
Sarampo: o que os pais precisam saber
0 —Conheça os sintomas do sarampo e saiba o que fazer em caso de exposição à doença
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. A infecção pela doença pode levar a sérios problemas de saúde, especialmente em bebês e crianças pequenas. Felizmente, é prevenível por vacina.
A doença estava sob controle no Brasil. Mas temos observado novos surtos generalizados de sarampo em áreas onde as taxas de vacinação caíram e estão abaixo do necessário para a imunidade coletiva. Como o vírus do sarampo é altamente contagioso, os surtos ocorrem rapidamente. Na maioria das vezes, as crianças que contraem a doença não estão com a vacinação em dia ou não têm idade suficiente para receber a vacina.
No mundo, o programa de imunização infantil e adolescente levou a uma redução de mais de 99% nos casos de sarampo desde 1963. No Brasil, a vacinação começou em 1967. Inicialmente, o imunizante era aplicado de forma descontínua por falta de estrutura nacional. Em 1973, a organização em massa e a distribuição contínua da vacina foram consolidadas com a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI). No entanto, ainda hoje viajantes vindos de outros países podem transmitir o sarampo para pessoas que estão em risco e causar um surto.
Contágio
A estimativa é de que 9 em cada 10 pessoas expostas ao sarampo o contrairão, caso não estejam vacinadas, nunca tenham tido a doença antes ou apresentem problemas no sistema imunológico.
Pessoas com sarampo são contagiosas mesmo antes de saberem que estão doentes. Uma pessoa infectada pode transmitir o sarampo facilmente para outras pessoas 4 dias antes do aparecimento da erupção cutânea e continua contagiosa 4 dias após o aparecimento da erupção.
A doença se espalha de pessoa para pessoa pelo ar, através de gotículas respiratórias expelidas pela tosse ou espirro. O vírus pode sobreviver por até duas horas em superfícies ou suspenso no ar. Alguém que entra em um ambiente onde uma pessoa com sarampo esteve anteriormente pode contrair a doença. O vírus também pode se propagar por correntes de ar e infectar pessoas em outro ambiente. Mesmo uma breve exposição ao vírus representa um alto risco de infecção.
Sintomas do sarampo
- Febre alta
- Erupção cutânea (manchas vermelhas) - geralmente aparece de 3 a 5 dias após os primeiros sintomas. Começa na cabeça e se espalha para o resto do corpo
- Tosse, corrimento nasal e olhos vermelhos e lacrimejantes
- Pequenas manchas na região da bochecha, dentro da boca, chamadas manchas de Koplik
- Diarreia
- Infecção de ouvido
O sarampo também pode levar a complicações graves, como pneumonia, encefalite (inchaço do cérebro), surdez, deficiência intelectual e até mesmo morte. A infecção por sarampo também pode afetar o sistema imunológico, causando problemas como amnésia imunológica e panencefalite esclerosante subaguda (PEES).
O que fazer?
Os sintomas do sarampo geralmente começam de 8 a 12 dias após a exposição ao vírus. Se seu filho foi exposto a alguém com sarampo, ligue imediatamente para o pediatra. Ele poderá verificar o histórico médico da criança. Se necessário, o pediatra poderá agendar um exame para seu filho sem colocar outras pessoas em risco.
Crianças com sarampo devem ficar em casa, sem ir à escola ou à creche, por pelo menos 4 dias completos após o início da erupção cutânea, quando já não são mais contagiosas.
Durante um surto de sarampo, lembre-se:
Crianças que não receberam a vacina tríplice viral ou a tetraviral não devem frequentar a escola.
Crianças não imunizadas que não tiveram contato conhecido com alguém com sarampo podem retornar à escola ou à creche após receberem uma dose da vacina.
Crianças não imunizadas que tenham sido expostas a alguém com sarampo, mas que recebam uma dose da vacina tríplice viral ou tetraviral dentro de 72 horas após a primeira exposição, podem retornar à escola.
Crianças não imunizadas que tenham sido expostas a alguém com sarampo, e que receberem uma dose da vacina mais de 72 horas após a primeira exposição, devem ser afastadas da escola por 21 dias a partir da última (mais recente) exposição.
Crianças não imunizadas que não receberem as vacinas contra o sarampo durante o surto, independentemente de terem sido expostas ou não ao vírus, devem ser afastadas das atividades escolares por 21 dias após o aparecimento da erupção cutânea no último caso de sarampo na escola ou comunidade.
O pediatra poderá informar quando será seguro para seu filho retornar à escola ou à creche. Isso ajudará a evitar a transmissão do sarampo para outras pessoas que talvez não possam receber a vacina devido à idade ou a determinadas condições médicas.
O sarampo é uma infecção prevenível por vacina
Cerca de 95 em cada 100 pessoas ficam protegidas após receberem uma dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Duas doses da vacina protegem de 97 a 99 em cada 100 pessoas.
Crianças vacinadas desenvolvem imunidade duradoura e protegem os outros. Quando a maioria de nós tem imunidade contra o sarampo, a probabilidade de sua disseminação diminui.
Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Alguns municípios ampliaram a oferta da vacina para bebês a partir de 6 meses de idade.
Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.
Na rotina dos serviços públicos de vacinação, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
Fonte:
Academia Americana de Pediatria (Copyright @ 2024)
Sarampo – Ministério da Saúde
Saiba mais:
Dr. José Luiz Setúbal
(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.