
Sangramento nasal em crianças: o que fazer
17 —Diversos fatores podem causar o sangramento nasal. Agir corretamente é importante para conter os episódios e evitar que se repitam
O sangramento nasal, chamado de epistaxe, costuma causar preocupação em pais e familiares, mas é relativamente comum na infância. Na maioria das vezes, trata-se de um episódio benigno e autolimitado. Isso ocorre porque a mucosa nasal é ricamente vascularizada e possui pequenos vasos sanguíneos superficiais e delicados, que podem se romper com facilidade.
Diversos fatores do dia a dia podem favorecer esse tipo de sangramento. Entre os mais comuns estão ressecamento da mucosa nasal, especialmente em períodos de clima seco ou ambientes climatizados, rinite alérgica, resfriados, outras infecções virais das vias aéreas superiores e até pequenos traumas locais, como coçar ou manipular o nariz.
Quando o sangramento acontece, manter a calma e agir corretamente faz toda a diferença.
O que fazer no caso de sangramento nasal
- Não inclinar a cabeça da criança para trás. Embora seja uma prática culturalmente difundida, essa posição favorece a deglutição de sangue, podendo desencadear náuseas, vômitos, tosse ou até aspiração de sangue nas vias aéreas. A conduta correta é manter a criança sentada, com leve inclinação anterior do tronco e da cabeça, permitindo o escoamento do sangue pelas narinas.
- Deve-se realizar compressão da porção macia do nariz, abaixo do osso nasal, por aproximadamente 10 minutos contínuos.
- A aplicação de compressa fria/gelada na região nasal pode potencializar a vasoconstrição local.
- Avaliação médica é recomendada quando os episódios são recorrentes, de grande volume, associados a outros sangramentos ou quando persistem por mais de 15 a 20 minutos.
Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir a frequência desses episódios. A manutenção de um ambiente mais umidificado, especialmente em períodos de clima seco, contribui para evitar o ressecamento da mucosa nasal. Além disso, orientar a criança a não manipular o nariz é importante para prevenir microtraumas locais. O controle adequado de condições inflamatórias da mucosa nasal, como a rinite alérgica, também desempenha papel relevante. Em alguns casos, pode ser indicado o uso de soluções salinas nasais, que auxiliam na hidratação da mucosa e na manutenção da integridade da mucosa nasal.
De modo geral, episódios isolados de sangramento nasal na infância são benignos e autolimitados. No entanto, a avaliação médica é recomendada quando os episódios se tornam frequentes, quando o sangramento persiste por mais de 15 a 20 minutos apesar da compressão adequada ou quando há associação com outros sinais de sangramento, como hematomas frequentes ou sangramento gengival. Nessas situações, é necessária investigação complementar para identificar possíveis causas locais ou alterações da hemostasia e, assim, orientar a conduta e o tratamento mais adequados.

Dra. Priscila Grizante
Mestre em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Membro do comitê de Pediatria da Sociedade Brasileira de Hemostasia e Trombose (SBTH), Membro do comitê de Pediatria da Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e em Hematologia Pediátrica pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Hematologista Pediátrica no Hospital Infantil Sabará e pesquisadora pelo Instituto Pensi.