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DESENVOLVIMENTO E ESTIMULAÇÃO DA CRIANÇA PEQUENA
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DESENVOLVIMENTO E ESTIMULAÇÃO DA CRIANÇA PEQUENA

DESENVOLVIMENTO E ESTIMULAÇÃO DA CRIANÇA PEQUENA

28/09/2016
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No dia 22 de setembro de 2016 fiz, em nome do Instituto Pensi, a palestra “Desenvolvimento da criança e estimulação precoce: Educação, vínculo familiar e neurodesenvolvimento”, aos participantes do Curso de Imersão “1000 dias de nutrição em um dia de conhecimento”, promovido pela Danone, no Hotel Transamérica, São Paulo. O desenho acima ilustra, de fato, os pontos mais importantes de minha fala e que serão resumidos aqui.

Os primeiros 1000 dias de vida de uma criança são o resultado aproximado da conta: 270 (gestação) + 365 (primeiro ano) + 365 (segundo ano). Tem-se como certo, hoje, do ponto de vista de evidências científicas cada vez mais consolidadas, que esses são os dias mais importantes ao desenvolvimento da criança, considerando suas repercussões, positivas ou negativas, ao longo de sua vida, tanto do ponto de vista da saúde, como da educação e das possibilidades de participação social e cultural.

Repercussões positivas, se a criança tiver o ótimo para suas possibilidades de desenvolvimento. Repercussões negativas, se essas possibilidades por diferentes razões não puderem ser oferecidas ou se o forem em condições mínimas ou adversas. Tais repercussões são entendidas como transformações ou modificações diárias observáveis, por exemplo, no aumento do peso ou da altura, ou, então, na melhoria ou aperfeiçoamento dos recursos de interação com as pessoas, as coisas e o mundo (olhar, sorrir, pegar, mamar, comer, ouvir, tocar, cheirar, bater, empurrar, engatinhar, andar, falar). Mas, se essas repercussões ou transformações são observáveis nas crianças, elas em muito se devem à qualidade e à quantidade dos estímulos que recebem, ou não, em favor disso.

Nosso organismo pode-se dizer está preparado para responder aos estímulos, isto é, reagir a eles, modificando-se, tomando decisões ou fazendo escolhas, aproximando-se, afastando-se, protegendo-se de modo a os assimilar em função de suas necessidades e possibilidades de acomodação, isto é, de adaptação. As palavras que melhor resumem essas conquistas evolutivas da criança face aos estímulos que recebe são crescimento (do corpo e seus órgãos, em especial o cérebro) e aprendizagem (dos esquemas de ação e representação), ambos indicadores de processos de desenvolvimento ou neurodesenvolvimento.

As fontes dos estímulos que promovem – ou perturbam – o desenvolvimento da criança pequena são pelo menos cinco:

1- A própria criança pelo efeito de suas ações e reações nas trocas com as coisas e as pessoas;

2- Os objetos que informam, ao serem de forma sensorial ou motora assimilados pela criança, suas características (cor, forma, gosto, temperatura, consistência) ou funções (para brincar, olhar, lamber, comer, bater);

3- As outras crianças, por suas ações e reações;

4- Os adultos, de quem dependem literalmente para sobreviver e se desenvolverem;

5- O ambiente ou o contexto em que vivem por suas qualidades positivas, ou negativas.

Na palestra, enfatizamos sobretudo a quarta fonte de estímulos ao desenvolvimento, ou seja, o papel dos adultos e o valor da qualidade e quantidade dos estímulos que oferecem às crianças pequenas, sobretudo se forem responsáveis direta ou indiretamente por elas. É que todas as crianças, principalmente quando estão vivendo seus primeiros 1000 dias, dependem de seus cuidados e do que fazem, ou não, em favor do que é melhor para elas.

Pensem, por exemplo, na importância do zelo de uma gestante ao cuidar de sua alimentação, ao evitar o uso de álcool ou fumo, ao fazer visitas regulares e seguir orientações dos médicos que consulta, ao evitar formas de estresses que prejudicam a ela e ao filho que traz em sua barriga. Nunca é demais repetir que as crianças são dependentes dos adultos que decidem por sua vida e que cuidam dela nos tempos mais importantes de seu desenvolvimento e maturação. Mas, nunca é demais também repetir que esses mesmos adultos tantas vezes, e muitas vezes sem o desejar, só podem oferecer estímulos tóxicos ou negativos ao desenvolvimento.

Negligência, abuso, irregularidade na forma de tratamento, doença física ou mental, falta de oportunidades de trabalho, ambiente sujo e perigoso são alguns exemplos de comportamento ou condição de vida que prejudicam ou impedem que adultos possam oferecer condições (estímulos) favoráveis ao desenvolvimento de seus filhos. Daí que o importante é estimular sim, mas de forma benéfica e condizente com a sensibilidade ou possibilidade de reação das crianças. Por isso, um mesmo estímulo (por exemplo, altura e fonte de um som) pode ser positivo (a criança reage bem a ele) ou negativo (a criança chora, se encolhe ou evita).

Pesquisas científicas indicam que o aleitamento materno, nos primeiros seis meses de vida, e que quantidade, qualidade e forma de introdução dos alimentos nos meses seguintes são fundamentais e se correlacionam positivamente com o desenvolvimento cognitivo das crianças pequenas.

Em nossa fala, comentamos que o próprio ato de se alimentar da criança é, ele mesmo cognitivo, isto é, fonte de conhecimento para ela, pois implica aprender ou aperfeiçoar ações de natureza afetiva (pelos vínculos que constrói em relação à fonte dos alimentos), mas igualmente cognitiva. Ordenhar (a mama), saborear, escolher, experimentar, ordenar (seguir uma sequência ou ordem), conhecer (sensorialmente) a temperatura, o gosto, a consistência, o peso, a forma são exemplos, para ficar apenas com essa lista, do se alimentar ou comer como experiência cognitiva.

Finalmente, quando nos perguntaram sobre o que é mais importante enquanto cuidado, que favorece ou estimula os processos de desenvolvimento da criança pequena, dissemos que talvez ele pudesse ser resumido em “amor” ou em  “amar”. Um amor ou amar que na prática, isto é, nas ações concretas possam corresponder à experiências positivas para a criança ao se sentir junta, importante para, incentivada, olhada, informada, compartilhada, brincada, alimentada, protegida por aqueles de quem dependem e com quem, interagindo com eles, se sentem bem vindas ao mundo do qual agora fazem parte. Um mundo que, quando se tornarem adultas, dependerá do que, do quanto e do como puderem fazer em favor dele.  

Lino de Macedo

Lino de Macedo

Professor Doutor Lino de Macedo Assessor de psicologia e educação do Instituto Pensi e Hospital Infantil Sabará

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