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Traumatismo dentário – Parte 1
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Traumatismo dentário – Parte 1

Traumatismo dentário – Parte 1

16/09/2014
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Uma das condições mais assustadoras que aparecem no consultório de um odontopediatra é o traumatismo de dentes em crianças. O traumatismo pode afetar tanto os dentes decíduos (dentes de leite) como os dentes permanentes (dentes definitivos). Nesse post vamos comentar dos danos causados nas crianças pequenas com dentes decíduos.

Todo mês, ao elaborar o tema para um post aqui no Blog Saúde Infantil fico pensando sobre o que vou escrever para os meus leitores. Na maior parte das vezes o assunto é sobre algo que me é sugerido ou de acontecimentos do consultório. Nesse mês não teve como escapar dos traumatismos dentários.

O consultório de um odontopediatra é cíclico, às vezes com mais movimento, às vezes com afluxo menor de pacientes e depende das férias da turma, da volta às aulas, da época de festas do final de ano, e claro, da programação de cada família que organiza o retorno das crianças ao consultório. Mas existe um caso de urgência que não escolhe data, época, período, muito menos perfil do paciente acidentado: é o traumatismo dentário.

Diferentemente de outros procedimentos que executamos no consultório, o traumatismo dentário aparece em momentos menos esperados, e não tem como adiar o atendimento, precisa ser o mais rápido possível. Outra característica é o caráter democrático dos traumatismos, atingem a todas as classes sociais, cores e credos, meninos e meninas e não é mais prevalente em crianças sapecas ou menos usual naquelas que se comportam feito anjos. Atinge crianças de todas as idades, de bebês a adolescentes e em comum apresentam um quadro que assusta a todos, crianças, pais, responsáveis e até os dentistas. Por isso, muita calma nessa hora.

Diferente de uma cárie, por exemplo, o trauma vem ali de supetão, pode acontecer numa festinha de crianças, na piscina do clube, no jogo de futebol ou até na sala de TV, se a criança tropeçar e bater com a boca na mesinha de centro ou no joelho do irmão. Falo desses locais porque são relatados a todo o momento pelos pais. Nesses dois últimos meses então parece que baixou uma epidemia de traumatismo no consultório. De bebês com oito meses, a crianças pré adolescentes apareceu de tudo e olha que nem é mais mês de férias. Felizmente a maioria deles foi fácil de resolver, outros nem tanto.

Mas como proceder nesse momento, como disse logo acima: muita calma nessa hora. Geralmente a parte mais atingida são os tecidos moles: lábios, bochechas, gengivas. Porém o maior estrago acontece mesmo nos dentes. Como o próprio nome diz o traumatismo dentário causa um… trauma. Os tecidos moles da boca sangram em abundância, mesmo quando em pequenos cortes, e o sangue assusta por menor que seja o trauma. Nessa hora procure manter a calma e conter o sangramento com uma toalha. Limpe o máximo possível e tente visualizar se os dentes foram atingidos. Em casos de cortes profundos, com dilacerações, corra para um ótimo pronto-socorro, pois pode haver necessidade de suturas em tecidos da face e um cirurgião plástico deve ser requisitado. Se o caso não for tão assustador seu dentista pode dar um jeito.

As consequências para os dentes podem ser várias: fraturas com ou sem exposição da polpa (exposição do canal), intrusão do dente (o dente entra na gengiva e pode, dependendo da fase de crescimento da criança, atingir ou não o dente permanente. Extrusão (o dente sai alguns milímetros do alvéolo), deslocamentos para frente ou para trás, ou até avulsão total (o dente sai inteirinho da boca). Qualquer dessas situações vai necessitar de um atendimento urgente e complexo. A criança vai estar assustada, se não estiver chorando, os pais apreensivos com o desfecho do caso e o dentista vai precisar de muita habilidade para administrar tudo isso.

Muito comum também, quando há traumatismo, é a mudança de cor do dente, que variam do arroxeado ao acinzentado. Em ambos os casos pode haver a necessidade de se tratar o canal do dente de leite, e por favor, não me venha com aquela história de que é dente de leite e que ele vai cair. Se isso acontecer quando seu filho tiver três, quatro anos, você vai esperar até os sete para ele trocar? Nesse tempo coisas terríveis pode acontecer, como dores e infecções. Ninguém merece, muito menos os pequenos.

Outra situação importante para lembrar e vou escrever em maiúscula para não esquecer: SE O DENTE DE LEITE SAIR POR INTEIRO, NÃO O COLOQUE DE VOLTA EM POSIÇÃO. Está bem explicado ou preciso desenhar? Falo isso, com todo o respeito, óbvio, mas é que isso acontece corriqueiramente, e o que mais dói, alguns colegas fazem isso. Não pode, dente de leite que sofreu avulsão total não pode ser colocado no alvéolo novamente! O quadro é diferente para dentes permanentes, mas isso fica para o outro post Parte 2.

Bem, se isso um dia ocorrer com seu pequeno tenha calma, não se desespere. A perda de um dente decíduo é muito ruim, mas a vida segue, há soluções bem razoáveis para contornar esses problemas, não é prendendo seu baby numa redoma que vai protegê-lo. Educar para os percalços da vida na infância podem formar um adulto mais feliz, consciente e tolerante.

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Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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