PESQUISAR

Sobre o Centro de Pesquisa
Sobre o Centro de Pesquisa
Residência Médica
Residência Médica
Como desenvolver a resiliência nas crianças
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp
Como desenvolver a resiliência nas crianças

Como desenvolver a resiliência nas crianças

06/01/2021
  846   
  0
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp

Como pais, queremos proteger nossos filhos de testemunhar o medo e a incerteza, principalmente agora, nestes tempos da pandemia Covid-19. Gostaríamos de ter evitado a interrupção em sua educação, suas atividades e seus relacionamentos afetivos. Também gostaríamos que eles nunca fossem expostos ao sofrimento.

Nós não podemos controlar estas circunstâncias, mas é possível trabalhar para fortalecer nossas relações ajudando na construção de resiliência dos nossos filhos. Podemos lembrar de dizer aquilo que ouvimos dos nossos pais ou avós: “Isto também passará, e você vai passar por isso comigo ao seu lado”.

A melhor maneira de proteger nossos filhos é moldar as lições aprendidas durante esse período difícil. Fazemos isso melhor quando gerenciamos intencionalmente nossos próprios sentimentos e experiências, com o objetivo de ajudá-los a construir resiliência.

Abaixo estão alguns dos sentimentos que muitos de nós estamos experimentando nesta fase de isolamento social, juntamente com a chance que temos de modelar e ensinar habilidades de resiliência para toda a vida.

1- “Sinto que estou falhando”
Aprendendo a perdoar a si mesmo
A perfeição não é uma opção aqui. Saiba que se você se perdoar e se concentrar no que há de bom em si mesmo agora, por meio da autocompaixão, seu filho aprenderá a ser um pouco mais gentil consigo mesmo. Essa é uma proteção vitalícia.

2- “Meus filhos estão frustrados e eu também”
Aprendendo a ter empatia
Uma das coisas mais respeitosas que podemos fazer é entender genuinamente o ponto de vista de outra pessoa. A melhor maneira de crianças obterem essa perspectiva é se beneficiando dela em primeira mão. Você constrói a empatia pelos outros ao trabalhar para compreender seus pensamentos, sentimentos e comportamentos.

3- “Não sei como lidar com o que sinto”
Processando e liberando emoções
Uma época de incerteza com emoções intensas é a hora de mostrar que elas não devem ser ignoradas. Nossos filhos devem aprender conosco que ter emoções é bom, falar sobre elas é necessário e ser honesto com elas é curativo.

4- “Eu quero arrancar meus cabelos”
Criando um porto seguro em nossas casas
Você pode amar seu filho e às vezes ainda ter vontade de arrancar os cabelos. Todos nós temos dias ruins, em que a carga de estresse é alta – e agora está bem alta. Não podemos controlar o mundo exterior, mas criamos santuários dentro de nossas casas. Com paz em nossas casas, podemos lidar melhor com o mundo exterior.

5- “Eu preciso de um tempo”
Ser uma presença calmante para os outros
Em momentos em que o futuro não está claro e nossas mentes começam a correr em direção a cenários piores, a presença de uma voz tranquilizadora faz toda a diferença.

6- “Não sei como responder”
Aprendendo a ser claro e honesto consigo mesmo e com os outros
Diga o que você sabe. Admita o que você não faz e não sabe.

7- “Minha mente está fora de controle”
Mantendo a saúde física, fortalecemos a saúde emocional
Corpos fortes apoiam nossas mentes para melhor navegar nas circunstâncias que enfrentamos. Diga em voz alta: “Não posso simplesmente ficar sentado no sofá o dia todo. Eu vou fazer exercícios. Se eu não cuidar do meu corpo, não consigo me concentrar também”.

8- “Eu fico pensando no pior cenário possível”
Aprendendo a ficar presente e a viver na realidade
A incerteza pode fazer nossas mentes correrem para o pior resultado possível. Capture esses pensamentos e diga: “Estou imaginando o pior. Deixe-me focar no que realmente está acontecendo”. Os jovens podem presumir o pior porque ainda não tiveram a experiência de saber que as crises vêm e vão. Diga que eles podem superar o momento difícil com você ao lado deles.

9- “Sinto-me desamparado”
Encontrando o que você pode fazer
Poucas coisas geram mais desconforto do que a sensação de que há muito o que fazer – ou mesmo de que não há nada que se possa fazer. Poucas coisas restauram mais o conforto do que lidar com o que você pode. Modele a importância de uma das palavras mais calmantes: ainda. Um “eu nunca” pode se transformar em “eu não… ainda”. Não aceite o fracasso ou a decepção como permanente, mas sim veja os retrocessos como oportunidades para tentar novamente.

10 – “Eu não consigo fazer tudo”
Aprendendo a deixar ir
Fique saudável, forte e compassivo. Cuide daqueles que são vulneráveis. Deixe os membros da família saberem que são preciosos. Faça o que for necessário para manter um teto sobre sua cabeça e comida na mesa. Tudo o mais pode esperar.

11- “Estou tão decepcionado”
Encontre alegria, preste serviço e mantenha o propósito
Ajude seus filhos a enxergarem a diferença que podem fazer na vida de outras pessoas e como é bom prestar serviço. Isso pode aumentar sua própria resiliência porque eles aprenderão a alegria de dar. Mais importante, eles aprenderão que não há pena em receber.

12 – “Eu tinha tantos planos que não estão dando certo”
Quando você não pode mudar as coisas, adapte-se
Muitos de nossos planos não estão funcionando. Concentre-se no que você pode tornar realidade e no que pode fazer.

13- “Tenho saudades da minha família e dos meus amigos”
Entendendo que relacionamentos nos fortalecem
Este é um momento de definição geracional. Se esta geração aprender que quando os tempos ficam difíceis, as pessoas se unem, será a geração que pode nos conduzir a um futuro melhor compartilhado – em que manteremos os que amamos mais perto e ofereceremos aos mais vulneráveis o apoio extra que merecem.

14- “As coisas serão sempre as mesmas?”
Aprendendo a manter a esperança
A resiliência é mais do que uma recuperação. É sobre adaptação. Sobre crescer e tornar-se mais forte. Estar pronto para o próximo desafio, mas também para saborear tudo de bom que a vida tem a oferecer. Espero que, no momento em que você estiver lendo este texto, os tempos mais difíceis tenham passado. Mas também espero que essas lições durem.

A incerteza é assustadora, mas saber que não estamos sozinhos para descobri-la traz conforto. Qualquer indivíduo sozinho é vulnerável, mas juntos somos mais fortes do que a combinação de cada uma de nossas forças individuais. As pessoas juntas podem se revezar entre extrair força de outras pessoas e ser uma fonte de força. Nós vamos superar isso quando estivermos juntos.

Saiba mais:

Estresse, resiliência e papel da ciência: resposta à pandemia do Coronavírus

Parentalidade em uma pandemia: dicas para manter a calma em casa

Problemas familiares: aprenda a lidar com doença crônica ou deficiência

Irmãos de Crianças com Doença Crônica ou Deficiência: O que fazer?

Fonte: Ken Ginsburg, MD AAP book, “Building Resilience in Children and Teens”, 4th Edition

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

deixe uma mensagem O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

posts relacionados

INICIATIVAS DA FUNDAÇÃO JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL
Sabará Hospital Infantil
Pensi Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil
Autismo e Realidade