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As emoções como janela social
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As emoções como janela social

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23/04/2014
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Será que meu bebê me entende? Será que interpreto corretamente meu bebê?

Humanos são seres sociais e de comunicação. Até mesmo o recém nascido tem uma pré-disposição inata para a sociabilidade. Mas como ela é desenvolvida? Por meio das interações! Quando os bebês começam a perceber, compreender e reagir ao ambiente e às pessoas ao seu redor. Os meios de interação social são as emoções. Suas expressões são o código vital de comunicação. Na medida em que o bebê se desenvolve, entram em campo então os dois lados, as emoções do bebê que passam a ser mais fáceis de ser entendidas pelas pessoas a seu redor, bem como ele passa a compreender melhor as expressões emocionais dos outros. Um choro, uma careta, um sorriso, são sinais significativos que vão sendo interpretados pelos adultos, num processo de troca e conhecimento.

A aflição é a primeira emoção do recém-nascido, demonstrada facilmente pelo choro de fome, dor, incomodo. Um barulho, um desconforto físico, um susto, levam o bebê a pedir socorro por meio de seu choro, alertando os responsáveis a conceder conforto, proteção e segurança. A sensibilidade à tristeza também é uma emoção vivida logo no início da vida, começando a ser sentida entre um e três meses. Essas são muitas vezes repostas à seus cuidadores quando estão tristes ou deprimidos e são expressas pela agitação do bebê ou desvio do seu olhar. O prazer é outra emoção logo experienciada com um pequeno sorriso em resposta a um som tranquilizador, uma barriguinha cheia. À medida em que começa a crescer, as emoções infantis tornam-se ainda mais diferenciadas, especialmente entre seis e nove meses.

Por volta dos cinco meses, os bebês já começam a associar significados emocionais a determinadas expressões faciais, passando a lê-las. Eles começam a perceber as diferenças entre o sorriso de felicidade, a manifestação de insatisfação, os diferentes tons de voz empregados, começando a discernir o agrado do desagrado. Já por volta dos seis meses eles passam a utilizar das referencias sociais, examinando as expressões das pessoas à sua volta. Um olhar de tranquilização, de alarme, de susto, uma advertência, tudo isso passa a ganhar o sentido de bússola para o bebê, dando informações a ele de como agir em eventos pouco familiares ou ambíguos. Desta forma, o ambiente em que ele está inserido passa também a fazer parte de toda a sua formação enquanto ser humano. Um ambiente tranqüilo, com pessoas que não se sobressaltam por qualquer motivo, fará com que o bebê passe a reagir de forma mais calma nas diversas situações, ao passo que outro cercado por pessoas menos tranquilas, ou inseguras, fará com que ele reaja com mais sobressaltos às diversas situações.

Quando o bebê passa engatinhar, por volta dos nove meses, um novo mundo se abre para ele e as referências sociais tornam-se mais distintas e importantes. Isso se amplia mais ainda quando ela começa a andar. Entre nove e quinze meses podemos perceber o quanto a criança já acompanha as expressões e os gestos dos adultos (normalmente representados pelos pais, que costumam ser os mais próximos), depois compartilham com interesse as experiências emocionais mútuas, até estarem aptas a iniciar o processo de interação utilizando suas próprias palavras e gestos.

Com o desenvolvimento vêem as mudanças nas emoções, que tornam-se mais evidentes com o medo e a ansiedade. À medida em que amadurecem as crianças vão se tornando mais receosas. A angústia de estranhos costuma começar por volta dos seis meses, atingindo o auge de sua expressão entre dez e quatorze meses. Outra reação que costuma surgir nessa fase é a angústia de separação, o medo de ser abandonado pela mãe, atingindo o seu pico aos quatorze meses, quando costuma diminuir.

Então podemos dizer sim, nosso bebê nos entende, percebe nossas expressões de emoção. Não em termos de palavras ou significados, mas pela nossa janela social, desenvolvendo dessa forma a interação social. Assim como nós também podemos compreendê-los, lendo cada vez melhor suas expressões emocionais. É um conhecimento que vai se desenvolvendo pela troca, não de forma clara e imediata, mas construída e observada. Podemos não ter certeza se o choro é de tristeza ou de outra fonte, mas conseguimos entender que esse bebê (que tiver tido suas necessidades sempre supridas ao chorar) está demonstrando uma insatisfação que cabe a nós desfazer, por exemplo.

OBS: As fases descritas são apenas referências orientadoras, não sendo uma regra geral. Como sabemos, cada bebê e cada criança tem o seu grau e ritmo de desenvolvimento, podendo variar bastante de acordo com os meses acima apontados.

Fonte: BERGER, Kathleen Stassen. O Desenvolvimento da Pessoa – Da Infância à Terceira Idade. Rio de Janeiro; LTC Editora, 2003

 

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Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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