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Distúrbios do sono em crianças: como os pais podem ajudar?
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Distúrbios do sono em crianças: como os pais podem ajudar?

Distúrbios do sono em crianças: como os pais podem ajudar?

08/05/2020
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Atualmente, os distúrbios de sono estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios pediátricos. A maioria desses problemas inclui dificuldade de iniciar o sono, despertares noturnos por pesadelos, roncos, apnéia noturna, respiração oral ou ruidosa e relutância em ir para a cama.  A dificuldade de dormir na infância não deveria nos surpreender, considerando que nós mesmos adotamos rotinas desorganizadas, nas quais priorizamos as atribuições e compromissos em detrimento à nossa saúde e bem-estar.

Muitas vezes, a agenda das crianças reproduz o atribulado dia a dia dos pais, com inúmeros cursos, atividades extracurriculares, além das tarefas de casa. Assim, frequentemente nos deparamos com crianças ansiosas, irritadas e cansadas, mas que não conseguem dormir.

A dificuldade em manter uma boa noite de sono, principalmente no período de confinamento em função do coronavirus que estamos vivendo, pode se agravar em situações de mudança de rotina, tensão e estresse. A instabilidade desse momento reflete diretamente nas relações e na rotina de toda a família e, assim, a noite dos pequenos pode ficar ainda mais atrapalhada. No entanto, uma boa noite de sono é essencial para saúde da familia toda. Particularmente para as crianças, dormir bem ajuda na concentração, memória, aprendizado e tem impacto na saúde física e emocional. Há fortes evidências de que os distúrbios do sono estão estreitamente relacionados à obesidade infantil, dificuldade de aprendizagem, depressão e hipertensão infantil.

Para cada estágio da infância há um tempo adequado de sono por dia, compatível ao estágio de desenvolvimento neuro-psicomotor. Bebês recém-nascidos não diferem noite e dia, passam quase a totalidade de um dia dormindo, despertando para mamar em média 12 vezes ao dia. Pré-Escolares e Escolares precisam dormir ao menos 10 e 9 horas, respectivamente. Na adolescência, o ideal é que a noite de sono dure 8 a 10 horas.

Os cuidados com o sono exigem, acima de tudo, o estabelecimento de uma rotina adequada. Com consistência e disciplina, práticas que preparem os pequenos para o descanso devem ser estabelecidas como hábito, na forma de “rituais”. Essas práticas são nomeadas “higiene do sono” e precisam ser individualizadas e viáveis para o contexto de cada família. De forma geral, algumas medidas simples servem de ponto de partida, por exemplo, desligar as telas (tablets, TV, celulares) ao menos 60 minutos antes da hora de dormir e aumentar o tempo de lazer ativo durante o dia.

Além disso, também é importante evitar refeições copiosas próximas ao horário de dormir e manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia, restringindo o consumo de alimentos que contenham cafeína e muito açúcar.

Considerando a grande prevalência de distúrbios do sono em idades precoces da infância, a Academia Americana de Pediatria desenvolveu um ritual simples de higiene do sono para orientação das famílias que consiste em “4Bs”:

  1. BATH (banho): um banho morno antes de dormir é bastante relaxante. Massagens com hidratantes após o banho aliviam o estresse, protegem a pele do bebê e previnem as cólicas.
  2. BRUSH (escovação dos dentes): importante desde o surgimento do primeiro dente de leite! Usando a escova e creme dental adequado para a idade, o momento é também educativo.
  3. BOOK (livros): brincadeiras muito agitadas não são adequadas antes de dormir. A leitura de um livro ou contação de história são mais apropriadas para esse momento do dia.
  4. BED (hora de deitar): o quarto e a cama precisam estar organizados. A criança pode escolher um conforto “favorito” para levar para a cama naquela noite, como uma pelúcia ou uma fralda de pano.

Para garantir um sono seguro e prevenir a morte súbita do lactente, a recomendação universal é de que os bebês durmam sempre de barriga para cima em superfície plana e firme. Esta é a posição que lhes confere os mecanismos de defesa necessários contra eventuais episódios de regurgitação ou refluxo e previne os acidentes durante o sono. Além disso, recomenda-se que o bebê não durma na mesma cama dos pais, nem com excesso de roupas, o que pode levar ao superaquecimento. Também é importante eliminar qualquer objeto solto no berço (almofadas, travesseiros, pelúcias) e atentar para presença de cordas e fitas em acessórios ou roupas.

O aprendizado de hábitos e práticas saudáveis na infância exige paciência, persistência e amor dos pais e cuidadores. Dificuldades com o sono que persistam apesar das medidas de higiene do sono devem ser direcionadas ao pediatra para que seja afastado qualquer problema de saúde ou complicação, prevenindo agravos futuros e garantindo o bem-estar da criança.

Saiba mais:

Como lidar com o estresse infantil durante a pandemia da Covid-19?

Nathalia Gioia

Nathalia Gioia

Pediatra do Núcleo de Nutrologia e Metabolismo do Instituto PENSI

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