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Mortalidade infantil não melhora há 5 anos, mais uma vergonha para o Brasil
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Mortalidade infantil não melhora há 5 anos, mais uma vergonha para o Brasil

Mortalidade infantil não melhora há 5 anos, mais uma vergonha para o Brasil

07/12/2021
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O governo acaba de divulgar “Tábua de Mortalidade 2018”, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de mortalidade infantil no Brasil, medida pelo número de mortes antes de completar um ano de idade, foi de 13,3 a cada mil nascidos vivos no ano passado. A mortalidade das crianças menores de um ano é um importante indicador da condição de vida socioeconômica de uma região.

Segundo o boletim especial do Ministério da Saúde com registros até 2019 (último ano com dado disponível), a taxa regrediu naquele ano, estacionando o país no índice de 2015 e fazendo viver uma, até então inédita, metade de década perdida. A taxa ficou praticamente igual aos 13,1 de 2018, mas está longe das encontradas nos países mais desenvolvidos. Japão e Finlândia, por exemplo, têm taxas abaixo de 2 por mil. Dos países do Brics, o Brasil está próximo da China (9,9 por mil nascidos vivos).

Dados do IBGE mostram que o país conseguiu reduzir fortemente a mortalidade infantil nas últimas décadas. A razão de óbitos era de 147 para cada mil nascidos vivos em 1940. A melhora nas condições sanitárias, a urbanização e a maior assistência pré-natal, com o avanço da cobertura de vacinação das crianças recém-nascidas, contribuíram para a redução do indicador ao longo das décadas.

A piora dos números em 2015 foi devido às inúmeras epidemias, como a de Zika, principalmente, Dengue, Chikungunya e Febre Amarela.

A taxa de mortalidade na infância — indicador que aponta a probabilidade de um recém-nascido não completar os cinco anos de idade — também recuou. Diferentemente do observado durante a década de 1980, quando o índice era de 69 óbitos para cada mil nascidos vivos, em 2018 esse valor foi de apenas 12,4, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mortalidade das crianças menores de 5 anos ou mortalidade na infância também declinou neste período. Em 2018, de cada mil nascidos vivos, 14,4 não completavam os 5 anos de idade. Em 2019, esta taxa foi de 14,0 por mil, declínio de 2,8% em relação ao ano anterior.

Mesmos nos lugares mais desenvolvidos, as taxas ainda são altas no Brasil, lembrando é uma meta dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para o Milênio) reduzir a mortalidade neonatal no mundo para pelo menos 12 por mil nascidos vivos. Como a média inclui países africanos, por exemplo, as taxas do Brasil são consideradas altas —até mesmo para padrões de países da América Latina. Ela é mais que o dobro da do Uruguai (6,1 por mil vivos) e quase o quádruplo de Cuba (3,8), por exemplo. Na Argentina, a taxa é de 8,2. Com a deterioração do quadro econômico do país e com a piora dos indicadores sociais, é possível que os números não melhorem e até piorem, já que o mapa da desigualdade segue aqui também, atingindo mais a população negra e indígena.

As cinco principais causas de mortes infantis no Brasil em 2019 foram:

  1. Septicemia (infecção generalizada) bacteriana do recém-nascido – 2.770
  2. Feto e recém-nascido afetados por problemas maternais – 2.365
  3. Desconforto respiratório em recém-nascido – 2.181
  4. Feto e recém-nascido afetado por complicações na gravidez – 1.543
  5. Feto ou recém-nascido prematuro ou com gravidez alongada – 1.551

Como 70% dos óbitos infantis ocorrem no primeiro mês de vida, as ações de saúde —após todos esses anos de queda— deveriam focar em tecnologia e acesso a serviços de média e alta complexidade para os bebês que nascem com problemas congênitos ou prematuros, por exemplo criação de UTIs pediátricas, formação de pessoal de saúde adequado a atendimento de crianças complexas, além, é claro, de acesso à vacinação, combate à desnutrição e melhoria das condições de saneamento, que deve finalmente melhorar com o estabelecimento do marco regulatório do setor.

A Fundação José Luiz Egydio Setúbal tem como objetivos prioritários nesta década atuar em três frentes: Saúde Mental, Imunização e Segurança Alimentar. Também estamos comprometidos com as ODS da ONU, e acreditamos que podemos ajudar com a melhoria do acesso à cobertura vacinal, onde já atuamos em parceria com a UNICEF, e na Segurança Alimentar, colaborando em programas de combate à desnutrição.

Saiba mais:

Atualizado em 10 de março de 2025

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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