Epilepsia infantil: como identificar e cuidar
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Epilepsia infantil: como identificar e cuidar

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A epilepsia na infância gera muitas dúvidas e insegurança na família e na própria criança. Buscar informação e cuidado especializado é fundamental

A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais comuns na pediatria. Estima-se que 1 em cada 150 crianças receba o diagnóstico até os 10 anos. Esta incidência é mais do que o dobro da incidência na população adulta porque, muitas vezes, a epilepsia infantil pode desaparecer com o desenvolvimento, visto que algumas dessas formas são idade-dependentes.

Sabemos que o diagnóstico pode assustar. Mas, com informação correta e acompanhamento especializado, a maioria das crianças pode levar uma vida plena, estudar, brincar e se desenvolver como qualquer outra.

O que é a epilepsia?

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por uma predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas recorrentes.

É fundamental diferenciar a epilepsia da infância  de uma convulsão provocada. Uma criança pode ter uma única convulsão na vida — causada por febre alta (crise febril), por exemplo — sem que isso signifique que ela tenha epilepsia. 

O diagnóstico da epilepsia infantil geralmente ocorre quando a criança apresenta duas ou mais crises sem uma causa imediata (como a febre). Mas vale um ponto de atenção: a nova definição médica estabelece que basta uma única crise combinada a exames que apontem uma probabilidade maior que 60% de novos episódios para que o diagnóstico seja feito. Ou seja, não precisamos esperar uma segunda crise para começar a cuidar.

Causas da epilepsia infantil

  • Fatores genéticos: alterações no DNA que influenciam a atividade elétrica cerebral.
  • Malformações cerebrais: alterações na formação do cérebro durante a gestação.
  • Lesões adquiridas: sequelas de falta de oxigenação no parto, traumas cranianos ou infecções, como meningites e meningoencefalites.
  • Causas desconhecidas: em muitos casos, mesmo com exames avançados, a causa exata não é identificada.

Primeiros sinais e quando buscar ajuda

Nem toda crise é "convulsiva" e apresenta abalos musculares. Fique atento a:

  • Crises de ausência: onde a criança parece "desligar" por alguns segundos, ficando com o olhar fixo.
  • Espasmos ou abalos repentinos: movimentos bruscos de braços ou pernas. Muitas vezes ocorrem ao despertar, especialmente na adolescência, como se fosse um susto.
  • Alterações sensoriais: percepção de cheiros, sons ou sensações estranhas sem explicação.
  • Sono inexplicável e sem motivo aparente, especialmente após alterações súbitas de comportamento.
  • Dificuldade para falar, adquirida, especialmente durante o sono ou logo após o despertar.

Se você notar episódios repetitivos ou comportamentos atípicos súbitos, procure um neurologista pediátrico da infância e adolescência para avaliação clínica cuidadosa  e  eventual realização de exames, como o eletroencefalograma (EEG) e de imagem.

Tipos de epilepsia e tratamentos

Existem diversos tipos de síndromes epilépticas. Algumas são benignas e desaparecem com a idade; outras exigem cuidado prolongado.

Em alguns casos, é necessária ampliação da investigação com realização de testes genéticos, que podem indicar melhores opções terapêuticas, como será o curso da doença e eventualmente o risco de recorrência naquela família. 

O tratamento principal é feito com medicamentos antiepilépticos, que buscam controlar as descargas elétricas e prevenir novas crises. Em algumas situações, o sono adequado pode ajudar a prevenir crises. 

Cerca de 70% das crianças conseguem controlar totalmente as crises apenas com o uso correto da medicação. Aproximadamente 20% a 30% dos casos ainda podem ter crises, mesmo medicados adequadamente, e 5% são considerados "refratários" (quando os medicamentos comuns nas doses adequadas não controlam as crises sozinhos), exigindo terapias não medicamentosas, como a dieta cetogênica ou cirurgia.

O que fazer durante uma crise de epilepsia infantil?

Manter a calma é o primeiro passo. Se a criança apresentar abalos motores:

  1. Deite-a de lado para que ela possa respirar melhor e não engasgue com a saliva, e para evitar aspiração de secreções ou vômito.
  2. Proteja a cabeça com algo macio.
  3. Nunca coloque nada na boca dela, nem tente segurar a língua.
  4. Cronometre a duração. Se a crise durar mais de 5 minutos, procure uma emergência.
  5. Veja se a movimentação ocorre de um lado apenas ou em ambos os lados do corpo, tente perceber se a criança percebe o que ocorre ao redor e tenta responder de alguma forma, ainda que sem conseguir falar. 

Uma dica é anotar as informações sobre a crise ou filmá-la - isso ajudará o médico no diagnóstico. Com o tratamento adequado, na maioria dos casos é possível levar uma vida bem próximo ao normal e sem crises. 

Dr. Carlos Augusto Takeuchi

Dr. Carlos Augusto Takeuchi

Neurologista pediátrico e assessor científico do Instituto PENSI e chefe da Neuropediatria do Sabará Hospital Infantil. É graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residências em Pediatria e Neurologia, ambas pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

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