
Futebol e as crianças
0 —A prática de futebol traz grandes benefícios às crianças, mas é preciso encontrar o equilíbrio entre a diversão e o cuidado com a saúde
Chegou a Copa do Mundo de Futebol, só se fala disso. As crianças estão superanimadas na esperança de um hexacampeonato ou pelo menos de preencher seu álbum de figurinhas. As discussões de quem foi o melhor time da história, o melhor jogador... Enfim, tudo é motivo para se falar de futebol.
Vou aproveitar essa onda e falar do futebol também, mas sob o aspecto da Saúde das Crianças. Afinal, jogar futebol é um bom esporte para meninos e meninas? Tem algum risco?
O futebol na infância traz grandes benefícios para o corpo, a mente e o convívio social, mas também, como tudo na vida, apresenta riscos físicos e psicológicos quando praticado sem a orientação e os limites adequados. O equilíbrio entre a diversão lúdica e o cuidado com a saúde garante uma formação saudável.
Entre os principais benefícios da prática regular do esporte, podemos dizer que ela contribui diretamente para o bem-estar e o crescimento saudável das crianças e adolescentes, principalmente nesses aspectos:
- Desenvolvimento motor global: estimula a coordenação, equilíbrio, força muscular e agilidade corporal.
- Saúde física e combate ao sedentarismo: fortalece ossos, melhora o sistema cardiovascular e combate a obesidade infantil.
- Socialização e cooperação: ensina a trabalhar em equipe, dividir tarefas e criar laços de amizade.
- Inteligência emocional: desenvolve resiliência, autogestão e ensina a lidar com vitórias e derrotas.
- Foco e cognição: estimula o raciocínio rápido, tomada de decisões e a concentração espacial.
Já entre os principais riscos podemos citar que os perigos estão associados principalmente ao esforço excessivo e à pressão psicológica inadequada para a idade, principalmente:
- Lesões por sobrecarga: dores nas canelas, tendinites nos joelhos e tornozelos causadas por esforço repetitivo.
- Riscos físicos imediatos: entorses, contusões e fraturas devido ao contato físico e quedas.
- Desidratação e estresse térmico: riscos ampliados em dias quentes se não houver pausas frequentes.
- Esgotamento e estresse mental: cobrança excessiva por desempenho vinda de pais ou treinadores.
- Especialização e profissionalização precoce: afastamento do convívio familiar regular e prejuízos ao ensino formal.
Para mitigar os riscos listados pelos especialistas do Sabará Hospital Infantil, orientamos os seguintes cuidados essenciais:
- Fazer avaliação médica prévia: realizar exames clínicos antes do início das atividades físicas regulares.
- Utilizar equipamentos adequados: garantir o uso essencial de caneleiras e chuteiras apropriadas.
- Monitorar a hidratação: oferecer água constantemente e evitar treinos nos horários de sol forte.
- Priorizar o lado lúdico: manter o foco da atividade na diversão e no aprendizado, evitando punições.
- Respeitar os limites biológicos: adequar o tempo de jogo e a intensidade dos treinos para a idade da criança.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) possui alertas e recomendações estruturadas especificamente sobre o futebol infantil. Duas delas são bastante urgentes e específicas para o esporte: a proibição do cabeceio na infância e os graves riscos associados à estabilidade das traves de gol.
Para a SBP, modalidades coletivas como o futebol devem focar exclusivamente no desenvolvimento lúdico, na cooperação e no altruísmo até o final da infância. De 5 a 12 anos: o jogo deve ser tratado como brincadeira. Perder ou ganhar deve ter o mesmo peso emocional, premiando a participação de todos. A criança nesta idade ainda não tem maturidade psicológica para lidar com a frustração extrema das competições formais. A partir dos 13 anos: o futebol focado em competição, tabelas de campeonato e rendimento estrito passa a ser recomendado, pois o adolescente já possui melhor estrutura emocional e corporal.
Fontes:
- Futebol infantil: como proteger as crianças e transformar paixão em saúde
- Pediatras orientam sobre como prevenir acidentes fatais com traves de futebol
Saiba mais:
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Dr. José Luiz Setúbal
(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.