A triste notícia sobre mortes evitáveis por vacinas
Saúde

A triste notícia sobre mortes evitáveis por vacinas

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A vida é nosso bem mais precioso. Qualquer morte deve ser lamentada. Uma morte causada por uma doença evitável deve ser muito lamentada. Quando li essa notícia um dia desses nos jornais, minha vontade foi de chorar por essas crianças:

Brasil tem recorde de mortes infantis evitáveis por vacina desde 2015

Segundo a notícia, o número de bebês e crianças menores de cinco anos que morreram por doenças evitáveis pela vacinação teve um novo salto no Brasil em 2024. Os dados são do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, divulgados na segunda quinzena de outubro. O mesmo ocorre se olharmos o recorte de menores de 1 ano.

Durante três anos temos números que aumentam consistentemente, sendo 15 mortes em 2021, 20 em 2022, 35 em 2023 e 48 em 2024. Estes números eram maiores antes da pandemia, para sermos justos, caindo durante a crise pelo uso de máscaras e isolamento social.

Em 2024, segundo o Observatório de Saúde na Infância, o número de casos de coqueluche, a doença que mais vitimou crianças, aumentou mais de 1.200% no Brasil: foram pelo menos 2.152 registros da doença entre crianças menores de 5 anos de idade, que são as mais vulneráveis a complicações. Veja abaixo os números:

 

Causas das mortes evitáveis por vacina (0 a 4 anos):

  • Coqueluche - 21 mortes

  • Tuberculose do sistema nervoso - 13

  • Meningite bacteriana - 9

  • Tuberculose miliar - 2

  • Difteria - 1

  • Caxumba - 1

  • Doenças virais congênitas – 1

 

Todas essas doenças possuem vacinas disponíveis no calendário básico de imunização do país e são disponibilizadas gratuitamente nos postos de saúde dos 5.570 municípios brasileiros. Vejam que nesses números não estão contabilizadas as vítimas de Covid-19 e Influenza (gripe), duas doenças muito mais comuns que essas e que continuam causando vítimas. Por esta razão, os especialistas consideram os números subestimados.

Apesar das taxas vacinais terem voltado a aumentar, ainda estão longe do ideal e exigiriam um esforço maior de nossas autoridades para melhorá-las, mas também da nossa população de fazer seu papel, não só levando seu filho para vacinar, mas denunciando se houver falta de vacina, ou exigindo maiores horários e acessos a essas vacinas. Enfim, parece que esse problema exige um esforço de toda a sociedade para que não percamos mais essas vidas tão valiosas.

 

Fonte:

 

Saiba mais:

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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