Perigos da piscina e prevenção de afogamento: quando não é hora de nadar
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Perigos da piscina e prevenção de afogamento: quando não é hora de nadar

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O Brasil registra, em média, três mortes de crianças e adolescentes por afogamento todos os dias. A informação foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que analisou os registros de óbitos entre 2021 e 2022: foram duas mil e quinhentas vítimas desse tipo de acidente. 

O número acima acende um sinal de alerta, uma vez que esse tipo de fatalidade é completamente evitável, mas continua a ocorrer de forma frequente. As crianças de um a quatro anos de idade foram as principais vítimas, com o registro de 943 mortes. Em seguida, estão 860 óbitos de adolescentes de 15 a 19 anos.

Piscinas podem ter um grande poder de atração sobre crianças pequenas, mesmo quando não é hora de nadar. Aquelas ondas azuis-turquesa brilhantes podem parecer especialmente convidativas para uma criança pequena e ativa ou para uma criança em idade pré-escolar excessivamente confiante.

Crianças podem escapar dos olhares atentos dos adultos em segundos. Isso acontece todos os dias. Depois dos defeitos congênitos, o afogamento é a principal causa de morte de crianças de 1 a 4 anos. 

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda diversas maneiras pelas quais os pais podem ajudar a manter as crianças seguras perto de piscinas e banheiras de hidromassagem domésticas, o ano todo, no seu próprio quintal, no do seu vizinho ou nas férias.

Fato: a maioria dos afogamentos de crianças de 4 anos ou menos acontece em piscinas residenciais.

O que se pode fazer? Cercas para piscinas. 

Precauções de segurança não devem ser ignoradas. Cercas de piscina são para TODAS as piscinas, incluindo piscinas permanentes enterradas, piscinas acima do solo e banheiras de hidromassagem. Entre 2013 e 2015, a maioria (58%) dos afogamentos entre crianças de 4 anos ou menos ocorreu em uma piscina ou spa em suas próprias casas. Mas a piscina da família não é a única em que uma criança pode entrar sem ser notada. Mais de um quarto (27%) dos afogamentos entre crianças de até 4 anos ocorreram na casa de um amigo, parente ou vizinho. 

 

Fato: cercas são a maneira mais eficaz e comprovada de evitar o afogamento de crianças pequenas. 

Recomendações para cercas de piscina:

  1. A cerca da piscina deve ter, pelo menos, 1,2 m de altura e circundá-la completamente, separando-a da casa e do restante do quintal.

     

  2. À prova de escalada. A cerca não deve ter apoios para os pés, para as mãos ou objetos como móveis de jardim ou brinquedos que a criança possa usar para escalar. Cercas de arame são muito fáceis de escalar e não são recomendadas como cercas de piscina. Para garantir que uma criança pequena não consiga passar pela cerca, certifique-se de que as ripas verticais não tenham mais de 10 cm de espaço entre si. Isso também ajudará a manter pequenos animais de estimação seguros.

 

  1. Altura da trava. A cerca deve ter um portão com fechamento e trava automática que só abra para fora, longe da área da piscina. A trava deve ficar fora do alcance de crianças a, pelo menos, 137 cm do chão.

 

  1. Portão trancado, sem brinquedos. Quando a piscina não estiver em uso, certifique-se de que o portão esteja trancado e mantenha os brinquedos do lado de fora.

 

  1. Alarmes de piscina. Crianças podem se afogar em segundos, quase sem fazer barulho. Os alarmes de piscina podem detectar ondas na superfície da água e disparar para chamar a atenção quando alguém cai na piscina.

 

Considere ainda instalar alarmes no portão da cerca da piscina e nas portas da casa. Os alarmes das portas e portões podem ser equipados com touchpads para permitir a passagem de adultos sem acioná-los. As portas da casa devem ser trancadas caso uma criança possa entrar na piscina por elas. Protetores de janela também podem ser especialmente úteis para janelas da casa que dão para a piscina.

Uma palavra sobre coberturas de piscina: as capas de piscina devem cobrir toda a área com segurança suficiente para que uma criança não consiga escorregar por baixo delas. Lembre-se: capas flutuantes solares e de inverno não são capas de segurança e podem, na verdade, aumentar o risco de afogamento. Como uma capa flutuante faz a superfície da piscina parecer sólida, uma criança pequena pode tentar recuperar uma bola ou outro brinquedo leve que tenha caído nela e deslizar rapidamente para baixo - muitas vezes, ficando presa e escondida.

 

O que mais os pais podem fazer? 

Mesmo com medidas de segurança em vigor, os pais devem estar preparados caso seus filhos entrem na piscina sem serem vistos. Algumas precauções que podem ajudar:

  • Não estar sob a influência de drogas ou álcool;
  • Não utilizar o celular;
  • Evitar outras atividades;
  • Supervisionar mesmo que haja salva-vidas e alternar com outro adulto para intervalos;
  • Colocar seu filho(a) em um colete salva-vidas bem ajustado;
  • Aulas de natação: a AAP recomenda aulas de natação como uma camada de proteção contra afogamento, que pode ser iniciada para muitas crianças a partir de 1 ano de idade;
  • Treinamento de ressuscitação cardiorespiratória (RCP): pais, cuidadores e proprietários de piscinas devem saber como realizar RCP e obter ajuda de emergência;
  • Verifique a água primeiro: se uma criança estiver desaparecida, procure-a primeiro na piscina ou spa. Isso é especialmente importante se seu filho(a) tem tendência a se perder;
  • Divulgue. Compartilhe este artigo nas redes sociais e com familiares, amigos e vizinhos.

Fontes:

Conselho de Lesões, Violência e Prevenção de Envenenamentos da Academia Americana de Pediatria (Copyright © 2023)

Em média, três crianças e adolescentes perdem a vida por afogamento a cada dia no Brasil

 

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Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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