Olhos vermelhos na piscina: por que isso acontece?
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Olhos vermelhos na piscina: por que isso acontece?

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Você já deve ter notado que, após um período prolongado na piscina, é comum ficarmos com os olhos vermelhos, se os abrirmos constantemente debaixo d’água

O tempo prolongado de exposição à água com cloro, como ocorre em mergulhos sem óculos em piscinas, é um tipo de conjuntivite química ocular, que deixa os olhos vermelhos. 

A água da piscina, quando clorada adequadamente, apresenta o componente Cloro livre, ou ácido hipocloroso (que atua como desinfetante da água). Este componente, mesmo que em águas de piscina com ph adequado, apresenta leve acidez em relação ao ph da lágrima, causando irritação da conjuntiva (parte branca dos olhos), sensação de areia e lacrimejamento por desencadear uma conjuntivite química. 

Além dos olhos vermelhos: fatores agravantes

Além disso, quando este componente se combina à matéria orgânica na piscina, como o suor, ele forma cloraminas, que são componentes ainda mais irritantes aos olhos. A intensidade da inflamação varia conforme o tempo de exposição.

Em crianças, o desconforto acaba levando frequentemente à manipulação, quando elas esfregam os olhos, e causando também uma ceratite, que é a desepitelização ou ferimento da córnea (a “tampa transparente” dos olhos). Isso provoca ainda mais dor (muitas vezes bastante intensa, dependendo da extensão da lesão), embaçamento visual e aversão à luz (fotofobia), aumentando a gravidade do quadro e o tempo de tratamento. 

Sendo assim, é indispensável o uso de óculos de natação nas brincadeiras de piscina, que geralmente não costumam ser curtas. Além disso, pingar colírios lubrificantes sem conservantes antes e após a exposição à água da piscina melhoram muito a inflamação. 

Sinais de inflamação intensa (olhos vermelhos), com embaçamento visual e dificuldade ou dor para abrir os olhos não devem esperar. Deve-se iniciar o uso do colírio lubrificante e procurar o Pronto Socorro oftalmológico para averiguar a intensidade da condição e iniciar o tratamento. 

O quadro tende a ser autolimitado se o tratamento adequado for instaurado sem demora. Crianças com histórico de alergia ocular prévia são mais sensíveis a essas irritações, apresentando mais frequentemente lesões corneanas pelo prurido ocular ser mais intenso.

Dra. Patricia Ferraz Mendes

Dra. Patricia Ferraz Mendes

(CRM 127100/ RGE 31968) Chefe da equipe de Oftalmologia do Hospital Infantil Sabará desde 2019 e membro do corpo clínico deste hospital desde 2015. https://lattes.cnpq.br/3272027306932770

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