
Análise sobre exposição ambiental de crianças e adolescentes no Brasil
0 —Nova ferramenta reúne indicadores de exposição ambiental de crianças nos municípios brasileiros, apresentando os desafios e ações recomendadas
Parabéns ao UNICEF e a Vital Strategies pela ferramenta desenvolvida para avaliar os riscos ambientais dos municípios brasileiros frente ao problema das mudanças climáticas.
Enquanto o Brasil se prepara para os possíveis impactos do El Niño, o Fundo das Nações para a Infância (UNICEF) e a organização global de saúde pública Vital Strategies lançaram o Painel Crianças e Meio Ambiente, uma plataforma online que apresenta dados sobre a exposição ambiental de crianças e adolescentes em 5.571 municípios brasileiros. Lançado no momento em que o País se prepara para a chegada do super El Niño e seus possíveis impactos, o Painel foi desenvolvido para apoiar gestores públicos na identificação dos principais riscos que afetam meninos e meninas em seus territórios, oferecendo evidências que ajudam a orientar ações mais eficazes para proteger seus direitos e seu desenvolvimento.
O Painel mostra que crianças e adolescentes estão expostos a diferentes desafios ambientais e climáticos em todo o país, mas que há padrões de desigualdade relevantes na distribuição dos riscos. Muitos municípios da Região Norte e da Amazônia Legal, por exemplo, apresentam indicadores desafiadores em vários dos temas analisados ao mesmo tempo, o que reforça a importância de ampliar investimentos e fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência. Os resultados também indicam que mesmo em regiões com indicadores socioeconômicos tradicionalmente melhores, há desafios: os grandes centros urbanos têm indicadores preocupantes de qualidade do ar; o acesso a áreas verdes em escolas no Sudeste é um desafio; e há necessidade de promover a adaptação a diferentes eventos climáticos extremos em todas as regiões do país.
A ferramenta também revela que desafios relacionados ao acesso à água, ao saneamento, à coleta de resíduos e às condições de moradia costumam ocorrer de forma simultânea em um mesmo lugar.
Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuem para esse cenário. Um ambiente seguro, saudável e sustentável não é apenas um direito, mas também um elemento essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento integral na infância e na adolescência.
A análise dos indicadores mostra que uma parcela significativa do território brasileiro está exposta a múltiplos fatores de risco ambientais simultaneamente. Em 333 municípios (6%), foi identificada alta prioridade em 10 ou mais indicadores, enquanto 108 municípios (1,9%) não apresentaram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados. Dos municípios com maior número de indicadores classificados como alta prioridade, há alta concentração na Região Norte e no Maranhão. Na área de ambiente escolar, os dados mostram que a infraestrutura disponível nas escolas ainda representa um desafio para muitas crianças e adolescentes.
Na área de infraestrutura ambiental e urbana, o indicador de acesso à água tratada apresenta alta prioridade em 60% dos municípios do Norte e 48% do Nordeste. O mesmo padrão é observado no indicador de crianças e adolescentes que vivem em domicílios sem ligação à rede geral de abastecimento. Os dados sobre saneamento também apontam desigualdades regionais importantes. O esgotamento sanitário inadequado apresenta alta prioridade em 87% dos municípios do Norte e 55% dos municípios do Nordeste.
Na temática de qualidade do ar, o indicador de dias com poluição do ar por partículas finas acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta maior incidência na Região Norte, onde 94% dos municípios apresentam alta prioridade nesse indicador. No Sudeste, 39% dos municípios também apresentam alta prioridade no indicador, porém eles concentram 72% da população infantil da região. Esses dados apontam para problemas de natureza diferente – no Norte, a alta concentração de material particulado está associada principalmente às queimadas; no Sudeste, concentrada nas grandes áreas metropolitanas, as causas são principalmente o transporte rodoviário e a produção industrial.
Visando futuros melhores e mais seguros, essa ferramenta permite um olhar qualificado e individualizado para o território, subsidiando ações mais preventivas focadas em riscos ambientais previsíveis e evitáveis.
Fontes:
Impactos desiguais da mudança climática Folha de SP
Saiba mais:
- Riscos ambientais e doenças infantis: mais conscientização e ação necessárias
- Poluição e saúde infantil: por que as crianças precisam de um ambiente limpo
- Como a mudança climática afeta crianças
- Mudanças climáticas, clima extremo e crianças: o que as famílias precisam saber
- Por que as mudanças climáticas são uma ameaça cada vez mais urgente à saúde
- Calor extremo: dicas do que fazer com as crianças com as temperaturas muito altas
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Dr. José Luiz Setúbal
(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.