
6 maneiras de evitar que seu filho pegue doenças na escola
4 —É comum que as crianças peguem doenças na escola, mas há algumas formas de protegê-las. Saiba como!
Para as crianças que estão começando a frequentar ambientes coletivos, é comum que os primeiros meses sejam acompanhados por infecções, principalmente as respiratórias, com episódios de coriza, tosse, nariz entupido e, eventualmente, febre. Isso acontece porque a criança passa a conviver diariamente com outras crianças e entra em contato com diferentes vírus e outras doenças na escola.
Isso, por si só, não significa que a criança tenha “baixa imunidade”. Ter algumas infecções respiratórias ao longo do ano é parte da infância, especialmente nos primeiros anos de vida.
Mas será que podemos fazer alguma coisa para reduzir esse risco? Sim. E, ao contrário do que muitas propagandas sugerem, não precisamos de uma grande quantidade de vitaminas, suplementos ou produtos para “aumentar a imunidade”. As medidas mais importantes são simples e têm diferentes níveis de evidência científica.
1. Higiene das mãos
A higiene das mãos é uma das medidas com evidência mais consistente para reduzir a transmissão de infecções respiratórias.
Uma revisão sistemática e metanálise reuniu 26 estudos e mais de 161 mil participantes, mostrando que programas de lavagem das mãos com água e sabão reduziram em aproximadamente 17% a ocorrência de infecções respiratórias agudas. Outra revisão sobre medidas físicas para reduzir a transmissão de vírus respiratórios também reforça o benefício da higiene das mãos em diferentes ambientes, incluindo escolas, creches e domicílios.
Na prática, não é necessário transformar a criança em uma “fiscal da própria mão”.
O mais importante é ensinar quando e como lavar as mãos:
Ao chegar da escola;
Antes de comer;
Depois de usar o banheiro;
Após tossir, espirrar ou assoar o nariz;
Depois de brincar em ambientes coletivos;
Sempre que estiverem visivelmente sujas.
Água e sabão são a primeira escolha quando disponíveis. O álcool em gel pode ser utilizado quando não houver possibilidade de lavar as mãos, com os cuidados necessários para crianças pequenas.
Uma boa higiene das mãos é simples, barata e tem muito mais evidência do que muitos produtos vendidos como “fortalecedores da imunidade”.
2. Vacinação em dia
Se existe uma medida que não pode ficar de fora da preparação para a escola, é a vacinação. As vacinas protegem contra doenças específicas e reduzem o risco de complicações. Por isso, confira a caderneta e verifique se todas as vacinas indicadas para a idade estão atualizadas.
A vacinação contra influenza merece atenção especial. É importante esclarecer uma dúvida frequente: a vacina da gripe não impede que a criança tenha resfriados.
Existem diversos vírus capazes de causar infecções respiratórias, e a vacina contra influenza é formulada para oferecer proteção contra as cepas de vírus influenza previstas para circular naquela temporada. Como o vírus sofre alterações ao longo do tempo, a composição da vacina é atualizada periodicamente para acompanhar essas mudanças. Por isso, mesmo vacinada, a criança ainda poderá apresentar outras infecções respiratórias ou, eventualmente, contrair influenza, mas a vacinação reduz o risco de doença grave e de complicações.
Além da proteção individual, contribui para reduzir a circulação de doenças na escola e na comunidade e o risco de surtos de doenças imunopreveníveis.
3. Etiqueta respiratória
Outra medida simples e importante é ensinar a criança a tossir e espirrar de maneira adequada. A orientação é cobrir a boca e o nariz com o antebraço, preferencialmente na região do cotovelo, e não com as mãos. Quando for utilizado um lenço de papel, ele deve ser descartado após o uso e as mãos devem ser higienizadas. Esse cuidado é especialmente importante em ambientes coletivos, onde as secreções respiratórias podem facilmente entrar em contato com outras pessoas e superfícies.
Também vale ensinar a criança a evitar colocar as mãos no rosto constantemente e a higienizá-las depois de assoar o nariz.
São hábitos simples, que podem ser ensinados desde cedo e incorporados à rotina da criança.
4. Higiene nasal: ajuda, mas não é uma “vacina contra resfriados”
A lavagem nasal com solução salina pode ajudar a aliviar coriza, congestão nasal e sintomas de rinite, especialmente durante quadros respiratórios. Entretanto, as evidências de que ela previna infecções respiratórias são mais limitadas.
Por isso, não é necessário realizar lavagens de forma excessiva em toda criança saudável. A frequência e a técnica devem ser adequadas à idade e à situação clínica.
5. Sono também faz parte da prevenção
O sono participa de diversos processos do organismo, incluindo mecanismos relacionados à resposta imunológica. Estudos mostram associação entre sono insuficiente e maior ocorrência de infecções respiratórias.
Uma revisão sistemática com metanálise encontrou maior risco de infecções das vias aéreas superiores entre pessoas que dormiam menos do que o recomendado.
Vale organizar horários regulares de dormir e acordar, principalmente depois de um período de férias em que a rotina pode ter ficado mais flexível.
As necessidades variam conforme a idade, mas, de forma geral, crianças em idade escolar precisam de aproximadamente 9 a 12 horas de sono por dia, enquanto adolescentes precisam de cerca de 8 a 10 horas.
Dormir bem não impede que a criança entre em contato com vírus, mas faz parte de uma rotina saudável e adequada para o funcionamento do organismo.
6. Alimentação equilibrada
Uma alimentação adequada é fundamental para o crescimento, desenvolvimento e funcionamento normal do sistema imunológico. Vitaminas e minerais, como vitaminas A, C e D e zinco, participam de diferentes mecanismos de defesa do organismo. Mas isso não significa que uma criança saudável precise receber doses extras desses nutrientes. A melhor estratégia é oferecer uma alimentação variada e equilibrada, com frutas, verduras, legumes, feijão e outras leguminosas, cereais, proteínas e água, de acordo com a idade e as necessidades da criança.
É importante diferenciar alimentação saudável de “alimentos que aumentam a imunidade”. Não existe suco, alimento ou receita capaz de impedir que uma criança entre em contato com os vírus ou outras doenças na escola.
E as vitaminas?
Para crianças saudáveis, não há evidências consistentes de que a suplementação indiscriminada de vitaminas e minerais previna infecções respiratórias. A vitamina C, por exemplo, não reduz significativamente a ocorrência de resfriados, embora possa ter discreto efeito na duração dos sintomas.
A vitamina D apresenta resultados promissores em alguns estudos, mas ainda não há consenso sobre quais crianças se beneficiariam ou sobre doses e esquemas específicos para prevenção de infecções.
Por isso, a suplementação deve ser individualizada e indicada quando houver necessidade clínica ou deficiência identificada.
E os fitoterápicos?
Os fitoterápicos também são frequentemente utilizados pelas famílias na tentativa de prevenir infecções. Entretanto, “natural” não significa necessariamente seguro ou eficaz.
As evidências disponíveis são bastante variáveis e dependem do produto, da planta utilizada, do tipo de extrato, da concentração, da dose e da população estudada.
Não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro de fitoterápicos na prevenção de infecções respiratórias em crianças.
Além disso, esses produtos podem causar efeitos adversos e interagir com outros medicamentos. Por isso, seu uso em crianças deve ser orientado pelo pediatra, considerando a idade, as condições de saúde e os demais medicamentos em uso.
É possível evitar as doenças na escola?
Precisamos ter expectativas realistas. O objetivo não é fazer com que a criança nunca mais fique doente. É reduzir o risco de doenças que podem ser prevenidas, diminuir a transmissão de infecções e manter hábitos que favoreçam a saúde da criança. Na maioria das vezes, uma criança que começa a frequentar a escola e passa a apresentar mais resfriados está simplesmente tendo contato com novos vírus. E isso faz parte de crescer.
Referências:
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Dra. Fabiana Nunes
Dra. Fabiana A. Nunes Oliveira - (CRM 172.173) Médica, Alergista e Imunologista. Mestre em Ciências pela UNIFESP. Membro do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Pesquisadora do Instituto PENSI.