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Compreendendo o nascer e o morrer
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Compreendendo o nascer e o morrer

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10/07/2013
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A experiência do morrer faz parte ou devia fazer parte do nosso cotidiano

Compreendendo o nascer e o morrer

Nascer e morrer são as duas condições básicas de nossa vida. Quem nasce, há de morrer. Esta evidência, contudo, não tem prazo marcado para ocorrer, nem forma definida de acontecer. Não faz muito tempo por aqui e, ainda hoje em muitos lugares, que as crianças eram as que mais morriam. A falta de vacinas e de antibióticos, e a pobreza das condições de alimentação e dos cuidados, impediam que muitas alcançassem os sete anos de idade. Hoje, felizmente, esse evento torna-se cada vez mais raro e muitas delas, apesar das limitações de saúde, experimentam a vida por muitos e muitos anos.

No entanto, a experiência do morrer faz parte ou devia fazer parte do cotidiano de nossa experiência do viver. Os dias, sucessivamente, começam e terminam. As flores mais viçosas, não importa os nossos cuidados, duram poucos dias. A TV mostra quotidianamente cenas de morte de muitos tipos e causas. As doenças nos lembram de que vida e saúde são bens raros.

Os animais de estimação, os avós, os pais ou os parentes mais velhos das crianças ficam doentes, morrem. Amigos e pessoas queridas viajam ou se mudam para outros lugares, e é como se nunca mais fossem voltar. Brincadeiras, passeios e comidas começam e terminam, mesmo contra a nossa vontade. Pessoas e coisas se afastam, se perdem, se quebram. Morrer é uma experiência de descontinuidade, de impermanência. É aquilo que sobrevém necessariamente ao êxtase, ao encontro.

Sofremos com a morte porque queremos controlá-la, e o continuar vivo ou o ter por perto se apresentam como provas disso. Mas, a cada dia, nossa vida se esvai como a matéria de uma vela consumida pela chama que nos traz luz e calor. Nosso corpo se modifica sem parar, a cada dois ou três meses nossas células se renovam, mas nem sempre com a mesma quantidade e poder funcional. Até o respirar, a energia mais indicativa da vida, também pode ser uma experiência de morte se observarmos o círculo terminável de inspirações, pausas e expirações. Assim, amar a vida é não temer a morte, porque ambas são a dupla face de nossa mesma e querida condição. No entanto, choramos a morte e sempre a vemos de modo trágico e sofrido.

Penso que as crianças, tal como todos nós, deveriam aprender com a interdependência entre o viver e o morrer, seja no pequeno de cada dia ou de cada respiração, ou no grande do nunca mais. Outra coisa: talvez fosse bom que aprendêssemos a não falar dos ou pelos mortos, de lhes conceder um silêncio digno, pois eles não podem mais nos responder.

E, se formos falar deles, talvez o melhor seria para reverenciar, esquecer, perdoar ou compreender o que foram para nós e para si mesmos. Enfim, se não decidimos o nosso nascer, tampouco temos o poder de impedir o seu morrer. Daí que tudo o que nos resta é a alegria da travessia, do compartilhar amor e dor, do ir e vir de nossas presenças e ausências.

dr_lino

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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