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Outubro verde: sífilis congênita
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Outubro verde: sífilis congênita

Outubro verde: sífilis congênita

22/10/2019
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Em 1530, o médico italiano Girolamo Fracastoro escreveu um poema épico chamado “Syphilis Sive Morbus Gallicus”, sobre um jovem pastor chamado Syphilis, que deixou o Deus Apolo tão enfurecido que ele o castigou com uma doença desfigurante e repugnante para destruir sua bela aparência, que o autor denominou como a sífilis.

Historicamente não existe uma data precisa sobre o aparecimento da sífilis no mundo. Alguns registros mostram que haviam menções da doença por Hipócrates na Grécia Antiga, em 600 antes de Cristo. Outros diziam que era uma doença antiga no Velho Mundo, mas era confundida com lepra e sofreu mutações que a tornaram mais contagiosa no século 16. Independentemente de sua data de origem, é uma doença que se alastra há milhares de anos, que dizimou grande número de pessoas, e nos anos 30 foi considerada como uma das primeiras causas de demência no mundo. E, apesar de ser uma doença com estratégias de prevenção bem definidas e disponibilidade de tratamento, continua a ser um grande desafio e problema de saúde pública.

Conhecida também pelo nome Lues, é uma doença infectocontagiosa que afeta o corpo humano como um todo, cujo agente etiológico é uma bactéria, do grupo das espiroquetas, de alta patogenicidade denominada pelo Treponema pallidum. É patógeno exclusivo do ser humano.

O modo de transmissão mais frequente na sífilis adquirida é sexual. A transmissão não sexual da sífilis é rara, havendo casos por transfusões de sangue e por inoculação acidental.

Já a sífilis congênita resulta da disseminação, por vias sanguíneas, do Treponema pallidum da gestante infectada não tratada ou inadequadamente tratada para o feto, via transplacentária. A transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gravidez ou estágio clínico da doença materna, por isso a probabilidade de sua ocorrência é variável e suas repercussões dependem do tempo de exposição do feto e do estágio clínico da doença materna. Assim, quanto mais recente a infecção materna não tratada, tanto maior o risco de contaminação e agravos para o feto e o recém-nascido.

 

Sífilis congênita

O terceiro sábado de outubro de cada ano é dedicado para mobilizações do dia Nacional de Combate à Sífilis e a Sífilis Congênita.

Dados da Organização Mundial de Saúde mostraram que ocorreram mais de meio milhão de casos de sífilis congênita (ao redor de 661.000 casos), no mundo em 2016 que resultaram em mais de 200.000 casos de natimortos e óbito neonatal. Somam-se ainda a estas repercussões negativas da sífilis na gestação graves efeitos para os recém-nascidos e crianças com sequelas permanentes e muitas vezes desabilitantes.

As manifestações da sífilis são classificadas como congênita precoce (do nascimento aos 2 anos de idade) e congênita tardia (após os 2 anos de idade).

Sífilis precoce (até 2 anos): é aquela em que as manifestações clínicas se apresentam logo após o nascimento ou pelo menos durante os primeiros 2 anos. Apresenta graus variáveis de gravidade, sendo o quadro séptico o de maior comprometimento para a criança por apresentar anemia intensa, icterícia e hemorragia. Podem ainda estar presentes a este quadro lesões cutaneomucosas, lesões palmo-plantares, lesões ósseas, lesões no cérebro, aumento do fígado e baço e rinites sanguinolentas.

Sífilis tardia (após 2 anos): é a denominação dada a sífilis que ocorre após o segundo ano de vida. Tem semelhança à sífilis terciária do adulto, por se apresentar nódulos muitas vezes delimitados a um órgão ou a pequeno número de órgãos, além fronte proeminente, mandíbula curva, palato alto em ogiva. O achado mais comum nesta fase e a tríade de Hutchinson caracterizada por dentes em forma de chave de fenda, opacificação da córnea com evolução para cegueira e comprometimento do nervo auditivo provocando a surdez.

Porém, toda esta tragédia anunciada pode ser totalmente prevenível, tratada com medicamento de baixo custo e curável durante a gravidez.

As gestantes adequadamente tratadas, concomitante ao seu parceiro tratado, são as únicas formas de evitar a contaminação desta doença, complementada com coleta obrigatória de sorologia de sangue periférico do bebê. Sendo que a alta do recém-nascido da maternidade só poderá ocorrer após o resultado da sorologia, e tratamento adequado, se necessário.

Dra. Márcia de Freitas

Dra. Márcia de Freitas

Dra. Márcia de Freitas é formada pela Faculdade de Medicina de Catanduva em 1985, com residência em neonatologia pelo Hospital Escola Vila Nova Cachoeirinha, mestrado e doutorado pelo departamento materno infantil da Faculdade de Saúde Publica da USP, instrutora do curso de reanimação neonatal pela Sociedade Brasileira de Pediatria, membro do grupo de estudos dos efeitos do álcool na gestante, feto e recém-nascido pela Sociedade Brasileira de Pediatria, membro da câmara técnica de pediatria do Conselho Regional de Medicina de São Paulo e pós graduação em Preceptoria de residência médica por metodologia ativa. Trabalhou por 30 anos na Unidade Neonatal do Hospital Israelita Albert Einstein, por 12 anos na Auditoria do SUS no Ministério da Saúde, por 18 anos no Hospital Infantil Menino Jesus (SP) na área de neonatologia e seguimento de crianças nascidas de risco.

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