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A difícil e fundamental arte de dizer: não!
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A difícil e fundamental arte de dizer: não!

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12/11/2013
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É realmente mais fácil concordar, mas não permitir também é uma forma de educar

dizer não para a criança

Já pararam para pensar como é difícil dizer não a um filho(a)? Dá um trabalho… O ato gera birras, caras feias, manhas… Mas como é importante! Criamos os filhos(as) para a vida e ela, muitas e muitas vezes, nos diz não. Há muitas coisas que simplesmente não são permitidas e temos que lidar com isso. Como aprender? Por meio da negação, da privação e da frustração. Queremos que nossos(as) filhos(as) tenham sempre tudo, mas não é possível. Ao permitirmos tudo, ao dizermos sempre sim, ensinaremos que na vida tudo pode e que a vida tudo nos propicia. Mas isso não é verdade.

A criança, ao ir para a escola, parquinho, casa de amigos, por exemplo, passará por situações em que o brinquedo que quer lhe será negado. E essa criança tem que ter instrumentos psíquicos para poder saber lidar com isso. Como? Ao ser ensinada que a palavra “Não” existe.

É desgastante, requer tempo, ensinamento, diálogo e paciência (nesse último, de ambas as partes). Na maioria das vezes, é realmente mais fácil concordar, permitir, afinal, depois de um dia cansativo, ter que lidar com stress em casa é a última coisa que queremos. Mas educar é isso. É uma constante. É um processo que não permite que deixemos para depois. E educar também é dizer não.

Atualmente, vemos uma crescente queixa em vários níveis (escolar, familiar, social…) de falta de limite infantil. Estão sendo criados “monstrinhos” que não obedecem e que, ao menor sinal de contradição, se rebelam e tornam a convivência difícil. São efeitos da falta de tempo, da falta de não.

Paremos para pensar: limite é uma linha invisível que impede. E quantas linhas invisíveis existem no mundo? Não podemos simplesmente sair nus por aí. Não podemos dizer tudo o que queremos a todos. Essas são algumas das linhas invisíveis da vida. Como as adquirimos? Aprendendo que nem tudo é possível. Esse aprendizado pode ser mais doloroso ou mais suave. Uma criança que sempre pode tudo, ao se deparar com uma linha invisível sofrerá. Já outra que, aos poucos, aprendeu e viveu a frustração, passará por isso de forma mais natural.

Proibir, dizer não, dá também segurança. Limite é uma forma de delimitar, e delimitar dá segurança. A criança não se sente tão solta, tão perdida. Sabe que está protegida, como também que tem alguém zelando por ela, por sua saúde, por sua integridade física e também psicológica. Sabe que não corre perigo. Mas, acima de tudo, e isso é o mais importante, sabe que é amada, pois é cuidada! Muitas crianças, e falo porque já ouvi isso pessoalmente, se queixam por terem pais muito permissivos, pois, ao olhar delas, estes não estão preocupados com ela. Ou pior, não se dão ao trabalho de zelar por elas, deixando-as livres demais.

Isso não quer dizer, por outro lado, que o não deve estar presente sempre. Não. O não deve ser usado na hora certa. Há coisas que são permitidas sim e o sim deve estar tão presente quanto o não. Equilíbrio é fundamental. Uma criança que só ouve não crescerá frustrada, infeliz e insegura também, achando que nada em sua vida é possível, e que nunca alcançará o que deseja. Uma derrota de início.

É bom ter sempre em mente que tudo, o sim ou o não, deve ser sempre acompanhado de carinho e atenção. O sim também é importante e essencial. É um exercício, requer vontade e, acima de tudo, amor. Educar é querer o melhor para seu filho(a). É prepará-lo(a) para a vida. E a vida pode ser bonita e pode ser dura. A maneira como ele(a) a encarará e vivenciará vai depender, sobretudo, dos instrumentos que adquiriu e esses cabem aos pais lhe fornecer.

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Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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