PESQUISAR

Sobre o Centro de Pesquisa
Sobre o Centro de Pesquisa
Residência Médica
Residência Médica
A rotina dos pequenos e a correria do dia a dia
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp
A rotina dos pequenos e a correria do dia a dia

A rotina dos pequenos e a correria do dia a dia

05/02/2016
  882   
  0
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp

Estamos a criar crianças estressadas… Serão elas felizes?

Começa o ano letivo das crianças e com ele a correria dos horários, obrigações, tarefas… Agendas super lotadas, que têm que levar em consideração também o trânsito, o deslocamento na cidade grande, que cada vez fica mais difícil e toma mais tempo de nossos dias.

Um cronograma montado, pensado, de forma que as crianças tenham o mais possível de aulas, de aproveitamento, de crescimento intelectual, cultural, de habilidades, pois afinal vivemos num mundo competitivo, onde diferenciar-se é palavra-chave. Precisamos preparar nossos pequenos para que lá na frente eles sejam capazes de conseguir boas escolas, boas faculdades, bons empregos. Enfim, com tudo isso criamos crianças cada vez mais prontas para os desafios futuros (a nosso ver) e desde pequenas inseridas no mundo atual, apresentando-as desde cedo ao grande companheiro de todos, o estresse. São dias corridos, cronometrados, aproveitados ao máximo, com agendas preenchidas em todos os momentos. Enfim, se pararmos para pensar, estamos fazendo das vidas diária deles uma vida de adulto, cercada de atribuições e rotinas estressantes.

Estamos com isso formando uma geração cujo futuro ainda não sabemos como será, pois nessa roda-viva de os prepararmos para os desafios do amanhã, já apresentamos isso a eles desde cedo. Mas como será que ficará suas cabecinhas quando crescerem? Serão felizes? Olharão para trás e terão boas lembranças? Será que lembrarão dos momentos tranqüilos, de ócio, de brincar? Isso o futuro nos dirá.

Tanto reclamamos da correria do mundo moderno, da rapidez que somos obrigados a seguir, que não nos damos conta de que o ócio é importante, o parar é fundamental! Se para os adultos isso faz tanta falta, o que dirá para os pequenos? Muitas das crianças de agora, não sabem, nunca foram apresentadas, ao “nada fazer”, que na verdade é um momento tão profícuo, onde a imaginação, o pensamento tem uma excelente oportunidade para atuar. E até criar. O que seria da humanidade se Newton não tivesse, em um momento de parada, ficado embaixo da macieira e uma maçã não tivesse caído em sua cabeça? Hoje em dia ele, provavelmente não teria esse tempo, ou se tivesse talvez estivesse com um celular, ou tablet a tiracolo utilizando-o, sem observar a natureza e seu trabalho.

E com isso o tempo passa (cada vez mais rápido, por sinal) e a infância vai ficando para trás. E o tempo de brincar, de poder imaginar, desenhar, criar, curtir o que falta ainda de responsabilidade vai sendo cada vez mais preenchido com afazeres sem fim, que não garantem a felicidade, a leveza, a tranqüilidade que uma infância deve ter. Temos a tendência de pensar que crianças não têm problemas, que ser criança é fácil. Mas não é. Dos 0 aos 3 anos quantas coisas são aprendidas! De nascer, respirar, falar, mamar, comer, andar, se relacionar e por aí vai. De 3 aos 6, outras tantas e assim por diante. São muitos os desafios, aprendizagens, desenvolvimentos na infância. E com tudo isso ainda lotamos as vidas dos pequenos com tantas aulas e atividades.

Muitas das atividades, das aulas e da rotina são fundamentais e devem mesmo ser seguidas e ensinadas, afinal, quando estiverem adultos não terão mesmo tempo para muito. E diga-se de passagem, nem mesmo capacidade. Uma criança aprende com muito mais facilidade a andar de bicicleta do que um adulto, por exemplo. O mesmo para a natação e por aí vai. Mas e esse excesso? Não será uma onda? Uma moda, uma mania? Já que o filho do meu amigo, vizinho, colega da escola de meu filho, faz determinada tarefa, não deveria meu filho também fazê-la, para que no futuro não “fique atrás”. É como uma bola de neve, que quando começa a rolar é impossível ser parada e nela somos engolidos.

Mas podemos também pensar, cada um é cada um. Meu filho é meu filho. E o que quero para ele é que seja feliz (como se isso fosse fácil). Se pararmos para olhá-lo, nas suas necessidades, nas suas vontades, nas suas capacidades, que são únicas dele, perceberemos que sua agenda também deve ser única, e não de acordo com os outros, ou com o que o mundo impõe. Claro que não é o caso de deixá-lo ficar atrás dos demais. Há muitas competências que têm que ser desenvolvidas de fato. Até pouco tempo falar inglês, por exemplo, era um diferencial. Atualmente, é uma necessidade, é padrão. Mas será mesmo necessário que seu filho estude inglês, espanhol, francês, ao mesmo tempo que tem aulas de esporte, de desenho, de teatro?

É para se pensar. Para se dosar. Para rever critérios. Até mesmo para que a decisão de criar uma agenda corrida e cheia para os filhos seja a decisão tomada, mas de forma consciente. Vamos utilizar critérios próprios, olhar para os pequenos, para a importância da infância, para a necessidade do brincar, do não fazer nada, do ficar, até mesmo vendo televisão! Que tal aproveitar esse início de ano para rever as posições e viver com menos estresse?

 

Letícia Rangel

Letícia Rangel

Letícia Rangel é psicóloga clínica, com especialização em Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae e Conexão Lacaniana. Ex-membro do grupo de estudos do Instituto Praxxi- Centro de Estudos dos Sintomas da Contemporaneidade. E mãe.

deixe uma mensagem O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

mensagem enviada

  • Debora disse:

    Amei o texo muito bom realmente é isso que acomtece.

  • Simone Maria Lima Monori disse:

    Sempre me pautei pelo desenvolvimento dos meus filhos priorizando o ser criança. Tempo livre era fundamental. Quando viajávamos lembro que na volta eles precisavam de um ou dois dias em casa para simplesmente ficar no quarto, curtir os brinquedos, os jogos ou “fazer nada”. Hoje aos 20 e 18 anos os vejo dando valor ao que tem valor. Dos compromissos educacionais e profissionais aos amigos e família na média certa.

  • Rosemeire disse:

    Adorei esse texto! Muito lúcido e sensato! Será que estamos criando crianças felizes ou futuros adultos estressados e competitivos? É pra refletir mesmo….

posts relacionados

INICIATIVAS DA FUNDAÇÃO JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL
Sabará Hospital Infantil
Pensi Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil
Autismo e Realidade