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A 3 mil quilômetros da Avenida Angélica
87 —O impacto das preceptoras
Para os residentes, a convivência com as preceptoras foi um dos aspectos mais enriquecedores da experiência. “Ver a dra. Luciana e a dra. Regina lidando com casos complexos, mantendo a excelência no atendimento mesmo em condições adversas, nos ensinou que a medicina transcende a técnica. Tem a ver com humanidade e resiliência”, destacou Fernanda.
Fernanda Carvalho com uma paciente de quatro anos durante os atendimentos na Expedição Sertões Kitesurf. A criança foi diagnosticada com obesidade grau 3 e alterações ósseas, sendo encaminhada para tratamento especializado
Durante os atendimentos, a dra. Luciana identificou casos que exigiam atenção urgente, como o de uma menina de quatro anos com obesidade grau 3 e alterações ósseas. “Ela nunca tinha recebido o cuidado especializado necessário. Conseguimos encaminhá-la para tratamento em Fortaleza, o que pode mudar seu curso de vida”, explicou. Para Lívia, essa abordagem integral foi inspiradora: “Elas trataram essas crianças com o mesmo cuidado e dedicação que dedicariam a qualquer paciente no Sabará”.
Aprendizado em campo
A vivência prática impactou profundamente a formação dos residentes. “Enfrentar uma realidade tão diferente da que vivemos no Sabará nos fez repensar o que significa ser médico no Brasil. Foi um choque necessário”, avaliou Lívia. Fernanda também destacou o aprendizado proporcionado pelos desafios logísticos e estruturais. “Aprendemos a valorizar cada recurso, a improvisar e a encontrar soluções. Isso nos prepara para qualquer ambiente de trabalho, seja no Brasil profundo ou em um hospital de ponta.”A telemedicina como ferramenta de inclusão
A experiência com a telemedicina, tanto nos dois meses anteriores à expedição quanto durante os atendimentos presenciais, ampliou a visão dos residentes sobre o potencial dessa ferramenta. “A telemedicina rompe barreiras geográficas e oferece um acompanhamento digno, mesmo com limitações”, afirmou Fernanda. Para Lívia, a integração entre consultas virtuais e presenciais é essencial: “Conhecer o ambiente e as condições das famílias ajuda a personalizar as orientações e o cuidado”.
O médico residente Douglas Amaral Mioto examina um bebê durante a expedição: reencontro com pacientes que já conheciam pela telemedicina
Casos marcantes
Entre os atendimentos, Fernanda destacou um bebê com síndrome de Down, diagnosticado inicialmente por telemedicina e avaliado presencialmente durante a expedição. “A família nunca teria conseguido o diagnóstico tão cedo. Foi emocionante ver como essa experiência transformou a vida deles”, relatou. Outro caso mencionado foi o de crianças diagnosticadas equivocadamente com transtorno do espectro autista, quando eram condições decorrentes do uso excessivo de telas. “Orientar essas famílias sobre brincadeiras e interação foi uma oportunidade de prevenir problemas futuros. Pequenas intervenções podem ter um impacto gigantesco”, acrescentou Lívia.Reflexões e futuros passos
A experiência despertou reflexões sobre o papel do médico na sociedade. “Somos formados para atuar no Brasil como um todo, não apenas nas grandes capitais. Essa vivência nos mostrou que podemos fazer a diferença, mesmo em condições adversas”, afirmou Fernanda. Lívia concluiu destacando a importância da continuidade do projeto: “Ter a oportunidade de conhecer essa realidade, trabalhar com nossas preceptoras e fazer parte dessa transformação foi um privilégio. Espero que mais residentes tenham essa experiência”. Por Rede Galápagos Leia mais: Juntos vamos mais longe Expedição Sertões Kitesurf: um marco no cuidado pediátrico e na formação médica Um mergulho na saúde do Brasil profundo SAS Brasil PENSI Day: uma imersão nas atividades do instituto Em defesa do PL 85 — e da distribuição gratuita de caneta de adrenalina autoinjetável para pacientes com anafilaxia