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Mães que maltratam seus filhos
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Mães que maltratam seus filhos

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10/09/2012
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Pais e responsáveis que agridem os pequenos, muitas vezes, sentem insegurança e sentimento de impotência frente aos cuidados com as crianças

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“Vim aqui porque me denunciaram… Não aguento minha filha… ela só apronta, malcriada, só vem reclamação da escola, não dá! Eu meto a mão. E agora que ela tá maiorzinha, deu de me enfrentar! Aí eu perco a cabeça, pego a primeira coisa que tiver perto. É cinto, chinelo, vassoura, eu nem penso… Meu pai me batia de cinto… do lado da fivela, ainda, e eu nem ia mal na escola! Eu gostava de lá, era quando ficava longe das brigas em casa… Eu queria ser professora, até. Agora, minha filha vai jogar fora os estudos? Não vai, não!!! Aí vem alguém que não sabe nada da minha vida, não sabe o que eu passo pra cuidar dessas crianças e me bota o juizado em cima. Vem a conselheira me dizer que não pode bater, que eu tenho que achar outro jeito de educar. E tem outro jeito, doutora? Diz que é pra conversar. E criança escuta mãe? Só quando quer alguma coisa!

Mariana vai contando sua estória com um misto de constrangimento e alívio. Finalmente, depois de muitos “descontroles” e surras na filha mais velha, de 8 anos, alguém segurou sua mão. Finalmente, ela pode falar de suas expectativas frustradas, das surras que levou na infância, de sua impossibilidade de manter controle sobre o que acontece com os filhos e ela mesma, da sua dificuldade de transmitir algo diferente daquilo que aprendeu.

Mariana, por incrível que pareça, teve sorte. E seus filhos também. Freada e amparada por um sistema de proteção à infância e adolescência, ela e seus filhos têm agora a chance de quebrar o ciclo de violência dentro da família e tornar seus vínculos intrafamiliares e sociais mais saudáveis.

Mas nem sempre é assim. Em muitas famílias o silêncio prevalece: mães e pais espancam seus filhos, abusam sexualmente, humilham ou negligenciam sob o olhar cego, assustado, impotente ou complacente de vizinhos, professores e profissionais de saúde. E com consequências que variam da baixa autoestima à depressão e abuso de drogas; da agressividade à delinquência; de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e AIDS à gravidez precoce e tentativas de aborto; dos hematomas à morte.

Foram notificados 20.757 casos de violência doméstica, inclusive fatal, contra crianças e adolescentes no Brasil, em 2003 (LACRI/USP); mais de 60% dos abusos sexuais ocorrem dentro dos lares e a violência física é perpetrada principalmente por pais e mães.

Poucos destes pais, mães ou responsáveis que agridem seus filhos fazem-no devido a distúrbios psiquiátricos. Muitos agridem reagindo a sentimentos de insegurança e impotência diante das demandas da maternidade/paternidade, revelando desconhecimento acerca do desenvolvimento da criança e do adolescente e despreparo para o papel parental. Muitos vivem em isolamento social e com pouca interação com família extensa. A maioria deles desempenha bem boa parte de seus papéis sociais. Entretanto, a maioria tem em sua história pessoal a experiência de terem sido educados com violência e não tiveram sucesso no desenvolvimento da empatia e na aprendizagem do autocontrole necessários a uma educação não-violenta e, portanto, perpetuarão este modelo relacional.

A concepção da infância como “menoridade” e sua consequente pedagogia corretiva cria uma cultura de desigualdade, discriminação, impunidade e violência, na qual estamos todos igualmente inseridos, sem privilégios de classes sociais. Por fim, o silêncio que se fecha em torno da família violenta favorece a reprodução histórica deste fenômeno.

Se todos os pais, mães e responsáveis que maltratam seus filhos necessitam, em maior ou menor grau, dos mecanismos reguladores – as normas e as leis que a sociedade cria – para contê-los, necessitam também, por outro lado, de orientação, apoio e até tratamento psicológico para questionarem e reformularem sua atitude frente à infância e à educação. Precisam ter muito claras as diferenças entre educar e agredir fisicamente, por meio de todas as formas de comunicação e educação possíveis.

Transformar as concepções nas quais estas práticas se assentam não é fruto de mágica. É preciso persistência e conhecimento da dinâmica sócio-psicológica do problema e uma abordagem transdisciplinar tanto profilática quanto terapêutica.

Por Gisela Mattos
Psiquiatra infantil, coordenadora de atendimento do Centro de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV) do Instituto Sedes Sapientiae.

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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mensagem enviada

  • Matheus Vieira Alves disse:

    Pode se dar varias desculpas, mas isso nada mais eh do q pessoas q nao sabem lidar com proprios problemas e q por comodidade, descontam suas frustraçoes em outras pessoas. Ja passei por isso, eh horrivel. se vc esta passando por algum problema, nao eh descontando em alguem q vai se resolver.

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