Meu filho precisa de uma dieta livre de glúten?
Nutrição

Meu filho precisa de uma dieta livre de glúten?

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Ultimamente, dietas livres de glúten passaram a receber bastante atenção da mídia. Elas têm sido associadas ao aumento de energia, à melhora de concentração, à cura de males digestivos e até mesmo podem melhorar os sintomas do autismo e TDAH (déficit de atenção e hiperatividade) em crianças. Com tantas coisas boas, é difícil não se perguntar se seu filho poderia se beneficiar dos alimentos que não contenham a proteína.

O glúten é uma proteína encontrada em certos grãos como trigo, cevada e centeio. Como ajuda a tornar os alimentos mais saborosos e melhora a sua textura, também é adicionado a muitos alimentos, desde a charcutaria (salsichas, salames etc.) até batatas fritas.

Para a maioria das crianças, o glúten é completamente inofensivo, com duas exceções:

  1. Crianças que foram diagnosticadas como portadoras de doença celíaca.

  2. Crianças com sensibilidade ao glúten.

O que são exatamente a doença celíaca e não celíaca com sensibilidade ao glúten?

A doença celíaca é uma condição autoimune que afeta uma em cada 133 pessoas. Para crianças com a enfermidade, até mesmo o menor pedaço de glúten pode significar problemas, desencadeando a liberação de anticorpos que atacam as paredes do intestino que causam danos, tornando-se difícil de absorver muitos dos nutrientes que elas precisam para crescer e se desenvolver. Podem ocorrer muitos sintomas desagradáveis, como gases, flatulência (aumento do estômago ou dos intestinos por ar ou gases), diarreia e perda ou ganho de peso. Se ela não for tratada, também pode levar a complicações como anemia, distúrbios neurológicos e osteoporose.

Já a não celíaca com sensibilidade ao glúten (NCSG), acredita-se ser mais generalizada do que a doença celíaca e afeta um número estimado de 18 milhões de pessoas nos Estados Unidos, não se tem estatísticas no Brasil. É semelhante à outra, uma vez que também envolve uma reação imunológica ao glúten. Mas, ao contrário dela, não chega a causar danos no intestino. Assim, enquanto uma criança com NCSG pode ter muitos sintomas parecidos, não terá o mesmo dano intestinal e, como consequência, não terá as deficiências nutricionais ou de complicações a longo prazo.

Atualmente, o único tratamento para a doença celíaca ou NCGS é uma dieta sem glúten. Ela é extremamente restritiva para que possa dar certo. Sendo assim, é difícil para uma criança seguir e também pode ser psicológica e socialmente desafiadora. Festas de aniversário, refeições em restaurantes e até a hora do lanche na escola podem ser momentos difíceis.

Mas a boa notícia é que quando as crianças com doença celíaca retiram o glúten, o seu crescimento retorna ao normal e os sintomas melhoram rapidamente, de acordo com o Journal of the American Dietetic Association - 2008, um artigo de revisão sobre o assunto.

Saiba mais sobre o glúten

Se você suspeita que seu filho tenha doença celíaca ou NCGS, os especialistas recomendam que ele seja examinado pelo pediatra, antes de retirar o glúten da dieta. Na verdade, os testes para essas condições só funcionam se a criança consumir alimentos que contenham a proteína.

Como o glúten é encontrado em muitos alimentos, restringir desnecessariamente pode fazer com que seu filho perca nutrientes importantes, como vitaminas B e ferro, que são encontrados em alimentos enriquecidos como cereais, pão, macarrão etc.

Se, após o teste, seu filho precisar ficar sem glúten, poderá ser acompanhado por um nutricionista para ajudar a desenvolver um plano que garanta que ele receba todos os nutrientes necessários para ter uma saúde ótima.

Leia também: Os produtos sem glúten para crianças são uma opção saudável?

Fontes: Journal of the American Dietetic Association- 2008 e Kids eat rigthDra Karen Ansel

Atualizado em 15 de fevereiro de 2024

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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