Um informe publicado esta semana em Roma diz que o Brasil saiu do mapa da fome da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Segundo a entidade, a taxa de pessoas desnutridas no país é inferior a 2,5% da população nacional, um índice considerado baixo, já que na América Latina a taxa é de 5,1%, contra uma média mundial de 8,2%.
No Brasil, crianças são particularmente vulneráveis à insegurança alimentar, com mais de um terço dos lares com crianças menores de 10 anos enfrentando algum grau deste problema. A insegurança alimentar grave, que inclui a fome, afeta quase 600 mil crianças de 0 a 4 anos e mais de 1,7 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Essa situação é mais comum em lares com crianças, onde a falta de acesso a alimentos adequados e suficientes pode comprometer o desenvolvimento infantil.
Há 20 anos, a fome era a realidade para quase 6% dos brasileiros, mas caiu a partir da implementação do programa Fome Zero, fazendo com que o país saísse em 2014 do mapa da FAO. A pandemia da covid-19 e o desmonte de alguns programas sociais fizeram o Brasil voltar ao mapa em 2021. Naquele ano, 4% dos brasileiros passavam fome.
Os novos dados são positivos, mas isso não significa que os problemas de acesso à alimentação estejam superados no País. A insegurança alimentar severa (incapacidade de se fazer as três refeições por dia) é uma realidade para mais de 3% dos brasileiros, ou cerca de 7 milhões de pessoas.
Já a insegurança alimentar moderada (não ter condição de se alimentar de forma saudável) ainda atinge 13,5% dos brasileiros, 28,5 milhões de pessoas. Em 2021, essa taxa era 29,5%, atingindo um total de 62 milhões de pessoas. Mas, em 2024, a queda foi pronunciada, para 23,7%. Mesmo assim, isso significa que o problema ainda atinge 50,2 milhões de pessoas.
Por outro lado, temos que lidar com a questão da alimentação no Brasil e que, hoje, enfrenta o desafio de ter 46 milhões de pessoas em uma situação de sobrepeso. De acordo com a FAO, é a pobreza e a falta de renda que leva famílias inteiras a buscar alimentos mais baratos e, portanto, com alta taxa de processamento.
“Portanto, acabar com a fome é só o começo e temos de partir para uma alimentação mais saudável e um combate frontal à obesidade”, disse José Graziano, ex-diretor da FAO e ex-ministro brasileiro, expert no assunto. “Hoje, nosso grande problema é a obesidade, que é muito mais difícil de acabar que a fome”, completou.
A Fundação José Luiz Setúbal tem como um dos eixos temáticos a Insegurança Alimentar, patrocinando programas, estudos e fazendo discussões sobre o tema, afinal, para nós, Futuro é uma Infância Saudável.
Fonte:
Brasil deixa mapa da fome após 4 anos, mas insegurança alimentar persiste – Jamil Chade – UOL
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