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Junho púrpura: distúrbios de aprendizagem escolar
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Junho púrpura: distúrbios de aprendizagem escolar

Junho púrpura: distúrbios de aprendizagem escolar

19/06/2020
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Aprender é uma ação complexa, que envolve muitos aspectos ao mesmo tempo, sendo que uns podem ajudar sua realização e outros podem prejudicar. Tal ação é ainda mais complexa no contexto escolar. A escola é uma instituição cheia de regras e objetivos a cumprir, um espaço em que se aprende a conviver com pessoas muito diferentes entre si, em que se aprende conteúdos, habilidades, atitudes e valores fundamentais para a vida. Daí a importância de se conhecer, perceber e enfrentar os distúrbios de aprendizagem escolar, considerando os muitos aspectos que justificam a ocorrência de tal distúrbio ou disfunção.

Mesmo que os distúrbios de aprendizagem sejam o problema de uma criança, muitos outros fatores podem ajudar a dirimi-los ou, então, a torná-los maior ainda. Daí a importância de se fazer e investigar as respostas às seguintes questões:

  • Aprender o quê? Quem aprende, aprende alguma coisa, seja como conceito, palavra, ideia, imagem ou vocabulário.
  • Aprender como? Quem aprende, aprende procedimentos, isto é, como realizar ações físicas ou simbólicas, que, de forma coordenada no espaço e no tempo, satisfazem a realização de um objetivo ou intenção.
  • Aprender com quem ou com o que? Aprende-se observando ou imitando o fazer de alguém, ou através do seu ensino. Aprende-se, igualmente, com objetos ou recursos materiais ou simbólicos (livros, computadores).
  • Aprender quando? A aprendizagem não depende apenas de uma fonte externa (um professor ou alguém que serve de modelo). Ela depende, igualmente, de recursos internos, de processos de desenvolvimento. O que é impossível ou muito difícil em uma fase ou momento da vida, torna-se possível na fase ou momento seguinte. Além disso, há defasagens nos processos de aprendizagem. Uns aprendem mais rápido e com mais facilidade. Outros, de forma mais lenta e difícil. Diferenças socioculturais, limitações ou problemas físicos ou neurológicos podem também prejudicar o ritmo das aprendizagens.
  • Aprender quanto? O volume ou proporção de coisas a aprender pode ser exagerado para uma criança e perfeitamente adequado para outra. Às vezes, o que se sabe sobre um assunto é suficiente ou às vezes insuficiente, considerando o objetivo proposto pela própria pessoa, escola ou sociedade.
  • Aprender por quê? Aprender é deixar, ao menos um pouco, de ser ignorante, é formar um patrimônio de informações, conhecimentos ou saberes que melhoram nossas relações com o mundo, as outras pessoas e conosco mesmo. É uma das experiências mais importantes de nossa vida, não importa o plano (físico, sensorial-motor, perceptivo, emocional, cultural, religioso, cognitivo ou social) em que acontece. Daí o sofrimento ou mal estar de quem tem dificuldades para aprender, seja por disfunções físicas ou neurológicas, seja por falta de oportunidades ou de recursos, quaisquer que sejam eles.

Como aprender envolve muitas questões, é fundamental que se tenha uma visão relacional ou interativa de seu processo. Como tudo que é multifatorial não vale a pena reduzir a aprendizagem a algo simples e unilateral. Aprender é uma dádiva, algo que quanto mais se adquire, mais e melhor se pode dar ou retribuir.

Saiba mais: O que de bom esta pandemia pode trazer ao desenvolvimento das crianças?

Lino de Macedo

Lino de Macedo

Professor Emérito do Instituto de Psicologia (USP), assessor pedagógico do Instituto PENSI, integrante da Cátedra de Educação Básica do IEA (USP), membro da Academia Paulista de Psicologia e do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância.

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