ou irmãs, têm um risco aumentado de desenvolver a condição. No entanto, a endometriose não é considerada uma doença puramente genética, pois fatores ambientais e hormonais também desempenham um papel importante.

Não se sabe ao certo a prevalência de endometriose entre adolescentes, mas no país estima-se que 7 milhões tenham a doença, que atinge uma em cada dez mulheres no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Mesmo assim, o diagnóstico normalmente leva anos para acontecer. Em muitos casos, a dor relatada pelas pacientes é subestimada até mesmo pelos médicos, e elas acabam ouvindo que o desconforto é um sintoma normal da menstruação.

Cinco sintomas mais comuns da endometriose na adolescência:

  1. Cólicas menstruais intensas (dismenorreia): dor abdominal forte que pode ser incapacitante, persistindo por vários dias durante o ciclo menstrual.

  2. Dor pélvica: dor na região da pelve, que pode ser constante ou aparecer em determinados momentos.

  3. Dor durante as relações sexuais (dispareunia): dor na região pélvica durante ou após a relação sexual.

  4. Alterações intestinais: dor para evacuar (disquezia), diarreia, constipação ou sangramento nas fezes.

  5. Alterações urinárias: dor ao urinar (disúria), aumento da frequência urinária ou sangue na urina.

Outros sintomas são muito generalizados, como náuseas, vômitos, perda de apetite, dores nas costas, dores de cabeça e fadiga.

A endometriose na adolescência pode afetar a qualidade de vida da menina, interferindo em suas atividades diárias, como desempenho escolar, sono e participação em atividades físicas. A investigação precoce e o tratamento adequado são importantes para evitar complicações a longo prazo, como dor pélvica crônica, infertilidade e aderências.

Se a adolescente apresentar cólicas menstruais intensas que não melhoram com analgésicos comuns, dor pélvica persistente ou outros sintomas mencionados, é fundamental procurar um ginecologista ou especialista em endometriose para investigação.

O diagnóstico da endometriose pode incluir exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética, além de avaliação clínica e história da paciente.

O tratamento da endometriose pode envolver medicamentos para aliviar a dor e controlar a inflamação ou, em alguns casos, cirurgia para remover os implantes de tecido endometrial.

Fonte:

KidsHealth For Teens: Endometriosis

Saiba mais:

Vídeos:

Vamos falar de menstruação: https://www.youtube.com/playlist?list=PLdctaWFAO0WO9aMpKLiYscwlOUSDILzTg

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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