Gestão das crianças quanto ao uso de mídias sociais
Comportamento

Gestão das crianças quanto ao uso de mídias sociais

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As vidas atuais de crianças e suas famílias são dominadas pela exposição nas mídias sociais. Apesar disso, os adolescentes têm poucas regras para o uso delas, embora seja uma preocupação dos pais que, muitas vezes, se sentem perdidos.

De acordo com a política da Academia Americana de Pediatria (AAP), "Crianças, Adolescentes e a Mídia", lançada na Conferência Anual da AAP em Orlando, a era digital é o momento ideal para mudar a forma como usamos a mídia.

Enquanto a mídia por si só não é a principal causa de algum problema de saúde nos EUA, ela pode contribuir para vários riscos. Ao mesmo tempo, as crianças podem aprender muitas coisas positivas. Porém, o problema está na busca pelo consenso entre pais, pedagogos, psicólogos, etc. sobre a forma mais saudável de usá-la.

Segundo a AAP, as mídias sociais afetam a juventude e o uso excessivo delas tem sido associado com:

Obesidade;

A falta de sono;

Problemas escolares;

Agressão.

Outros problemas de comportamento

Um estudo recente mostra que a média de crianças entre 8 e 10 anos gasta quase 8 horas por dia com diferentes meios de comunicação e os adolescentes passam mais de 11 horas por dia. Crianças que têm uma TV no quarto podem dispender mais tempo ainda. Cerca de 75% usam telefones celulares e quase todos os adolescentes usam os aparelhos para trocar mensagens de texto.

A quantidade de tempo gasto com as mídias sociais é um problema. No lado positivo, as que são pró-sociais não só podem ajudar as crianças e os adolescentes a aprenderem fatos, mas também podem contribuir para ensinar empatia, tolerância racial e étnica, e toda uma gama de habilidades interpessoais. Pediatras se preocupam com o que as crianças veem online, quanto tempo elas gastam com determinada mídia e com as questões de privacidade e segurança na internet.

A declaração política da AAP oferece recomendações para os pais:

• Os pais podem ter um modelo eficaz para fazer uma "dieta da mídia" para ajudar os filhos a aprenderem a serem seletivos e saudáveis com o que eles consomem. Eles podem ter também um papel ativo na educação infantil por meio de programas, pois a co-visualização ajuda a discutir valores;

Faça um plano de uso da mídia, incluindo horário para as refeições, para dormir e de tempo a ser gasto em contato com ela. Telas devem ser mantidas fora dos quartos das crianças.

Já as instituições devem trabalhar com as escolas para incentivar a educação para a mídia, o uso inovador da tecnologia para ajudar os alunos a aprender e ter regras sobre o conteúdo a ser acessado em dispositivos em sala de aula.

Desafiar a indústria do entretenimento a criar conteúdos positivos para crianças e adolescentes, e defender as regras sobre como os produtos são comercializados para a juventude.

Como o cenário da mídia continua a evoluir a um ritmo acelerado, a AAP apela para um relatório federal sobre o que se sabe com relação aos efeitos da mídia nos jovens, para uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto e para um mecanismo permanente para financiar a investigação sobre os efeitos da mídia.

Acredito que a Sociedade Brasileira de Pediatria deveria se manifestar sobre o assunto e promover pesquisas semelhantes no Brasil para que possamos orientar nossos pais e nossas crianças e adolescentes a conviver de forma saudável com as mídias. Afinal, elas vieram para ficar e estão cada vez mais presentes na vida de todos.

Fonte: Children, Adolescents, and the Media (COUNCIL ON COMMUNICATIONS AND MEDIA)

Atualizado em 27 de maio de 2024
Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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