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Já não se fazem mais crianças como antigamente
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Já não se fazem mais crianças como antigamente

Já não se fazem mais crianças como antigamente

14/04/2016
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O mundo mudou, tem mudado a cada segundo e tudo está acontecendo muito rapidamente. Tomando emprestado um verso do Renato Russo, do Legião Urbana, “…o futuro não é mais como era antigamente…”, eu quero falar dessas crianças que estão cada vez mais precoces. Elas já não são mais, como eram antigamente.

Não saberia dizer se essa mudança no comportamento infantil é para melhor ou para pior, porque os paramentos para ideias diferentes passam por revermos nossos conceitos de premissas arraigadas há muito tempo em nossa alma ou no nosso coração, mas quero crer que seja para melhor, a evolução tende a ser para melhor.

Outro dia no consultório, uma pacientezinha, a Lili, me perguntou: “Tio Reynaldo, quanto você ganha por mês”? Surpreendi-me, “você quer saber o meu salário”? Expliquei a ela que trabalhando em um consultório a renda é sempre variável, pois depende da época do ano, se as crianças estão em férias, se estão em período de provas, se está frio ou calor, se o carro do pai ou da mãe não quebrou no dia da consulta, porque o maior índice de carros quebrados no mundo é o dia de vir ao dentista. Acontece mais do que enterro de tia do quinto grau.

Perguntei-lhe porque ela queria saber daquilo e ela disse que estava na dúvida entre ser professora, médica ou dentista. E que queria ganhar muito dinheiro. Falei que ela deveria pensar bem e deixar o coração dela decidir. As três profissões são muito bonitas, mas todas exigem muita dedicação, estudos e principalmente amor pelo que se faz. O dinheiro era importante, mas não era o essencial. E vejam que uma criança já está preocupada com o dinheiro, são outros tempos.

Não é comum encontrarmos crianças com essa desenvoltura, tá certo que a Lili é linda, articulada, com um sorriso encantador, mas ainda assim, uma criança.

Hoje as crianças chegam ao consultório portando tablets, smartphones, sabem mexer nesses aparelhinhos com uma facilidade enorme, até mais que eu. Outro dia meu irmão estava com a netinha de quatro anos brincando de joguinhos no tablet, eles se divertiram até altas horas e depois foram dormir. No dia seguinte minha cunhada acordou mais cedo para fazer o café e logo depois a Clarinha acordou, pegou o tablet, ligou e foi jogar sozinha. Como assim? Quem ensinou para ela a senha do aparelho? Ninguém, a espertinha só de ficar olhando guardou o número que meu irmão digitava e ligou o tablet.

A criançada está precoce, muitos já aprendem inglês desde a mais tenra idade, outras fazem esportes em alto estilo, tocam instrumentos e tenho pacientes que mal sabem escrever o nome e já participam de competições de kart.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu quero saber, essa molecada esperta, antenada, midiática, sabe escovar os dentes, sabe usar o fio dental? Tenho minhas dúvidas. Com o desenvolvimento infantil, que é muito bem-vindo, esquecemos as vezes que, crianças são crianças. Não adianta colocarmos tarefas para elas, se elas ainda não têm competência para exercer.  

A lição de casa e as notas na escola estão boas? Você cobra se ela cuida dos afazeres domésticos, como guardar as coisas, arrumar a cama? E os cuidados de higiene, a criança toma banho sozinha? Algumas situações com o tempo vão se ajeitando, mas sob supervisão dos pais. Porém escovar os dentes e usar o fio dental necessita de supervisão constante. Outro dia no consultório uma mãe me disse que o filho de seis anos já sabia escovar os dentes sozinho. Lamento informar, mas não sabe. E nem a importância dos cuidados da saúde bucal. As técnicas de higiene bucal são complexas e exigem uma habilidade que os pequenos não têm e muito menos interesse em ter. O vídeo game e as brincadeiras são mais interessantes para eles.

Então meus queridos pais, por mais que a turminha esteja em um patamar muito acima de quando éramos crianças, não podemos tapar o sol com a peneira (essa frase também é antiga). Acompanhar os pequenos nos cuidados com a saúde bucal ainda é um ato de antigamente. Pode ser antigo, mas produz sorrisos especiais no futuro e economia no presente.

Para completar apenas mais uma palavrinha que a Lili falou e me encantou: “Tio Rey, eu quero ser FELIZ”.

Todos queremos Lili, todos queremos.

Jose Reynaldo Figueiredo

Jose Reynaldo Figueiredo

Formado há 35, José Reynaldo Figueiredo é pai da Marina e do Lucas. É responsável pela Clínica Sorrisos Especiais (sorrisosespeciais.com.br). Presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais - ABOPE. Especialista em Odontopediatria, Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e Implantodontia. Mestre em Odontologia Social e Doutor em Ciências Odontológicas, pela FOUSP. Escreve para o Portal Local Odonto, adora correr maratonas e ser dentista de crianças.

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