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Para olhar com olhos de ver
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Para olhar com olhos de ver

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21/11/2016
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Estes dias estive atenta aos olhares. Ao modo como as pessoas olham enquanto conversam. Pessoas que olham nos olhos, para os lados, desviam rapidamente ou nem o fazem. Olhos para o chão quando cumprimentam alguém na rua; na mesa de jantar para a tela do celular e ao se despedir  eles já foram embora antes do próprio corpo.

As crianças também. Tenho notado que é cada vez mais difícil conseguir o encontro de olhares. Na Ubá temos o costume de agachar para falar com as crianças, para estarmos na mesma altura quando vamos conversar. Pois sabemos que os olhares que vem de cima também comunicam antes da própria fala oral. Ainda assim, não basta estarmos na frente delas, cara a cara, estamos numa constante tentativa de que elas nos olhem enquanto dialogam com alguém, seja com um adulto ou com uma criança. Quase que caçamos o olhar.

Na escola em que trabalho li o livro “Espelho”, da Suzy Lee para as crianças. Ao terminar o livro uma delas, que tem cinco anos, parecia estar terminando de contemplar tudo o que tinha visto. Olhava para além, ou para dentro do seu próprio pensamento. Quando concluiu disse:

 

“Sabe, quando uma pessoa olha no olho de outra pessoa ela consegue ver ela mesma” (C. 5 anos)

 

Ele percebeu que o próprio olho reflete. Reflexo físico e também profundo de nós. Com os olhos vemos o mundo e ele nos dá o retorno de nós mesmos. Quando olhamos no olho de outra pessoa também nos enxergamos, nos percebemos e nos vemos pelos olhos de outros. Para as crianças, e porque não, também para os adultos, isso ajuda a nos entendermos no mundo. Percebermos que estamos em contato com o outro, que nossas ações tem efeitos. Olhamos para saber enxergar o espaço e tempo em que estamos.

José Saramago diz: “Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Olhos nos olhos para conversar, para estarmos presentes, para olhar com olhos de ver, para não sermos indiferentes.

 

Bruna Mutarelli

Bruna Mutarelli

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