
Música alta causa problemas na audição?
0 —A música alta pode, sim, causar perda auditiva. Por isso, é importante ficar atento ao volume do que seu filho está escutando no fone de ouvido
Os fones de ouvido se tornaram companheiros inseparáveis de muitas crianças e, principalmente, dos adolescentes. Música, vídeos e jogos podem ocupar várias horas do dia. O problema é que, quando o volume é muito alto e a exposição é frequente, os danos podem ser permanentes — e costumam acontecer de forma silenciosa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de jovens estejam em risco de desenvolver perda auditiva pela exposição em excesso à música alta. A boa notícia é que esse é um problema amplamente evitável com informação e pequenas mudanças na rotina.
Como a música alta impacta a audição?
A perda auditiva causada pelo excesso de ruído ocorre porque as células sensoriais do ouvido interno, responsáveis por transformar o som em impulsos nervosos, podem sofrer lesões. Diferentemente de outras células do organismo, elas não se regeneram. Por isso, a perda auditiva induzida pelo ruído é, na maioria das vezes, irreversível. O risco depende de dois fatores: o volume e o tempo de exposição. Quanto mais alto o som, menor é o tempo considerado seguro.
Na prática, uma orientação simples para as famílias é seguir a chamada regra dos 60: manter o volume em, no máximo, 60% da capacidade do aparelho. A OMS também recomenda que, sempre que possível, a exposição média fique abaixo de 80 decibéis e que sejam feitas pausas regulares, permitindo que os ouvidos "descansem". Fones com bom isolamento acústico ou cancelamento de ruído ajudam bastante, pois reduzem a necessidade de aumentar o volume em ambientes barulhentos, como ônibus e metrô.
A exposição a shows, festas e eventos com música alta pode potencializar os danos auditivos ao longo dos anos.
Como perceber os sinais?
Nem sempre a perda auditiva é evidente no início. Os primeiros sinais costumam ser discretos: pedir que as pessoas repitam o que disseram, aumentar constantemente o volume da televisão ou do celular, reclamar que os outros "falam baixo", apresentar dificuldade para entender conversas em locais com muito barulho ou perceber um zumbido nos ouvidos após usar fones ou frequentar ambientes muito ruidosos. Em crianças, também podem surgir desatenção, queda no rendimento escolar e dificuldades de interação social.
Vale lembrar que um zumbido após um show ou uma sensação de ouvido "abafado" não devem ser encarados como algo normal. Esses sintomas indicam que o ouvido foi submetido a uma intensidade sonora acima do recomendado. Se eles persistirem por mais de algumas horas, se forem recorrentes ou vierem acompanhados de dificuldade para ouvir, é importante procurar avaliação com um otorrinolaringologista. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de evitar a progressão do problema.
Prevenir a perda auditiva
A prevenção começa dentro de casa. Converse com seu filho sobre os riscos da exposição prolongada a sons intensos, incentive pausas durante o uso de fones, ative os recursos de limitação de volume disponíveis em celulares e tablets e dê o exemplo, cuidando também da sua própria saúde auditiva.
Ouvir bem é fundamental para aprender, socializar e se comunicar ao longo da vida. E preservar a audição começa na infância e na adolescência.

Prof Dr Robinson Koji Tsuji
Médico otorrinolaringologista, doutor e professor livre docente pela USP. Coordenador da equipe de otorrinolaringologia do Hospital Infantil Sabará.